Volkswagen terá híbridos nacionais que rodam como carros elétricos na cidade


Em outubro de 2025, Autoesporte dedicou toda uma edição aos planos futuros da Volkswagen, que investiu R$ 20 bilhões em suas fábricas da América do Sul para produzir modelos inéditos e desenvolver novas tecnologias. Embora já tenhamos revelado informações sobre os futuros motores híbridos para o mercado brasileiro, detalhes técnicos divulgados recentemente na Europa aprofundam que o funcionamento do sistema HEV da marca será essencialmente elétrico onde mais importa.
Entre as novidades, foi divulgado que o funcionamento do novo motor 1.5 TSI Evo2 — que irá equipar o Projeto Saga (a versão brasileira do T-Roc) e a próxima geração do Taos a partir de 2028 — será diferente nos carros híbridos da VW na comparação com modelos sem eletrificação.
Também foi revelado que o sistema híbrido pleno (HEV) à lá Toyota desenvolvido pela marca tem características de projeto que se assemelham aos conjuntos plug-in (PHEV). Este sistema, que ainda não foi lançado na Europa, irá equipar as versões mais caras do T-Roc a partir do segundo semestre de 2026.
Híbrido pleno com ‘sabor’ de plug-in
A Volkswagen trará ao Brasil a plataforma MQB Evo e a motorização 1.5 TSI Evo2 MHEV e HEV do novo T-Roc europeu
Projeção: João Kleber Amaral/Autoesporte
Partindo do princípio, os carros híbridos plenos da Volkswagen no Brasil terão uma evolução do atual 1.4 TSI: trata-se do motor 1.5 TSI Evo2 Flex de quatro cilindros que, inicialmente, virá importado do México antes de ser produzido em São Carlos (SP). É um conjunto de ciclo Miller, cujo tempo de abertura das válvulas é combinado ao turbocompressor para garantir uma queima de combustível mais eficiente.
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Dados técnicos divulgados durante a apresentação oficial deste motor na Europa davam conta de que a Volkswagen havia instalado um inovador sistema de desativação de cilindros. Assim, dependendo das condições de rodagem, a unidade de quatro cilindros poderá atuar com apenas dois, reduzindo o arrasto mecânico e proporcionando maior economia de combustível. A novidade é que os carros HEV não terão este sistema.
Volkswagen T-Roc já é vendido na Europa em suas versões convencionais
Divulgação
O que pode soar como uma regressão técnica é, na verdade, consequência da evolução do conjunto elétrico. O sistema de desativação dos cilindros foi substituído por dois motores elétricos, um gerador e outro de tração, que foram alojados no cárter.
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Sobre eles está posicionada a nova unidade de controle que traz uma embreagem multidisco de acionamento eletrônico, permitindo o acoplamento e o desacoplamento do motor a combustão. Abaixo do banco traseiro, a Volkswagen posicionou uma bateria de 1,6 kWh com refrigeração líquida.
É por conta deste sistema que os futuros híbridos nacionais da Volkswagen poderão rodar 100% com eletricidade em velocidades de até 55 km/h, nas circunstâncias que requerem menos de 20 cv. Se a bateria estiver descarregada ou o veículo precisar de mais potência, o motor 1.5 será ativado apenas como gerador, abastecendo a bateria que energiza o motor elétrico de tração.
Logo, até 55 km/h, velocidade que compreende a maioria dos perímetros urbanos, o sistema híbrido pleno da VW será essencialmente elétrico, mesmo quando o motor a combustão está ligado. Dessa forma, a Volkswagen não viu propósito em manter o sistema de desativação dos cilindros já presente nos carros não-eletrificados, como o T-Roc.
Volkswagen T-Roc híbrido chega às lojas europeias ao longo deste semestre
Divulgação
A Volkswagen oferecerá este novo conjunto híbrido no T-Roc em versões de 136 cv e 28,9 kgfm e de 170 cv e 31,5 kgfm. A versão mais potente será a primeira a chegar às lojas. Embora este novo conjunto tenha sido desenvolvido para as novas gerações dos carros da VW, existe a chance de ser oferecido em atualizações de meia-vida ou facelifts, dependendo do modelo.
Projeto Saga e o novo Taos: o plano de R$ 20 bilhões
Projeção antecipa visual do Projeto Saga (vermelho) e da próxima geração do Taos (prata)
João Kleber Amaral/Autoesporte
Como elaboramos anteriormente, a Volkswagen tem dois SUVs híbridos em desenvolvimento para o Brasil. O primeiro é o chamado Projeto Saga, identificado pelo código VW213, que dará origem à versão brasileira do T-Roc europeu. O segundo é o VW226, projetado inicialmente como a próxima geração do T-Cross, mas que, na verdade, representará o novo Taos.
É dessa forma que a Volkswagen pretende ter um catálogo formado por cinco SUVs nacionais até o fim desta década. Os atuais Tera, Nivus e T-Cross vão continuar em linha até lá, passando por atualizações para renovar o visual. Em seguida vem o Projeto Saga (VW213), que será um SUV compacto com pacote de equipamentos mais generoso.
Projeto Saga é parte essencial do plano de R$ 20 bilhões traçado pela marca para a América Latina
João Kleber Amaral/Autoesporte
Já a próxima geração do Taos (VW226) chega para substituir a atual, que é produzida no México. Como Autoesporte revelou, este modelo nasceu como a próxima geração do T-Cross — tanto que, internamente, era tratado pelo código “T-Cross NF” pela engenharia. Porém, no meio do percurso, a Volkswagen decidiu manter o T-Cross atual em linha no lugar de substituí-lo.
Isso ocorre por conta dos bons resultados da atual geração do T-Cross. Dessa forma, o modelo que antes era visto como sua próxima geração foi “promovido”, e dará origem ao novo Taos. Ao fim deste processo, a Volkswagen terá cinco SUVs produzidos no Brasil: Tera, Nivus, T-Cross, Projeto Saga e Taos.
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