GAC GS3 e Mitsubishi Eclipse Cross: compare os SUVs com motor 1.5 turbo


No segmento de SUVs médios, há dois modelos com características técnicas semelhantes e preço exatamente igual, porém de origens bem distintas: são o Mitsubishi Eclipse Cross e o GAC GS3. O primeiro parte de R$ 159.990, na versão de entrada Rush, enquanto o segundo chega a esse mesmo valor, na configuração top de linha Elite. Quanto à propulsão, ambos se mantêm à margem das tecnologias de eletrificação e trazem motores 1.5 turbo sob o capô.
Design do Mitsubishi Eclipse Cross já não está mais na vanguarda, mas envelheceu bem
Divulgação/Mitsubishi
Viu como esses dois têm muito em comum? Pois confira, a seguir, em quais outros pontos o Mitsubishi Eclipse Cross e o GAC GS3 se assemelham e também os aspectos em que eles se diferenciam: afinal, nem tudo entre esses SUVs diz respeito a semelhanças. De um lado, um modelo de marca japonesa, mais tradicional, e de outro, um concorrente chinês não tão conhecido, porém promissor.
Lançado em 2018 e reestilizado em 2022, o Eclipse Cross já é bem conhecido pelo consumidor. Desde 2019, ele é montado em Catalão (GO) pela HPE Motors, representante de longa data da Mitsubishi no país. Por sua vez, o GS3 ainda é um novato, que chegou ao Brasil no último mês de março. Por enquanto, esse modelo ainda é importado da China, mas passará a ser montado em esquema CKD (sigla para o termo Completely Knocked Down) em… Catalão, na mesmíssima fábrica da HPE, que fechou uma parceria também com a GAC.
Design e dimensões
GAC GS3 tem 4,41 metros de comprimento e 2,65 m de distância entre eixos
Divulgação
Apesar da idade, mais avançada, o Mitsubishi Eclipse Cross ainda faz boa figura. Isso, graças ao design até hoje característico, com uma dianteira enflechada e uma traseira com vidro bastante inclinado. Na época do lançamento, o modelo dividiu opiniões, mas os elementos mais polêmicos, que eram as lanternas elevadas e o vidro bipartido, foram suprimidos em uma reestilização adotada na linha 2023. Ainda que tenha ficado mais convencional, não dá para negar que o SUV envelheceu muito bem.
Porta-malas do GAC GS3 tem apenas 341 litros de capacidade
Divulgação
Essas linhas moldam uma carroceria de 4,54 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,68 m de altura e 2,67 m de distância entre eixos, medidas típicas de SUV médio. Consequentemente, a bordo, os ocupantes desfrutam de bom espaço: no banco traseiro, dois adultos, mesmo de estatura mais elevada, se acomodam com folga, enquanto o porta-malas tem bons 473 litros de capacidade. Por outro lado, o painel tem um design convencional, sem qualquer ousadia, e exibe plástico duro, material presente também nas forrações das portas.
No Mitsubishi Eclipse Cross, são 4,54 m de comprimento e 2,67 m de distância entre eixos
Divulgação/Mitsubishi
Contudo, quando o assunto é design, a juventude do GS3 é evidente. Ao contrário de outras marcas chinesas, que têm lançado veículos de aspecto um tanto genérico, a GAC conseguiu dar identidade própria à gama de produtos. É verdade que não há grandes arroubos de ousadia nas linhas do SUV chinês, mas ele tem o mérito de exibir um visual agradável e contemporâneo sem perder a personalidade.
Bem maior, porta-malas do Mitsubishi Eclipse Cross tem 473 litros
Divulgação/Mitsubishi
Em porte, o GAC GS3 revela mais semelhanças com o Mitsubishi Eclipse Cross: as medidas externas variam pouco, com 4,41 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,60 m de altura e 2,65 m de distância entre eixos. Nele, também há bastante espaço para as pernas dos passageiros do banco traseiro, com a vantagem adicional do assoalho traseiro plano, inexistente no concorrente, que aumenta o conforto para um quinto ocupante. No entanto, o porta-malas é bem menor, com apenas 341 l de volume. Já o acabamento emprega materiais emborrachados nas portas e na porção superior do painel, que, tal qual a carroceria, tem linhas atuais.
Consumo e desempenho
GAC GS3 tem motor 1.5 turbo de 170 cv
Divulgação
No Mitsubishi Eclipse Cross, o motor 1.5 turbo com injeção direta e indireta desenvolve 165 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. Acoplado a ele, há um câmbio do tipo CVT, capaz de simular oito marchas. Existem versões com tração integral, mas, na Rush, apenas as rodas dianteiras são motrizes. Esse conjunto levou o SUV da imobilidade aos 100 km/h em 9,7 segundos em um teste realizado pela Autoesporte em 2021. E olha que ele não é leve: são 1.570 kg de peso.
Em toda a gama, a suspensão traseira é independente, do tipo multilink. Essa arquitetura permite uma boa dirigibilidade, cujo destaque é o compromisso entre a estabilidade em curvas e a suavidade ao rodar: o Eclipse Cross não é excepcional em nenhum desses aspectos, mas vai bem em ambos. Os dados atualizados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, informam consumo de 10,3 km/l em percursos urbanos e de 11,3 km/l em trajetos rodoviários, sempre com gasolina, pois, apesar do tempo em que está no mercado, o SUV nunca recebeu sistema flex.
Toda a gama do Mitsubishi Eclipse Cross emprega o mesmo motor 1.5 turbo, de 165 cv
André Paixão/Autoesporte
Por sua vez, o motor 1.5 turbo com injeção direta do GAC GS3 desenvolve potência um pouquinho maior, de 170 cv, e os mesmos 25,5 kgfm de torque. A grande diferença está no câmbio, que é automatizado, com duas embreagens banhadas a óleo, e sete marchas. O fabricante informa uma aceleração de zero a 100 km/h em apenas 8,1 s, mas tal número ainda não pôde ser confirmado em por aferição realizada pela Autoesporte; o peso, que também é de 1.570 kg, não sugere um tempo tão mais baixo em relação ao do concorrente.
O conjunto suspensivo do GAC GS3 emprega sistema mais simples, por eixo de torção, no eixo traseiro. Graças a uma calibragem mais firme, o SUV exibe boa estabilidade em curvas, mas tal solução compromete o conforto de marcha, fazendo com que os ocupantes sintam com mais intensidade as imperfeições da pavimentação. No consumo, as semelhanças com o concorrente voltam a aparecer: o PBEV informa médias de 10,2 km/l na cidade e de 11,6 km/l na estrada, novamente com a gasolina como única opção.
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Equipamentos
No GAC GS3, há duas telas: uma de 14,6 polegadas para a central multimídia e outra, de 7 polegadas, para os instrumentos
Divulgação
Quanto aos equipamentos, o Mitsubishi Eclipse Cross traz de série, na versão Rush, um pacote enxuto, que inclui central multimídia com tela de 10,2 polegadas, conectividade sem fio com as plataformas Android Auto e Apple CarPlay e câmera de ré, ar-condicionado digital, monitoramento de pressão dos pneus, rodas de liga leve de 18 polegadas e sete airbags (frontais, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista).
No GAC GS3 Elite, há, além de todos os equipamentos presentes no concorrente, uma central multimídia com tela maior, de 14,6 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, e outra tela, de 7 polegadas, para os instrumentos.
Painel do Mitsubishi Eclipse Cross Rush traz instrumentos analógicos e central multimídia com tela de 10,2 polegadas
Divulgação/Mitsubishi
O SUV chinês deixa de fora o airbag para joelhos, com um total de seis bolsas, mas traz bancos revestidos em material que imita couro e chave presencial. Há ainda um pacote de assistentes à condução formado por controlador adaptativo da velocidade de cruzeiro, alerta de ponto cego, monitoramento de tráfego cruzado, alerta de permanência em faixa e frenagem de emergência.
Veredito
Por R$ 159.990, o GAC GS3 Elite é o melhor negócio. Além do projeto mais moderno, ele entrega acabamento mais caprichado e, principalmente, pacote de equipamentos consideravelmente mais amplo. Cabe destacar que o Mitsubishi Eclipse Cross Rush supera o concorrente em aspectos relevantes, como a capacidade do porta-malas e a qualidade de rodagem.
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