
O segmento dos SUVs grandes de sete lugares está passando por uma transformação. Os veteranos Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer agora precisam lidar com o concorrente chinês GWM Haval H9 que, em pouco tempo, assumiu a liderança da categoria. No ano que vem, o Mitsubishi Pajero retornará em sua nova geração, maior e mais moderna.
Em 2027, também teremos o lançamento da próxima geração do Toyota SW4, que será produzido em Zárate (Argentina) sobre a base da Hilux totalmente renovada. Porém, enquanto este novo modelo não faz sua estreia, a geração atual do SUV de sete lugares segue em linha, mesmo sentindo — e muito — o peso da idade.
Partindo disso, Autoesporte selecionou cinco características positivas sobre o Toyota SW4 SRX Platinum (R$ 424.590) e outras cinco que expõem como este SUV está defasado, ainda mais após a chegada do GWM Haval H9 Exclusive (R$ 335 mil). Afinal, ainda vale comprar este carro ou é melhor esperar o lançamento da próxima geração? Ao fim deste texto, você saberá a resposta.
Toyota SW4 Platinum: 5 motivos para comprar
1°) Desempenho
Apesar da idade, Toyota SW4 Platinum mostra que ainda tem muito fôlego
Renato Durães/Autoesporte
O SW4 tem motor 2.8 turbodiesel de 204 cv de potência e 50,9 kgfm de torque, câmbio automático de seis marchas e tração 4×4, todos compartilhados com a Hilux. Se você busca um carro ágil nesta categoria, o SUV japonês mostra que ainda tem fôlego, apesar da idade.
No teste realizado por Autoesporte no Rota 127 Campo de Provas, o SW4 levou 11,1 segundos para ir de zero a 100 km/h, contra 12,2 s do Haval H9, cujo motor 2.4 turbodiesel entrega 184 cv e 48,9 kgfm, com a caixa automática de nove marchas e tração nas quatro rodas.
Motor 2.8 turbodiesel continuará sendo oferecido no Toyota SW4 quando a próxima geração for lançada
Renato Durães/Autoesporte
Neste comparativo, o SW4 também se mostrou mais disposto nos testes de retomada: precisou de 5,9 s para acelerar de 60 a 100 km/h, contra 6,8 s do concorrente chinês; já no teste de 80 a 120 km/h, o Toyota cumpriu a tarefa em 7,3 s, contra longos 9,1 s do GWM.
Nota-se que o câmbio de seis marchas do Toyota SW4 é reativo e não demora para executar reduções, o que ajuda a enfrentar subidas na cidade e ultrapassagens na estrada. Inclusive, a vocação do SUV japonês para encarar rodovias se faz evidente também no silêncio na cabine, pois o motor 2.8 turbodiesel nem aparenta estar ligado em velocidade de cruzeiro, na sexta marcha, a 120 km/h.
2°) Consumo
Toyota SW4 Platinum tem consumo melhor que o do GWM Haval H9
Renato Durães/Autoesporte
Por falar na vocação para rodar na estrada, embora a transmissão com menos degraus entre as relações do H9 seja, teoricamente, mais apropriada para o consumo de combustível, o Toyota SW4 é mais econômico que o rival chinês.
O Toyota SW4 fez 9,6 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada, contra 9 km/l em circuito urbano e 11,5 km/l em trajeto rodoviário do rival. Os números superiores do motor e os 350 kg a menos de peso certamente jogam a favor do Toyota.
3°) Porte ideal
Toyota SW4 não chega a ser um “trambolho” difícil de encaixar na vaga do shopping
Renato Durães/Autoesporte
Os SUVs cresceram ao longo das últimas décadas, mas as vagas de estacionamento não — pelo contrário! Até condomínios de alto padrão já possuem espaços cada vez mais apertados e as temidas vagas compartilhadas, nas quais um carro bloqueia o outro. Mesmo com o porte avantajado, o SW4 está no limite da praticidade.
As dimensões do SUV japonês são 4,79 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,83 m de altura e 2,74 m de entre-eixos. Portanto, não é um SUV tão largo, pois os painéis da porta aparentam ter sido “comprimidos” para melhorar o espaço na cabine sem torná-lo um grandalhão.
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Encontrar vagas em supermercados e shoppings segue sendo um desafio, mas é uma tarefa bem mais fácil do que com o H9, que ostenta 4,95 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,93 m de altura e 2,85 m de distância entre-eixos. No caso do SUV chinês, o motorista terá de, frequentemente, se esgueirar em outros carros para desembarcar.
Quem viaja na última fileira do Toyota SW4 sofrerá por conta do pouco espaço e do assoalho elevado
Renato Durães/Autoesporte
4°) Revisões em conta
Em nosso comparativo, o Toyota SW4 tem os melhores preços de revisões. Os donos do SUV japonês irão gastar R$ 7.314 nas oficinas até completar 60 mil km, mas este mesmo cronograma pode chegar a R$ 10.435 no GWM Haval H9. Trata-se de uma diferença significativa que pode pesar no bolso.
As visitas à oficina devem ocorrer no período de tempo de um ano ou ao atingir 10 mil km rodados (o que ocorrer primeiro). O site da Toyota disponibiliza uma tabela com todos os itens que serão trocados ou inspecionados.
5°) Garantia chega a 10 anos
Por fim, o último ponto positivo que temos a destacar no Toyota SW4 é o plano de garantia que pode chegar a 10 anos. Funciona da seguinte forma: ao adquirir o SUV, o proprietário poderá usufruir dos 5 anos de garantia de fábrica sem limite de quilometragem. É a chamada “cobertura básica” — atrelada ao cronograma de revisões programadas que devem ser feitas nas concessionárias.
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Ao atingir os 5 anos da data de compra do veículo, passam a valer as condições que podem estender a garantia em outros 5 anos. Esta passa a ser renovada a cada 12 meses ou 10 mil km rodados, impondo os limites de quilometragem e tempo citados acima. Se excedê-los, o cliente perde o benefício.
Vale lembrar que o Toyota 10 é diferente do programa de revalidação de garantia. Este atende clientes que deixaram de fazer até duas revisões durante a cobertura básica de 5 anos. Nesse caso, é preciso fazer uma avaliação na concessionária, e, se necessário, realizar o serviço para que a cobertura seja retomada.
Toyota SW4 Platinum: 5 razões para pensar bem antes de comprar
1°) Frenagem
Toyota SW4 não foi bem em todos os aspectos dinâmicos. A frenagem, por exemplo, deixa a desejar
Renato Durães/Autoesporte
Se o desempenho do Toyota SW4 supera o do GWM Haval H9 nas acelerações e retomadas, dinamicamente, o SUV japonês deixou a desejar na frenagem. Quando cravei o pé no freio a 100 km/h, o GWM, que tem pneus Kumho, percorreu 40,5 m até parar por completo, contra 47,2 m do SW4, vendido com pneus Bridgestone.
Nesse ponto, o SW4 não fez valer a teórica vantagem dos freios a discos ventilados nas quatro rodas, ainda que passe a sensação de ter respostas mais diretas no pedal em comparação com o concorrente chinês. A aderência dos pneus e a idade do projeto podem explicar o resultado.
2°) Comportamento dinâmico
Volante duro e suspensão que “pula” fazem parte do cotidiano dos donos do Toyota SW4 Platinum
Renato Durães/Autoesporte
Outra característica que expõe a defasagem do Toyota SW4 é sua condução e isso fica evidente em diversos aspectos. A direção é hidráulica, o que torna o volante demasiadamente duro e inflexível para os padrões atuais, especialmente ao manobrar.
O comportamento dinâmico de “SUV raiz” pode ser incômodo se você morar numa região esburacada. Ao transitar por ruas castigadas ou onduladas, sente-se a carroceria chacoalhar sobre as longarinas por conta do acerto molenga da suspensão. Ao encarar lombadas, falta rigidez para conter as oscilações que causam o efeito gangorra.
É claro que essas características são inerentes de um SUV montado no arranjo de chassi sobre longarina, mas, neste aspecto, o GWM Haval H9 está mais para “automóvel”, enquanto o Toyota SW4 e até o Chevrolet Trailblazer se assemelham a picapes.
3°) Bancos suspensos na terceira fileira
Os bancs do Toyota SW4 Platinum não se escondem sobre o assoalho como no GWM Haval H9
Renato Durães/Autoesporte
A terceira fileira do Toyota SW4 tem bancos que ficam suspensos quando não estão em uso, o que significa que roubam muito do espaço disponível para bagagens. Senti isso na prática ao posicionar o carrinho de bebê do meu filho junto de outras malas. Embora os 500 litros sejam honestos, o compartimento seria mais generoso se os bancos ficassem rebatidos abaixo do assoalho.
E sabe qual carro rebate os bancos desta forma? O GWM Haval H9. É o que explica os 791 litros disponíveis quando a última fileira não está em uso. Mas aqui existe uma pegadinha, pois a Toyota faz a medição compartimento em VDA, enquanto a GWM utiliza uma medida virtual em litros d’água.
4°) Acabamento
Toyota SW4 Platinum está aquém do que a categoria (e o preço) oferecem quando o assunto é a qualidade do acabamento
Renato Durães/Autoesporte
Acessar a cabine do Toyota SW4 é uma viagem no tempo. Relógio digital, botões giratórios, pouca variedade de materiais e o formato horizontalizado nos levam a outra década. Ao acender os faróis, dá até para ouvir o acionamento do relê eletrônico num estalo seco. Os botões que controlam a ventilação dos bancos são deslizantes, como nos carros da década de 2000.
Mostradores digitais do Toyota SW4 Platinum 2026 têm aparência simplória
Renato Durães/Autoesporte
Há muito plástico de qualidade mediana e poucas inserções de outros materiais. A aparência geral da cabine é simples, tornando uma surpresa o fato deste SUV de 7 lugares custar a bagatela de R$ 424.590. O Toyota SW4 não clama por uma renovação — ele implora.
5°) Pacote de equipamentos
Toyota SW4 Platinum peca pela simplicidade excessiva do sistema, que não vai além do que oferece um carro de entrada
Renato Durães/Autoesporte
O que corrobora à sensação espartana é o pacote de equipamentos igualmente simplório. O SW4 tem central de 9 polegadas que até oferece pareamento sem fio, mas a Toyota não se preocupou em incrementar o sistema para muito além do espelhamento.
O menu traz um modesto computador de bordo e configurações de áudio — e só. Ao engatar a ré, a qualidade da câmera traseira (ponto forte no Haval, vale dizer) lembra uma webcam antiga. Acima da multimídia fica um relógio digital que traz o frescor dos anos 1990.
Painel de instrumentos é simples e ultrapassado no Toyota SW4 Platinum 2026
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À frente do motorista, o painel de instrumentos analógico tem uma pequena tela de 4,9’’. No GWM Haval H9, a instrumentação totalmente digital ostenta 10,2’’ numa tela configurável e ampla. No pacote Adas, embora tenha controle de cruzeiro adaptativo e sensores de ponto cego, o SUV japonês fica devendo o assistente de permanência em faixa que faz a centralização.
Após abordarmos todos os tópicos sobre o SW4, está claro que o SUV precisa ser revitalizado para se manter competitivo. A chegada da concorrência chinesa só expôs a urgência por uma atualização. Felizmente, ela ocorrerá em 2027, quando a nova geração do Toyota SW4 começar a ser produzida em Zárate (Argentina). Até lá, é melhor apostar no H9.
Toyota SW4 SRX Platinum – Teste em pista
Toyota SW4 SRX Platinum – Ficha técnica
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