4 carros elétricos usados que valem a pena a partir de R$ 100 mil


Carros elétricos usados deixaram de ser um ‘experimento’ e passaram a ocupar a mesma faixa de preço de um SUV compacto a combustão zero-quilômetro, roubando cada vez mais consumidores dos modelos tradicionais.
À medida que o tempo passa, o mercado de elétricos usados também cresce, e, no Mercado Livre, já há quatro opções do tipo a partir da faixa dos R$ 100 mil: BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin, Geely EX2 e GWM Ora 03, todos hatches de cinco lugares, todos com bateria de lítio-ferro-fosfato e garantia de fábrica que costuma passar dos oito anos para o pacote de células.
A comparação entre os quatro carros elétricos usados desta lista mostra que capacidade de bateria e autonomia não caminham juntas: a maior bateria do grupo, de 48 kWh, é justamente a que rende a menor autonomia no ciclo do Inmetro, porque veio embarcada no modelo mais pesado. Há ainda diferenças relevantes de potência de recarga, de espaço no porta-malas e de conectividade — um deles chegou ao Brasil sem espelhamento de celular.
Confira a seleção e veja qual desses elétricos faz mais sentido para a sua rotina. Os preços foram apurados em agosto de 2026 no Mercado Livre e podem variar conforme o ano-modelo, a versão, a quilometragem e o estado da bateria.
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte
1. BYD Dolphin Mini GS5: a partir de R$ 101.900
BYD Dolphin Mini GS5 acomoda cinco pessoas nas mesmas medidas da versão de quatro lugares
Renato Durães/Autoesporte
Antes de qualquer coisa, um alerta útil na hora da busca: o Dolphin Mini existe em duas configurações de cabine.
O subcompacto estreou no Brasil em fevereiro de 2024 homologado para quatro pessoas, e em julho do mesmo ano a BYD lançou a variante de cinco lugares, identificada como GS5, que ganhou assento central com encosto de cabeça e cinto de três pontos sem qualquer mudança nas dimensões externas. A diferença de preço entre as duas era de R$ 4 mil, e o quinto lugar virou o argumento decisivo de venda. Vale conferir no documento qual das duas está no anúncio.
O conjunto é o mesmo nas duas: motor elétrico síncrono dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm, câmbio de uma marcha e tração dianteira, alimentado pela bateria Blade de lítio-ferro-fosfato de 38 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro é de 280 km. A recarga em corrente alternada chega a 6,6 kW e a rápida, em corrente contínua, a 40 kW, com a BYD anunciando 22 minutos para a etapa mais eficiente da carga. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 14,5 segundos, de acordo com o teste da Autoesporte, e a máxima é de 130 km/h, limitada eletronicamente.
As medidas explicam o sobrenome Mini: são 3,78 m de comprimento e entre-eixos de 2,50 m, o menor da lista, com apenas 230 litros de porta-malas. Em compensação, ele pesa 1.239 kg e roda com pneus 175/55 R16, o que ajuda a explicar por que é o elétrico mais eficiente vendido no país.
A dose de requinte é generosa para o preço: a central multimídia tem tela flutuante de 10,1″ que gira eletricamente entre os formatos horizontal e vertical, com Android Auto sem fio e Apple CarPlay com fio, comando de voz, navegação por GPS e os controles do ar-condicionado embutidos.
O quadro de instrumentos é digital, com tela de 7″. Completam o pacote seis airbags, bancos revestidos de imitação de couro, banco do motorista com ajuste elétrico de seis posições, chave presencial, carregador de celular por indução, faróis de LED com acendimento automático, retrovisores com desembaçador, freio de estacionamento elétrico com Auto Hold, roteador de Wi-Fi, comandos remotos por aplicativo e câmera de 360º na configuração de cinco lugares.
Os pontos fracos são conhecidos e continuam nos exemplares usados: não há limpador no vidro traseiro, não há estepe, os alto-falantes ficam só na dianteira e o porta-malas não tem tampão. Nada disso impediu o Dolphin Mini de se tornar o carro elétrico mais vendido do Brasil com ampla margem.
No Mercado Livre, o BYD Dolphin Mini GS5 aparece a partir de R$ 101.900.
2. BYD Dolphin GS: a partir de R$ 104.999
BYD Dolphin GS traz a maior tela da família, de 12,8″ e giratória, e o porta-malas mais generoso da seleção
Renato Durães/Autoesporte
Um degrau acima do Mini na gama da BYD, o Dolphin é vendido em duas configurações no Brasil, e a GS é a de acesso.
A distinção entre elas é que o Dolphin GS — de longe a mais emplacada — usa bateria Blade de 44,9 kWh e motor de 95 cv, com 18,4 kgfm de torque, para 291 km de autonomia pelo Inmetro. A Plus troca o conjunto por um motor de 204 cv e bateria de 60,5 kWh, sobe para 330 km de alcance homologados e acrescenta teto panorâmico, bancos esportivos de material vegano que imita couro, câmera de 360º e pacote de assistentes de condução. Se a proposta é uso urbano com custo por quilômetro baixo, a GS entrega o essencial por bem menos.
O carro tem 4,29 m de comprimento e entre-eixos de 2,70 m, o mais generoso entre os quatro, com piso traseiro plano — herança da e-Platform 3.0, que acomoda a bateria na estrutura. O porta-malas leva 345 l, o maior desta lista, e chega a 1.310 l com o banco traseiro rebatido na proporção de 60:40. O peso é de 1.405 kg e os pneus são 195/60 R16.
A recarga em corrente alternada é de até 6,6 kW, com a corrente contínua chegando ao pico de 60 kW que rende a etapa de 30% a 80% de recarregamento em cerca de 30 minutos. A prova de 0 a 100 km/h é cumprida em 10,9 s – teste da Autoesporte – e a velocidade máxima é de 160 km/h.
Por dentro, o destaque é a tela rotativa de 12,8″, a maior da família Dolphin, acompanhada de quadro de instrumentos digital de 5″. A conectividade cobre Android Auto e Apple CarPlay, aqui na versão com cabo — a conexão sem fio só apareceu na reestilização que deu origem ao Dolphin SE, mais recente.
Os itens de conforto incluem ar-condicionado automático, chave presencial, bancos revestidos de material sintético com ajuste elétrico para o motorista, carregador por indução, retrovisores elétricos com aquecimento, seis airbags, câmera e sensores de ré e controle de cruzeiro.
Há ainda a função de alimentação externa (V2L), que permite ligar equipamentos na tomada do carro: é a curiosidade mais prática do conjunto, porque transforma o Dolphin em gerador improvisado em churrasco de fim de semana ou em queda de energia.
No Mercado Livre, o BYD Dolphin GS pode ser negociado a partir de R$ 104.999.
3. GWM Ora 03 Skin: a partir de R$ 109.990
GWM Ora 03 tem a maior bateria e a menor autonomia do grupo, além de sete airbags e reconhecimento facial
Divulgação
Se a conversa for desempenho, a disputa acaba aqui: o GWM Ora 03 Skin tem motor elétrico dianteiro de 171 cv e 25,5 kgfm, cumpre o teste de 0 a 100 km/h em 8,2 s, de acordo com a marca, e atinge 160 km/h — números de hatch esportivo em um carro que a GWM vende como urbano premium. O câmbio é de uma marcha e a tração, dianteira.
O paradoxo aparece na etiqueta, dado que a bateria de 48 kWh é a maior desta seleção, e ainda assim a autonomia homologada pelo Inmetro é a menor: 232 km, com consumo declarado de 17,6 kWh a cada 100 km. A explicação está na balança — são 1.570 kg, quase 300 kg mais que o Dolphin GS — e nos pneus 215/50 R18, largos para a proposta.
A versão GT, acima da Skin, usa bateria de 63 kWh e chega perto dos 300 km. Na recarga, a variante Skin aceita até 64 kW em corrente contínua, cumprindo a etapa de 30% a 80% em cerca de 30 minutos; em corrente alternada, a carga de 10% a 80% leva de três a cinco horas.
O que sustenta o preço é o conteúdo: são sete airbags, e o Ora 03 foi o primeiro da categoria a trazer o airbag central, entre os bancos dianteiros. O pacote de assistência à condução tem certificação de nível 2 e reúne ACC (controle de cruzeiro adaptativo) com função de parar e retomar (útil em engarrafamentos), frenagem automática de emergência com reconhecimento de pedestres, ciclistas e motos, alerta e centralização de faixa, assistente de descida, mitigação de segunda colisão e o curioso Smart Cornering, que reduz a velocidade sozinho conforme o ângulo da curva.
São cinco câmeras, dois radares e quatro sensores traseiros, com visão de 360º em nove modos de exibição.
A cabine é o ponto forte: duas telas integradas de 10,25″ cada, uma para o quadro de instrumentos e outra para a central multimídia, com processador Qualcomm Snapdragon, Apple CarPlay e Android Auto sem fio conectados por Bluetooth, som com seis alto-falantes e portas USB iluminadas.
Somam-se bancos revestidos de couro, chave presencial, sensor de chuva, retrovisores com rebatimento elétrico, faróis e lanternas full-LED e reconhecimento facial do motorista, item que praticamente não existe nessa faixa de preço. As linhas 2025 e posteriores acrescentaram estepe, aplicativo My GWM e teto solar de série na Skin.
A conta a fazer é o espaço: com 4,24 m de comprimento e entre-eixos de 2,65 m, o Ora 03 é o maior da lista por fora, mas o porta-malas de 228 l é o menor de todos, abaixo mesmo do Dolphin Mini. Rebatendo o banco traseiro, o volume vai a 858 l.
No Mercado Livre, o GWM Ora 03 Skin tem anúncios a partir de R$ 109.990.
4. Geely EX2 Pro: a partir de R$ 116.372
Geely EX2 é o único da lista com tração traseira e porta-malas dianteiro, mas chegou ao Brasil sem CarPlay e Android Auto
Renato Durães/Autoesporte
O Geely EX2 chegou ao mercado brasileiro em 6 de novembro de 2025, o que significa que praticamente não existe unidade rodada à venda: os anúncios são de carros com poucos meses de uso e quilometragem de vitrine, muitas vezes vindos de frotas de test-drive ou de revenda rápida.
Quem compra usado aqui está comprando, na prática, um seminovo com garantia de fábrica quase intacta. Pode ser uma saída prática, pois o EX2 ainda vem importado da China e os lotes se esgotam rápido, gerando longas filas de espera por unidades novas. É situação que deve mudar no final do ano, quando o hatch será produzido na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR).
A ficha explica a atenção que o modelo despertou, já que o EX2 é o único do segmento com tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas — o motor de 116 cv e 15,2 kgfm fica no eixo de trás, o que muda o comportamento em curva e libera espaço na dianteira. Com 4,13 m de comprimento e entre-eixos de 2,65 m, ele pesa 1.300 kg e acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 s – na medição da Autoesporte.
A bateria de lítio-ferro-fosfato tem 39,4 kWh e rende 289 km de autonomia pelo ciclo do Inmetro, praticamente o mesmo do Dolphin GS com um pacote menor de células. A recarga em corrente alternada é de 7,4 kW (a maior desta lista) e a Geely anuncia a etapa de 30% a 80% em cerca de 20 minutos em estação de corrente contínua.
O porta-malas tem 375 le vai a 1.320 l com o banco traseiro rebatido, mas o truque está na frente: um compartimento dianteiro (frunk) de 70 l, exclusividade do grupo e prato cheio para quem carrega cabos de recarga sem sujar a bagagem.
Na cabine, a versão Pro traz central multimídia com tela de 14,6″ (a maior da seleção) e quadro de instrumentos digital de 8,8″. E aqui vem o item importante: o EX2 foi lançado sem Apple CarPlay e sem Android Auto, apenas com o sistema de espelhamento próprio CarbitLink, o que virou a crítica mais repetida ao modelo.
A Geely liberou a integração gratuitamente a partir de 27 de fevereiro de 2026, mas o carro não aceita atualização pela internet: é preciso agendar e levar o exemplar a uma concessionária autorizada, em um procedimento de cerca de 15 minutos. Antes de fechar negócio, pergunte ao vendedor se aquela unidade já passou pelo processo.
Ainda de série no EX2 Pro estão seis airbags, partida e entrada sem chave, rodas de 15″ com pneus 205/65, câmera de ré, banco do motorista com ajuste manual de seis vias, controle de cruzeiro, som com quatro alto-falantes, duas portas USB dianteiras e uma traseira.
A versão Max, acima dela, acrescenta rodas de 16″, teto pintado de preto, luz ambiente com 256 cores, banco do motorista com ajuste elétrico, carregador por indução, som com seis alto-falantes, câmera panorâmica de 540º e o pacote de assistentes que inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem automática de emergência (AEB) e alerta de mudança de faixa (LCWS).
No Mercado Livre, o Geely EX2 Pro tem anúncios a partir de R$ 116.372.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Mais Lidas
Nota de transparência: Autoesporte mantém uma parceria comercial com lojas parceiras. Ao clicar no link da varejista, Autoesporte pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação. Os preços mencionados podem sofrer variação e a disponibilidade dos produtos está sujeita aos estoques. Os valores indicados no texto são referentes a agosto de 2026. ——– Fonte: Read More

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nós usamos cookies para lhe oferecer uma experiência melhor de navegação. Você concorda com a utilização de cookies?