
Após registrar prejuízo global na faixa de R$ 46 bilhões em 2025, a Honda busca alternativas para reduzir custos no desenvolvimento de seus próximos carros. Durante uma reunião com acionistas, o CEO da marca japonesa, Toshihiro Mibe, afirmou que uma parceria com a Nissan está prestes a se concretizar.
Sem revelar detalhes, Mibe contou aos acionistas que Honda e Nissan discutem os últimos detalhes do contrato. As duas empresas enfrentam momentos difícies na indústria global e querem dividir gastos com desenvolvimento e pesquisa. Neste caso, a parceria acontecerá por meio de uma colaboração, e não uma fusão, como quase ocorreu em 2025.
A discussão foi retomada após a Honda cancelar o desenvolvimento de sua nova família de carros elétricos, prevista para os próximos cinco anos. O objetivo, segundo Mibe, é focar em segmentos mais rentáveis, tendo em vista que as vendas globais de EVs estão em declínio. O prejuízo global da Honda, o primeiro em 70 anos, só não foi mais grave por conta da margem de lucro obtida com a operação de motocicletas.
Não é de hoje que Honda e Nissan negociam uma parceria. Em meados de 2024, surgiram os primeiros rumores de que as marcas na verdade estariam discutindo uma fusão, o que poderia criar o terceiro maior grupo automotivo do mundo. O interesse mútuo foi confirmado por executivos de ambas as marcas à imprensa japonesa, mas a negociação desandou.
A Nissan previa uma estrutura equilibrada de participação nesta nova empresa, enquanto a Honda sugeriu que sua concorrente se tornasse uma subsidiária. Ao considerar a ideia inaceitável e ultrajante, a Nissan desistiu oficialmente da fusão em fevereiro de 2025. No entanto, o desejo de fechar as contas no azul fez as empresas manterem contato.
Embora detalhes do novo acordo não tenham sido revelados oficialmente, a imprensa japonesa repercute que as marcas trabalharão juntas em um novo SUV médio e um crossover. A ideia é desenvolver uma base que possa ser utilizada por ambas, diluindo os custos e melhorando a rentabilidade.
Honda em crise
Honda Série 0 Concept também teve o seu desenvolvimento cancelado
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A Honda encerrou o seu ano fiscal de 2025 no final de março e o balanço divulgado apontou para um prejuízo. Isso acontece pela primeira vez em 70 anos. Afinal, desde que abriu seu capital na bolsa de valores, em 1957, a montadora nunca tinha fechado no vermelho. O resultado negativo é reflexo da reestruturação do negócio de veículos elétricos.
Na primeira quinzena de março, a Honda anunciou o cancelamento do desenvolvimento de três carros elétricos globais: Honda 0 SUV, Honda 0 Saloon e Acura RSX. Na época, a marca projetava um prejuízo bilionário e, após o fechamento do balanço fiscal, esse número chegou a US$ 9 bilhões. O valor também reflete a desvalorização da moeda japonesa perante ao dólar. Na conversão para o real, o prejuízo foi de R$ 45,8 bilhões.
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O prejuízo fiscal foi de R$ 13,4 bilhões, resultado amortizado pelo bom desempenho da marca no segmento de duas rodas, com vendas de motocicletas em alta. Aliás, mercados como Índia e Brasil foram os principais responsáveis pela maior demanda na venda de motos.
A mudança de rota causará ainda mais problemas para a Honda, que projetou mais R$ 16 bilhões de prejuízos ao longo do novo ano fiscal, que começou em abril de 2026. Caso se concretize, a fabricante japonesa terá um prejuízo final de R$ 61,8 bilhões por causa do cancelamento de projetos de veículos elétricos.
Foco da Honda será nos híbridos
Honda Hybrid Sedan Prototype será a base da próxima geração do Civic
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A Honda apostará em veículos híbridos para voltar a lucratividade até 2030. A partir do ano que vem, a marca iniciará uma série de 15 lançamentos híbridos até 2030, como novo sistema e nova plataforma. O foco principal será na América do Norte, Japão e Índia, regiões que são prioridade da marca para voltar a fechar os balanços no azul.
Recentemente, a Honda apresentou dois novos conceitos: o Hybrid Sedan Prototype e o Acura Hybrid SUV Prototype. O primeiro servirá de base para a nova geração do Civic. Esses dois conceitos chegarão ao mercado nos próximos dois anos.
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O novo sistema híbrido que a Honda está desenvolvendo deverá reduzir os custos produtivos em 30% na comparação com o atual. Segundo a fabricante, a novidade também entregará uma redução de 10% no consumo de combustível, usando a mesma base comparativa.
A partir de 2028 a Honda também equipará seus carros com a sua próxima geração do sistema Adas, que ainda está em fase de desenvolvimento.
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