
O Imposto de Importação sobre carros elétricos e híbridos no Brasil passa a ser de 35% a partir desta quarta-feire (1º), seguindo o cronograma estipulado pelo Governo Federal desde 2024. Esse foi o quarto e último reajuste desde a retomada da cobrança, estabelecida através do Programa Mover. Com o fim do escalonamento, todos os veículos eletrificados importados que entrarem no país a partir desta data pagarão a alíquota máxima.
A cobrança gradual encerrou um período de isenção que durava desde 2016. No início da transição, as taxas eram de apenas 12% para veículos híbridos e 10% para elétricos. O avanço em “escada” foi desenhado para dar previsibilidade ao mercado, variando o teto da cobrança de acordo com o tipo de motorização. Agora, a regra é unificada e atinge o máximo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para automóveis de passageiros, independentemente da tecnologia.
Imposto de importação para carros elétricos e híbridos
O aumento integral do tributo é o desfecho de uma longa e intensa disputa de bastidores em Brasília. De um lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vinha pressionando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A entidade, que representa as montadoras tradicionais instaladas no país, chegou a pedir a antecipação da alíquota cheia. O argumento era de que a enxurrada de veículos elétricos e híbridos importados — especialmente da China — desequilibrava o mercado local com preços altamente agressivos.
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Do outro lado, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) defendia o cumprimento do cronograma gradual, alertando que uma aceleração na alta poderia frear o ritmo de descarbonização da frota nacional e penalizar o consumidor.
Carros elétricos e híbridos terão imposto unificado de importação
Divulgação/Codesa
Vale reforçar que o mercado de carros elétricos e híbridos garantiu 44.981 emplacamentos em maio de 2026. O número de vendas representa um crescimento de 16,8% sobre o mês anterior, quando 35.516 unidades foram registradas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento é de impressionantes 170,3%. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
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Os preços dos carros elétricos e híbridos vão subir?
A pergunta mais importante para o consumidor é como essa mudança afetará o preço dos carros nas concessionárias. Na prática, o aumento do imposto não necessariamente deixará modelos híbridos e elétricos mais caros no Brasil, pelo menos de maneira imediata.
Isso porque, já cientes de que o aumento estava por vir, muitas importadoras se programaram para trazer grandes lotes de veículos até o fim de junho, pagando a tributação antiga para fazer o desembaraço dos produtos. Assim, ainda há milhares de elétricos e híbridos importados nos estoques das lojas sendo vendidos sob a regra antiga.
A BYD, por exemplo, chegou a trazer mais de 7 mil veículos de uma só vez no ano passado e em um único navio para garantir fôlego comercial antes da virada de chave e do início de sua produção nacional.
Desde 2016, o imposto de importação para carros híbridos e elétricos era zerado
Renato Durães/Autoesporte
Além disso, fabricantes com forte volume de vendas e margens mais folgadas, como a própria BYD, a Geely e a Leapmotor, podem amortecer o impacto durante algum tempo para não perder competitividade e seguir ganhando espaço no mercado. A decisão de incorporar o reajuste, integral ou não, ao preço do veículo vai do plano de cada marca.
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Marcas chinesas começaram a produzir no Brasil
Um dos principais objetivos do Governo Federal com a barreira tarifária é forçar a nacionalização da tecnologia, atraindo investimentos bilionários para a produção local de motores e baterias. Marcas como BYD e GWM estão menos vulneráveis a longo prazo, justamente por já estarem operando suas linhas de montagem em Camaçari (BA) e Iracemápolis (SP), respectivamente.
A GWM, inclusive, já apresentou um novo projeto de um complexo fabril na cidade de Aracruz (ES), onde vai produzir até 200 mil veículos por ano.
Marcas como a BYD, que já monta seus carros no Brasil, têm vantagens
André Paixão/Autoesporte
No entanto, o início dessas operações acontece em arranjos CKD (veículos totalmente desmontados) ou SKD (parcialmente desmontados), onde os componentes são importados da China em kits para serem finalizados no Brasil. Esse modelo traz vantagens logísticas cruciais. Afinal, economiza muito espaço no transporte, por exemplo, e a tributação desses kits é bem menor do que a do carro pronto — girando na faixa de 16% a 18%, mas o governo zerou o imposto, como contaremos logo abaixo.
Outras marcas chinesas estão avançando com propostas de produção nacional. A MG, por exemplo, vai montar os elétricos MG4 Urban e MG S5 no complexo da Pace no Ceará. A GAC vai compartilhar produção com a HPE em Catalão (GO). Já a Geely, que estreou em nosso país em uma parceria importante com a Renault no Brasil, vai produzir o hatch elétrico EX2 e o SUV híbrido plug-in EX5 em São José dos Pinhais (PR).
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) foi inaugurada em 2025
Divulgação
Nova taxa vale apenas para veículos montados
Enquanto veículos montados passarão a pagar o teto de 35% de Imposto de Importação, modelos que chegam em semidesmontados no Brasil, em formato CKD (totalmente desmontados) ou SKD (parcialmente desmontados), que vinham pagando entre 16% e 18% desde o começo do ano, tiveram uma renovação da cota de isenção tributária até o fim do ano concedida pelo governo, com um teto de US$ 463 milhões (o equivalente a R$ 2,4 bilhões). Antes, uma outra cota de mesmo valor havia sido concedida em janeiro deste ano.
A medida foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Camex (Gecex) no dia 23 de junho e vale até o final deste ano ou quando for consumido todo o valor da cota, o que ocorrer primeiro. No segundo caso, os kits CKD ou SKD recolherão 14% de Imposto de Importação até 31 de dezembro, e passarão ao teto de 35% a partir de janeiro de 2027.
A medida beneficia marcas chinesas que atualmente montam seus veículos em formato CKD, em especial a BYD, que iniciou neste ano a montagem de Dolphin Mini e Song Pro em Camaçari (BA). A General Motors também aproveitará as isenções para montar o Spark EUV e o Captiva EV em Horizonte (CE), no complexo da Pace, assim como a MG. Descontente com a decisão, a Anfavea enviou uma carta aberta ao governo contestando a decisão e ameaçou até ir à Justiça.
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