Teste: Jeep Renegade MHEV tem melhora real de consumo e desempenho?


Há pouco mais de dez anos, o Jeep Renegade inaugurou uma nova fase da marca no Brasil. Produzido em Goiana (PE), o SUV rapidamente conquistou o mercado com visual robusto, boa posição de dirigir e um comportamento dinâmico acima da média, chegando a liderar as vendas do segmento em 2019 e 2021. Mas o mercado mudou: novos concorrentes surgiram e a eletrificação passou a fazer parte da realidade brasileira.
Sem uma renovação profunda desde o lançamento, o Renegade perdeu espaço nos últimos anos e a Stellantis decidiu apostar justamente na eficiência para manter o SUV competitivo e ter sobrevida no mercado. Afinal, o Jeep Avenger acaba de chegar para disputar no mesmo segmento de SUVs compactos. Portanto, o Renegade recebeu um sistema híbrido leve de 48 volts nas versões Longitude (R$ 158.690) e Sahara (R$ 175.990). A proposta parece simples: reduzir o consumo sem alterar a personalidade do carro. Mas será que isso acontece na vida real?
Para responder a essa pergunta, Autoesporte testou o Renegade Sahara MHEV e comparou os dados com a versão equipada apenas com o motor 1.3 turbo — atualmente a Altitude é a única disponível com esse conjunto por R$ 129.990.
Consumo do Jeep Renegade MHEV: a resposta que queríamos
Sob o capô, o motor é o já conhecido T270 1.3 turbo flex, de quatro cilindros, 16 válvulas, injeção direta e comando MultiAir III. São 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de seis marchas nas versões de tração dianteira.
Jeep Renegade é equipado com o conjunto híbrido leve em duas versões, Longitude e Sahara
Divulgação
A novidade fica pela adoção de um sistema híbrido leve de 48 volts. Diferentemente do conjunto de 12 volts utilizado em Fiat Pulse e Fastback Hybrid, o Renegade recebe um motor elétrico mais potente de 16 cv e 6,6 kgfm. Apesar da potência maior, ele não é capaz de movimentar o SUV sozinho e nem acrescente números na potência combinada. Ligado ao virabrequim por meio de uma correia (BSG), seu papel é auxiliar o motor a combustão em partidas, acelerações e retomadas, além de recuperar energia nas desacelerações. Ou seja, não há modo de condução exclusivamente elétrico.
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A expectativa, dessa maneira, era de um ganho sensível de eficiência. E não era por acaso. Desde o lançamento, o consumo sempre esteve entre os principais pontos de crítica ao Renegade. Então era justamente neste quesito que o sistema híbrido leve prometia fazer a diferença. Porém, nos testes de Autoesporte, os resultados mostram uma evolução bem mais modesta.
Jeep Renegade Sahara MHEV traz um sistema de 48V
Jady Peroni/Autoesporte
Na cidade e abastecido com gasolina, o sistema híbrido leve registrou média de 10,6 km/l, contra 10,3 km/l da versão convencional. Na estrada, entretanto, o cenário se inverte. Enquanto o Renegade equipado apenas com o motor 1.3 turbo alcançou 14,5 km/l, o MHEV ficou em 13,2 km/l. A explicação está justamente na arquitetura do sistema. Como o motor elétrico não movimenta as rodas, sua atuação praticamente desaparece em velocidades constantes. Nas viagens, o SUV depende quase exclusivamente do motor a combustão, reduzindo o potencial de economia.
Jeep Renegade – Consumo de combustível (Autoesporte)
Para medir o impacto no bolso do consumidor, Autoesporte simulou um motorista que percorre 15 mil quilômetros por ano — sendo 70% na cidade e 30% na estrada, algo dentro da média real dos brasileiros. Para o cálculo, usamos o preço médio da gasolina de R$ 6,62 divulgado nos dados mais recentes da Associação Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Jeep Renegade Sahara MHEV não sofre alterações nos dados de desempenho
Jady Peroni/Autoesporte
Com um tanque de combustível de 55 litros, no uso urbano, o Renegade MHEV consumiria cerca de 990 litros por ano, contra pouco mais de 1.100 litros da versão convencional, gerando uma economia próxima de R$ 190. Já nas viagens rodoviárias acontece o oposto: o híbrido gasta aproximadamente 341 litros, enquanto o modelo somente a combustão consome cerca de 310 litros. Confira:
Comparativo de gasto anual – Jeep Renegade
Na prática, o ganho obtido na cidade praticamente desaparece quando entram os deslocamentos rodoviários. E no fim das contas, a economia anual simulada por Autoesporte foi de apenas R$ 11 entre o modelo a combustão e o equipado com o sistema MHEV.
Jeep Renegade Sahara MHEV registrou 10,6 km/ na cidade em nossos testes com gasolina
Jady Peroni/Autoesporte
Essa diferença fica ainda mais evidente quando o Renegade brasileiro é comparado ao modelo vendido na Europa. Por lá, o SUV utiliza um motor 1.2 turbo de três cilindros operando em Ciclo Miller, combinado a um motor elétrico integrado ao câmbio automatizado de dupla embreagem e-DCT. Nesse conjunto, o propulsor elétrico consegue tracionar as rodas sozinho em manobras, arrancadas e pequenos deslocamentos urbanos, o que ajuda a conter o consumo.
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No Brasil, a Stellantis optou por manter a transmissão automática convencional de seis marchas. Segundo a fabricante, pesquisas de mercado apontaram maior aceitação desse tipo de câmbio entre os consumidores brasileiros. A consequência é um sistema significativamente mais simples — e também menos eficiente.
Jeep Renegade Sahara MHEV tem painel digital configurável
Jady Peroni/Autoesporte
A adoção do sistema híbrido leve, porém, vai além da busca por economia de combustível. Assim como outras montadoras, a Stellantis precisou adaptar sua linha às novas exigências do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve L8), que estabeleceu limites mais rigorosos para emissões de poluentes e eficiência energética. A eletrificação do Renegade faz parte dessa estratégia, ajudando a reduzir emissões sem exigir uma reformulação completa do projeto.
Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Jeep Renegade MHEV: ao volante, quase nada muda
Se a eletrificação pouco alterou os números de consumo, ela também praticamente não mudou a experiência ao volante — e isso está longe de ser uma crítica. As partidas ficaram um pouco mais suaves e o funcionamento do sistema start-stop é mais refinado, mas a personalidade do SUV permanece intacta. A direção continua direta, a posição de dirigir segue entre as melhores da categoria e o isolamento acústico acima da média.
Jeep Renegade Sahara MHEV traz detalhes que mesclam couro sintético e tecido na cabine
Jady Peroni/Autoesporte
O acerto da suspensão também continua sendo um dos grandes trunfos do modelo. Mesmo utilizando arquitetura McPherson nos dois eixos, o conjunto absorve muito bem as imperfeições do piso sem comprometer a estabilidade. Os pneus 225/55 R18 e o vão livre do solo de 19,2 cm ajudam a filtrar impactos e fazem com que o Renegade atravesse ruas esburacadas com desenvoltura superior à de muitos concorrentes.
Jeep Renegade Sahara MHEV é equipado com rodas de 18 polegadas
Jady Peroni/Autoesporte
O câmbio automático de seis marchas segue bem casado com o motor 1.3 turbo, com reduções rápidas e suaves sempre que o motorista exige retomadas mais vigorosas. Mas, se a expectativa era de um ganho de desempenho graças ao auxílio elétrico, os números mostram exatamente o contrário.
Sistema híbrido leve do Jeep Renegade deixa as partidas mais suaves
Jady Peroni/Autoesporte
Em nossos testes no Rota 127 Campo de Provas, o Renegade híbrido acelerou de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos, enquanto a versão convencional cumpriu a mesma prova em 8,5 segundos. Contudo, olhando para o mercado, o SUV se destaca frente aos rivais diretos como o Hyundai Creta, por exemplo, que vai a 100 km/h em 12,1 segundos. E no geral, ele proporciona uma boa graduação de aceleração. Entre as retomadas, o destaque fica para a recuperação de 60 a 100 km/h feita em 4,6 segundos.
Aceleração e retomadas – Jeep Renegade 1.3 e MHEV
Já na frenagem, o SUV fica dentro da proposta para seu segmento e peso, precisando de 39,9 metros para frear de 100 km/h a zero. A resposta, inclusive, é boa pela presença de freios a disco nas quatro rodas.
Jeep Renegade Sahara MHEV tem modo Sport
Jady Peroni/Autoesporte
Espaço e equipamentos do Jeep Renegade MHEV
Espaço nunca foi o ponto forte do Renegade e isso não mudou. A capacidade do porta-malas de 320 litros é uma das menores da categoria, sendo menor que o dos principais rivais como o próprio Hyundai Creta (422 l) e o Nissan Kicks (470 l). No tamanho, são 2,57 metros de entre-eixos (mesmo de um Volkswagen Polo), 1,80 m de largura, 1,70 m de altura e 4,27 m de comprimento.
Jeep Renegade Sahara MHEV uma das menores capacidadea do porta-malas do segmento com 320 litros
Jady Peroni/Autoesporte
Na prática, mesmo pessoas de estatura média ficam mais apertadas, ainda mais com o assoalho elevado, o que dificulta a disposição para as pernas de um terceiro passageiro. Ao menos a forma quadrada ajuda no espaço para a cabeça, e os passageiros podem aproveitar de uma saída de ar-condicionado e duas portas USB (do tipo A e C).
Jeep Renegade Sahara MHEV oferece entre-eixos de 2,57 metros
Jady Peroni/Autoesporte
Na linha 2027, a cabine foi completamente renovada e o acabamento permanece um dos pontos muito positivos em relação à categoria, com materiais agradáveis ao toque bons encaixes. A versão Sahara entrega detalhes bonitos em cinza e laranja, além de uma lista bastante completa de equipamentos. Entre os destaques estão carregador por indução, bancos com ajuste elétrico, ar-condicionado automático digital, chave presencial, teto solar panorâmico de série e freio de estacionamento eletrônico. O painel digital e central multimídia de 10,1″ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio têm ótimo funcionamento.
Jeep Renegade Sahara MHEV traz ótima lista de equipamentos
Jady Peroni/Autoesporte
Também há seis airbags, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, além de um pacote abrangente de assistentes de condução (Adas), incluindo frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego e alerta de permanência em faixa.
O Jeep Renegade MHEV 2027 vale a pena?
Aqui, vale uma reflexão. Um dos motivos para o Jeep Renegade ter perdido espaço nos últimos anos foi a incerteza sobre o futuro. Uma nova geração, contudo, já foi confirmada pela Stellantis e deve estrear em 2027, como adiantado por Autoesporte. O refresco será positivo, já que a atual plataforma Small Wide já demonstra claramente as limitações da idade do projeto.
Jeep oferece cinco anos de garantia para Renegade Sahara MHEV
Jady Peroni/Autoesporte
No entanto, mesmo com mais de 10 anos de mercado, é fato que o Renegade continua exatamente aquilo que sempre foi: um dos SUVs compactos mais agradáveis de dirigir, com bom acabamento, boa suspensão e um conjunto bastante equilibrado. A eletrificação, porém, ainda não mostra um salto equivalente. O sistema híbrido leve entrega um benefício pequeno demais para justificar, sozinho, o investimento adicional.
Nesse contexto, o MHEV parece mais uma solução de transição para ajudar o Renegade a atender às exigências do Proconve e manter o SUV competitivo enquanto a próxima geração não chega. Esta, sim, terá a missão de recolocar o Renegade no mercado nacional, ainda mais com a chegada do Avenger para disputar no mesmo segmento.
Pontos positivos: suspensão bem acertada, lista de equipamentos e robustez;
Pontos negativos: consumo (ainda) elevado, espaço interno e volume do porta-malas.
Teste – Jeep Renegade Sahara 1.3 MHEV
Jeep Renegade Sahara MHEV 1.3 – Ficha técnica
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