Volkswagen SpaceFox usada: 3 versões da perua a partir de R$ 25 mil


A Volkswagen SpaceFox usada é um daqueles casos em que o carro envelheceu melhor do que a fama. Lançada em 2006 e aposentada em 2019, a perua derivada do Fox entrega espaço de sobra, mecânica simples de manter e uma lista de itens de conforto que surpreende para o preço que pede hoje.
Por isso, separamos três versões usadas da SpaceFox que valem a pena e podem ser encontradas no Mercado Livre a partir da faixa de R$ 25 mil. A seleção percorre as três fases do modelo, em ordem crescente de preço: a SpaceFox Trend da leva original, a Sportline que estreou a primeira reestilização e a Trendline da fase final, já com direção elétrica e central multimídia.
Os valores foram apurados em agosto de 2026 e variam conforme ano, versão, quilometragem e estado de conservação.
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1. Volkswagen SpaceFox Trend (2006-2010) – a partir de R$ 24.900
A VW SpaceFox usava a base do Fox com 37,6 cm a mais de carroceria — e foi anunciada no Brasil pelo comercial do cachorro-peixe
Volkswagen/Divulgação
A lista começa pela SpaceFox original, que a Volkswagen vendeu como a primeira ‘sportvan’ do Brasil para justificar o teto alto e o jeito de minivan de um carro nascido do Fox. Produzida em General Pacheco, na Argentina, a perua ganhou nomes diferentes por onde passou: Suran no país vizinho, SportVan no México e FoxPlus na África. Nas tabelas de usados, a configuração de entrada dessa fase aparece como SpaceFox Trend, e é ela que ancora o preço mais baixo do modelo hoje.
Com 4,18 metros de comprimento, o trunfo estava justamente nos 37,6 cm extras de carroceria em relação ao Fox. São 430 litros de porta-malas, em volume que sobe para 527 l com o banco traseiro corrediço todo avançado e chega a 951 l com o assento rebatido, tudo sobre o entre-eixos de 2,46 m.
A versão Trend trazia de série ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, retrovisores com ajuste elétrico, alarme, banco do motorista com regulagem de altura, calotas de aro 15 com pneus 195/55, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro e cobertura do porta-malas.
O capítulo das curiosidades é generoso: são 17 porta-objetos espalhados pela cabine, uma gaveta sob o banco do motorista e mesinhas dobráveis do tipo avião nos encostos dianteiros — item de carro grande que virou marca registrada da família. Fique atento a um ponto: airbag duplo e freios ABS eram opcionais nessa fase, e vale procurar exemplares que tenham os dois.
A mecânica inclui o motor 1.6 flex EA111, com 103/101 cv e torque de 14,5/14,3 kgfm (etanol/gasolina), sempre com o câmbio manual MQ200 de cinco marchas, de engates curtos e precisos. O acerto tem mais tempero do que parece: a suspensão traseira foi redimensionada em relação à do Fox, com rigidez torcional cerca de 33% maior, e a dianteira independente McPherson ganhou barra estabilizadora, o que rende curvas seguras e previsíveis para o padrão da categoria.
Os freios são de disco ventilado na frente e a tambor atrás. A arrancada de 0 a 100 km/h era cumprida em 10,8 segundos com etanol e a velocidade máxima é de 175 km/h – dados oficiais. No Inmetro, o modelo rende 6,9 km/l (E) e 9,0 km/l (G) na cidade e 9,3 km/l (E) e 12,3 km/l (G) na estrada.
Unidades dessa fase são negociadas a partir de R$ 24.900 no Mercado Livre, principalmente da linha 2007. Exemplares entre 2008 e 2010 custam um pouco mais.
Volkswagen Saveiro Robust
2.Volkswagen SpaceFox Sportline (2011-2014) – a partir de R$ 33 mil
VW SpaceFox Sportline abriu a fase pós-reestilização no topo da gama, com sensores de chuva e crepuscular e faróis modernizados
Volkswagen/Divulgação
Em março de 2010, a SpaceFox passou pela primeira reestilização e ficou com a cara que ela carregaria até 2014. A frente foi refeita no espírito do Polo europeu, em receita que já havia estreado no Fox e no CrossFox no fim de 2009: grade com filetes cromados, para-choques novos na dianteira e na traseira e retrovisores com setas integradas, agora de série em toda a linha.
Por dentro, veio um interior mais caprichado, com quadro de instrumentos de mostradores duplos (velocímetro e conta-giros separados) e display de LCD no padrão europeu da marca, detalhes cromados e o banco do motorista com ajuste de altura em todas as configurações.
O motor mudou de sobrenome e o 1.6, agora recalibrado, virou VHT (Very High Torque), passando a entregar 104 /101 cv e 15,6/15,4 kgfm, graças à nova correia e novo diferencial da caixa. A graça mecânica está no torque cheio desde as 2.500 rpm, que dá agilidade urbana de verdade, e no câmbio manual, um dos melhores de acionamento entre os populares da época.
A SpaceFox Sportline estreou essa fase no topo da gama — a linha 2011 tinha apenas duas opções, a 1.6 de entrada e ela. Apesar do nome, de esportivo, o pacote tem só o acabamento diferenciado e as rodas de liga leve de aro 15. As demais medidas permanecem iguais.
Em relação à SpaceFox básica, essa variante ainda somava faróis de neblina com função Coming Home e Leaving Home (ficavam acesos ao acionar o alarme ou travar o carro por um tempo), computador de bordo I-System de sete funções, sensores de chuva e crepuscular, airbag duplo e freios ABS.
Sensor de estacionamento seguia como opcional, e o pacote nunca incluiu bancos revestidos de couro, ar-condicionado digital ou controle de estabilidade, que só chegaria na fase seguinte, assim como a direção elétrica.
Os números fecham a conta: aceleração de 0 a 100 km/h em 11,1 s – sempre de acordo com dados oficiais – e 181 km/h de velocidade máxima. Segundo o Inmetro, o carro faz 7,2 km/l (E) e 9,4 km/l (G) na cidade e 10,1 km/l (E) e 13,1 km/l (G) na estrada. As opções com câmbio manual convencional são as indicadas – há ainda o automatizado I-Motion.
Oferecida de 2011 em diante, a versão aparece a partir de R$ 32.999 (também conhecido como R$ 33 mil) no Mercado Livre, e exemplares com opcionais podem custar mais.
Renault Duster Oroch 2017
3. Volkswagen SpaceFox Trendline (2017-2019) – a partir de R$ 40.900
Na linha 2018, a VW SpaceFox Trendline ficou sozinha no catálogo e R$ 9.510 mais barata — foi assim que o modelo se despediu
Volkswagen/Divulgação
A segunda reestilização da SpaceFox chegou no fim de 2014, com a linha 2015, e foi a mais profunda das duas. Tudo o que fica à frente das portas dianteiras é novo: capô, faróis mais inclinados e de assinatura quadrada, para-choque com entrada de ar independente e um friso cromado horizontal cruzando a dianteira, em desenho recém-estreado pelo Golf. Atrás, as lanternas seguem formas inspiradas nas linhas do Touareg, o para-choque ganhou refletores integrados, enquanto as barras de teto e rodas foram redesenhadas.
Do facelift até o fim da produção, a perua acumulou o que nunca tinha tido: direção com assistência elétrica, motor 1.6 16V MSI da família EA211 na versão Highline (com 120/110 cv e 16,8/15,8 kgfm), câmbio manual de seis marchas para essa configuração, a segunda geração do automatizado I-Motion, controle eletrônico de estabilidade, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, luz de conversão estática nos faróis de neblina, retrovisor interno eletrocrômico, navegador GPS com tela tátil, fixações Isofix e, na reta final, o sistema multimídia Composition Touch com App-Connect.
Para a linha 2018, entretanto, a Volkswagen cortou as variantes Comfortline, Highline e Space Cross, aposentou o 16 válvulas e deixou só a versão Trendline, que ficou R$ 9.510 mais barata, a R$ 58.990 na época. É por isso que a SpaceFox Trendline é a versão certa para quem procura a perua mais nova: ela começou como porta de entrada e terminou como opção única do catálogo, o que a torna a mais fácil de achar entre os modelos 2017 a 2019.
Sob seu capô fica o motor 1.6 8V de 104/101 cv com 15,6/15,4 kgfm a 2.500 rpm, associado ao câmbio manual de cinco marchas ou ao I-Motion — o desempenho não muda a vida, com 0 a 100 km/h em 12,5 s – teste da Autoesporte – e 181 km/h de máxima, mas a elasticidade em baixas rotações continua sendo o melhor argumento do conjunto.
Além disso, o consumo é o mais simpático do trio: pelo Inmetro, faz 7,8 km/l (E) e 11,1 km/l (G) na cidade e 9,5 km/l (E) e 13,6 km/l (G) na estrada.
A reestilização incrementou o tamanho em dois centímetros, com 4,20 m de comprimento e os mesmos 2,46 m de entre-eixos.
A lista de série traz ar-condicionado, direção com assistência elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme com comando remoto, sensores de estacionamento na frente e atrás, fixações Isofix, volante com ajuste de altura e profundidade e rodas de aço de aro 15. O pacote opcional Módulo Interativo II, de R$ 2.490 na época, acrescentava computador de bordo I-System, rodas de liga leve de aro 15 com pneus de baixa resistência ao rolamento, volante multifuncional e a central multimídia Composition Touch de 6,5″, com App-Connect — o espelhamento que traz Android Auto e Apple CarPlay por cabo, sem opção sem fio.
Em relação à Comfortline, a Trendline fica devendo faróis de neblina, frisos prateados na grade e rodas de liga leve de série; e nunca teve o motor 16 válvulas nem o controle de estabilidade da irmã mais chique.
Em 2019, a produção em Pacheco era encerrada e a SpaceFox saía de linha no Brasil após 13 anos, sem substituta direta. A Trendline usada, ponta final dessa história, está disponível no Mercado Livre a partir de R$ 40.900.
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