
A Inteligência Artificial está se tornando parte indissociável da sociedade. E numa velocidade mais rápida do que qualquer fase das inúmeras revoluções industriais. Nem mesmo a troca de processos humanos por máquinas no setor automotivo foi tão rápida. E com discussões sobre regulamentação, redução da velocidade do desenvolvimento e até proibição, uma outra questão se mostra mais urgente: a perda de empregos humanos para máquinas que usam IA para executar a mesma função.
O tema foi assunto do painel de abertura do 3º Summit Futuro da Mobilidade, organizado por Autoesporte e Valor. De acordo com um estudo do Fórum Econômico Mundial, até 2030, o saldo de vagas diretamente influenciadas pela IA será positivo. O órgão estima que 92 milhões de pessoas vão perder seus postos, contra 170 milhões de novas oportunidades criadas pela tecnologia.
3ª edição do Summit Futuro da Mobilidade 2026
Felipe Viana/Autoesporte
Para Tania Cosentino, conselheira da WEG e ex-presidente da Microsoft no Brasil, o olhar não deve ser direcionado apenas para o balanço, mas também para o período em que isso vai acontecer, e como essas pessoas poderão ser inseridas novamente no mercado de trabalho.
“Com toda essa mobilidade vão desaparecer cerca de 100 milhões de empregos e criar 170 milhões num intervalo de 5 anos”. Para a executiva, a mudança acontece de forma muito mais rápida do que quando a indústria automobilística trocou homens por robôs, décadas atrás.
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Robo humanoide apresentado pela Xpeng
VCG/VCG via Getty Images
“Eu vi a evolução do chão de fábrica, eu conheci a indústria automotiva antes dos robôs, com segurança bastante precária, e eu vi a evolução na linha de produção. Só que a entrada da automação levou mais de 30 anos, quase 40 anos. Então a gente teve tempo para recapacitar aquelas pessoas do chão de fábrica que iam deixar aquele trabalho. Aqueles empregos foram eliminados, mas nós tivemos tempo para recapacitar essas pessoas. E o que a gente não tem hoje é tempo”.
Ainda que parte dos profissionais consiga se recolocar em outros postos, o curto período de requalificação desses trabalhadores pode gerar, sim, uma crise trabalhista. Cinco anos, por exemplo, é muitas vezes o tempo mínimo necessário para que alguém possa fazer uma nova graduação. Ou concluir uma especialização. De todo modo, para eventuais novas vagas que exigem experiência, ainda é pouco tempo.
É exatamente pensando nas pessoas que Tania traz uma reflexão sobre o papel das empresas nessa transformação. “Eu vejo esse mercado de inteligência artificial com otimismo, mas nós precisamos agir agora. E aí é setor privado com setor público e academia criando cursos e preparando essa mão de obra do futuro. Mas nós temos, sobretudo, uma obrigação de recapacitar a nossa força de trabalho”.
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