Achado usado: Volkswagen Gol GT é raro e tem preço de Tera novo


Os anos 1980 foram uma verdadeira época de ouro para os carros esportivos no Brasil. Com as importações proibidas, as montadoras nacionais apostavam na criatividade para criar modelos que marcaram época. E o Volkswagen Gol GT é um desses modelos que fez parte do imaginário de muita gente.
Lançado em abril de 1984, foi o responsável por transformar o Gol em um verdadeiro sucesso de vendas, inaugurando a linhagem de esportivos compactos icônicos da marca (sucedido depois por GTS e GTI).
Autoesporte encontrou à venda um dos primeiros exemplares de Gol GT 1984, completamente preservado nesses 42 anos de existência. Com alegados 100 mil km rodados e excelente estado de conservação, o hatch anunciado em Santa Rita do Sapucaí (MG) é um daqueles clássicos que dá vontade de colocar na sala da casa.
Volkswagen Gol GT teve, em 1985, câmbio manual de quatro marchas sbustituído por um de cinco
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Em mais de quatro décadas, este Gol GT só passou pelas mãos de três donos. O último é o piloto da Força Aérea Brasileira (FAB), Diego Almeida. Segundo o proprietário, o GT está há quatro anos com ele e, nesse período, não precisou fazer nada, fora as manutenções preventivas. Além do Volkswagen, Almeida também é dono de um belíssimo Ford Escort XR3 1988, que também está à venda.
“Fora o Gol e o Escort, ainda tenho outros carros antigos e neoclássicos, e só estou vendendo alguns deles para aquisição de imóvel”, confessa o antigomobilista.
Quanto ao GT, a apresentação dispensa comentários. O belo conjunto óptico original, complementado pelos faróis auxiliares e de milha, funciona perfeitamente e é a cara dos anos 1980. Outro detalhe nostálgico é o adesivo da versão colado no vidro traseiro, emoldurado pelas colunas com acabamento preto fosco.
Capacidade do porta-malas do Volkswagen Gol GT é de 273 litros
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Por dentro, os bancos da Recaro, o painel com grafismos vermelhos e demais detalhes que dão o toque diferenciado nos instigam a pedir ao dono para fazer um test drive, ainda que seja apenas no quarteirão. É difícil encontrar um exemplar nessas condições, mas, como tudo na vida, não há almoço grátis.
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Assim, os que estiverem dispostos a pagar os R$ 120 mil, pouco menos que um Volkswagen Tera TSI novo, poderão colocar na coleção, talvez um dos GT mais novos da história.
Gol GT foi criado para desafiar o Escort XR3
Volkswagen Gol GT contava com faróis de milha
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Lançado em 1980, o Volkswagen Gol chegou ao mercado com uma missão importante: ocupar o espaço deixado por modelos como Fusca e Brasília. O sucesso, porém, não foi imediato. Mais caro que o Fusca, o hatch só assumiria a liderança do mercado brasileiro em 1987, já com a primeira grande reestilização.
Antes disso, porém, a Volkswagen percebeu que havia espaço para uma versão capaz de conquistar um público mais jovem. Foi assim que surgiu, em 1984, o GT (Gran Turismo), um dos esportivos nacionais mais desejados dos anos 1980. E seu principal alvo era o Ford Escort XR3, lançado no fim de 1983.
A receita da marca alemã era simples e eficiente. Medindo 3,84 metros de comprimento, 1,60 m de largura e 2,35 m de distância entre-eixos, a carroceria de linhas inspiradas no Scirocco entregava um visual agressivo, embora cobrasse seu preço no espaço para os passageiros traseiros.
Volkswagen Gol GT tinha, no espaço traseiro, bancos de tecido e espaço para duas pessoas
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Por conta da altura de 1,37 m, o teto baixo limitava o conforto de quem viaja atrás, enquanto o estepe, instalado no porta-malas após a adoção do motor com refrigeração líquida, também compromete parte da capacidade do porta-malas, de 273 litros.
Para o público do GT, no entanto, esses detalhes ficavam em segundo plano. O que realmente importava estava debaixo do capô.
Motor do Santana era diferencial
Volkswagen Gol GT era mais rápido que o rival Ford Escort XR3
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Para transformar o Gol em um esportivo (para os padrões da época), a Volkswagen recorreu ao motor MD-280 da linha Santana, mas com o comando de válvulas do Golf GTI europeu. Movido a álcool, o propulsor entregava 99 cv a 5.400 rpm e dava ao compacto um desempenho bastante respeitável para a época.
Com peso relativamente baixo de 900 kg, acelerava de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e alcançava a velocidade final de 180 km/h.
O Escort XR3, equipado com o motor CHT, ficava atrás. O propulsor de origem Renault, evoluído a partir do conjunto usado no Corcel, entregava 81,7 cv a 5.600 rpm. Com isso, o Ford precisava de 13,5 segundos para chegar aos 100 km/h.
Visual entregava a proposta esportiva
Volkswagen Gol GT chegou a assumir a liderança do mercado brasileiro
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O ronco encorpado do escapamento com duas saídas era uma de suas marcas registradas, enquanto o conta-giros com grafia esportiva reforçava a sensação de estar ao volante de um carro especial.
As rodas de 14 polegadas, calçadas com pneus 185/60 R14 H, ajudavam a completar o conjunto. O visual ainda incluía spoiler dianteiro, persianas nas colunas das portas, inscrição GT nas laterais, faróis de milha e grade pintada na cor da carroceria.
Por dentro, a receita seguia a mesma fórmula. Bancos Recaro, volante esportivo e instrumentos com grafia vermelha davam ao interior o ambiente que se esperava de um esportivo dos anos 1980.
Entre-eixos do Volkswagen Gol GT mede 2,35 m
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Bem eclético, o catálogo de tons do Gol era bastante variado, contando com o Branco Nepal (considerado hoje uma das cores mais raras), além dos clássicos Preto Especial e Vermelho Royal, igual ao do exemplar das fotos. Passando para os metálicos, havia o Preto Ônix, Cinza Plus, Cinza Prata e Bege Flash (conhecido também como bege metálico/champanhe).
Na prática, o GT era superior em muitos pontos, exatamente o que a Volkswagen queria para enfrentar o XR3. Mas isso não impedia a marca de trazer mais mudanças na receita.
Por isso, em 1985, adotou a família de motores AP-800 S (ou 1.8 S), com bielas mais longas e funcionamento mais suave, reduzindo as vibrações e melhorando o rendimento. Nessa fase, foi trocado o câmbio manual de quatro marchas pelo de cinco posições, melhorando o consumo, principalmente rodoviário. Fichas técnicas oficiais da época indicavam 6,8 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, diante dos 6,4 km/l e 10 km/l da antiga transmissão.
Velocímetro do Volkswagen Gol GT marcava até 190 km/h
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Ainda em 1985, foram introduzidas atualizações no painel de instrumentos, no volante esportivo, além de menores ajustes na padronagem dos revestimentos e tecidos dos exclusivos bancos Recaro.
O Volkswagen Gol GT ficou eternizado na história dos clássicos nacionais e é responsável por levantar a aura dos icônicos GTS e GTI, que hoje estão entre os modelos clássicos mais valorizados do Brasil.
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