Ford Escort Guarujá x Volkswagen Voyage GL: qual sedã 4 portas era melhor?


Automóveis de quatro portas são mais confortáveis e, principalmente, mais práticos. Isso não é nenhuma novidade. Mas, no Brasil, os duas portas sempre contaram com a preferência do consumidor. Nos últimos três anos, porém, os carros de quatro portas passaram a ter boa aceitação, o que pode ser entendido como um amadurecimento de mercado. Hoje são poucos os carros nacionais produzidos só com duas portas, e já existem até modelos produzidos só com quatro portas, caso da Quantum.
Essa tendência não passou despercebida das montadoras, pois já representa, atualmente, 12% do mercado total de automóveis — a previsão de vendas para 1992 é de 160 mil veículos. A Volkswagen, no ano-modelo 1991, voltou a produzir e vender o Voyage quatro portas no nosso mercado, antes apenas disponível para exportação para os EUA, com o nome Fox, e produzido também na Argentina como Gacel. E agora a Ford, aproveitando-se do acordo que permite o intercâmbio de veículos entre Brasil e Argentina sem taxas alfandegárias, está importando o Escort 1.8 quatro portas. Batizado de Guarujá, amplia a oferta do carro para seis opções.
O Guarujá se esforçava para ser uma espécie de XR3 de quatro portas
Autoesporte/Acervo MIAU
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O relançamento do Escort quatro portas levou Autoesporte a fazer um teste comparativo dele com o Voyage quatro portas. Um fato curioso é que o Escort tem 45% de seus componentes (motor, suspensão, transmissão, partes da carroceria etc.) feitos no Brasil e enviados para lá em regime CKD (para serem montados), enquanto o Voyage recebe partes da carroceria (as portas) feitas na Argentina. Podem ser chamados de carros binacionais.
O ângulo de abertura das portas traseiras do Voyage era insuficiente
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O Guarujá testado era o mais completo, incluindo rodas em liga leve e ar-condicionado, seus únicos opcionais. O Voyage GL, também com rodas em liga leve e ar-condicionado, dispõe do motor versão S, exatamente igual ao do Escort.
O preço maior do carro da Ford, Cr$ 5.964.163 contra Cr$ 5.435.689,00 da VW (valores do início de setembro), justifica-se por um melhor acabamento interno, qualidade do estofamento superior (os bancos dianteiros são do Ford Sierra argentino), vidros de acionamento elétrico, trava central das portas e porta-malas, painel com conta-giros, relógio digital e limpador e lavador do vidro traseiro. Estes itens influem no conforto dos ocupantes e não estão disponíveis no carro da Volkswagen. Mas não tem rádio (só alto-falantes e antena já instalados), enquanto o Voyage recebe um rádio/toca-fitas digital.
Instrumentação melhor no Ford, porém faltava um simples rádio
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O Escort ainda leva vantagem no espaço interno, principalmente no banco traseiro, além de um acesso melhor devido ao maior ângulo de abertura das portas. Com uma distância entreeixos levemente superior e o motor colocado transversalmente, o Escort possui banco traseiro quatro centímetros mais comprido no assento (46 contra 42 cm). É mais amplo no espaço para as pernas, além de ter 91 cm de altura do banco até o teto contra 87 do Voyage.
Na frente, apesar de uma pequena vantagem do Escort na largura da carroceria junto aos ombros (127 cm contra 125 do Voyage), eles praticamente se equivalem.
Painel sem conta-giros no VW, mas com ar-condicionado e rádio
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No estilo, o Escort também é melhor: bem mais moderno, com linha de cintura mais baixa e área envidraçada maior, que amplia a visibilidade para o motorista. O Voyage, graças à reestilização da linha 91, inclusive com a supressão dos quebra-ventos nas portas dianteiras, melhorou. Porém seu desenho já mostra o peso dos anos e se comparado ao Escort, não oferece um bom Cx (coeficiente de forma aerodinâmica). A colocação de um aerofólio na traseira (um tanto exagerado para um carro de quatro portas) deu ao Escort um ar esportivo e faz com que chame mais atenção.
No porta-malas a vantagem é do Voyage, com 460 litros contra 403 do Escort. Mas o carro da Ford, com quinta porta, permite que seja retirada a cobertura do porta-malas e o banco traseiro rebatido, ampliando bastante o volume de carga.
No Escort o famoso propulsor AP 1.8 era instalado em posição transversal
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Apesar da motorização ser exatamente a mesma, inclusive a potência líquida (92 cv), existem pequenas diferenças em função da colocação transversal do motor (Escort) e longitudinal (Voyage), devido ao desenho diferente dos coletores de escapamento. Assim, a potência máxima do Escort é a 5.200 rpm e o torque de 15,1 mkgf a 3.200 rpm. No Voyage, a potência máxima chega aos 5.400 rpm e o torque é de 14,7 mkgf a 2.800 rpm. Mas não são esses detalhes que fazem as diferenças de desempenho.
O clássico AP 1.8 equipava os dois carros, no VW em posição longitudinal
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Os câmbios (transversal e mais macio no Escort, longitudinal e mais preciso no Voyage) dispõem de relações finais semelhantes (rodas e pneus de mesmas dimensões nos dois carros), mas no da VW as marchas são mais curtas, o que, aliado ao menor peso (985 kg contra 1.005 kg do Escort), favorece as acelerações. Na velocidade máxima, porém, a melhor aerodinâmica do Escort torna a diferença muito grande a seu favor: 177 contra 167 km/h, média de quatro passagens.
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Porta-malas do VW era maior, mas no Ford dava para rebater o banco traseiro
Autoesporte/Acervo MIAU
A boa combinação de relação de marchas/peso/Cx permitiu que o Escort testado fosse também mais econômico do que o Voyage em qualquer situação: na cidade 11 contra 10 km/l; na estrada 14,8 contra 14 km/l, ambos em nossos circuitos-padrão.
O maior peso do Escort explica-se também pelo melhor isolamento acústico. Isto, aliado a um bom trabalho na suspensão feito na Argentina, principalmente na carga dos amortecedores pressurizados, torna-o mais silencioso e de melhor absorção das irregularidades do terreno do que o Voyage. Aliás, a suspensão do Guarujá mostrou-se melhor que a de seus irmãos e primos brasileiros, principalmente pela ausência das oscilações na dianteira.
O Guarujá vinha importado da Argentina, e o Voyage ainda era nacional
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Mas em altas velocidades, o Voyage mostrou-se mais firme. A carroceria não inclina tanto em curvas e, sem balanços exagerados, acaba transmitindo uma sensação de segurança maior. Quanto ao comportamento geral, ambos se equivalem: neutros, só apresentam leve tendência a desgarrar com a frente no limite, facilmente corrigível virando-se mais o volante ou aliviando o pé do acelerador.
Nos freios, apesar do Escort estar equipado com discos ventilados na dianteira, o Voyage não decepcionou. Ambos param o carro reto, em espaços normais e apresentam boa eficiência mesmo quando exigidos a partir de altas velocidades.
O Voyage ganhou novas lanternas traseiras na reestilização de 1991
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No final, o Escort supera o Voyage. Claro que o preço é maior, mas se forem computadas as diferenças ela torna-se aceitável, principalmente quanto ao acabamento. Além disso o Guarujá oferece o conforto de um carro quatro portas aliado ao aspecto e desempenho de um esportivo, itens bem próximos dos apresentados pelo Escort XR3, um carro que tem boa aceitação no mercado exatamente por essas características.
Resultados dos testes
Consumo (km/l)
Aceleração (s)
Retomada de Velocidade (s)
Velocidade Máxima (km/h)
Espaço de frenagem (m)
Ficha Técina
Ford Escort Guarujá
Volkswagen Voyage GL
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