
Na madrugada da última segunda-feira (15), uma mulher colidiu contra um poste em Balneário Camboriú (SC). Sua companhia, uma empresária de 40 anos que viajava no banco do carona, morreu no hospital; já a motorista, que havia abandonado o local, foi presa ao apresentar sinais de embriaguez.
Acidente com Porsche Macan no último dia 15 de dezembro
Reprodução/Polícia Militar de Santa Catarina
Na tarde de 30 de novembro, um carro atingiu outros veículos que aguardavam o sinal em uma movimentada avenida na zona Sul de São Paulo. Nenhuma informação sobre o causador do acidente foi revelada. O passageiro de um dos carros atingidos foi levado ao hospital.
Em 11 de outubro, um motorista não identificado perdeu o controle do carro na rodovia Luiz de Queiroz em Piracicaba (SP) e caiu em um barranco. Sobreviveu com escoriações e com a incômoda sensação de perda.
E na manhã da quarta-feira, 20 de agosto, o influenciador conhecido como Gato Preto, embriagado e com sinais de consumo de drogas, cruzou o sinal fechado na avenida Faria Lima, em São Paulo, atingiu um Hyundai HB20, um poste de sinalização e fugiu do local. Foi preso por tentativa de homicídio; liberado sob fiança, voltou a ser preso por não pagar pensão alimentícia.
Câmera de segurança flagra acidente envolvendo o influenciador Gato Preto
Reprodução/Smart Sampa
Por fim, na manhã de 25 de julho, um carro em alta velocidade atingiu a traseira de um Chevrolet Corsa na rodovia Castello Branco em Barueri (SP). O motorista, não identificado, fugiu do local e a motorista do Chevrolet foi hospitalizada.
Estas foram apenas algumas das ocorrências registradas neste ano. Cinco acidentes no intervalo de quatro meses e que têm um mesmo elo entre si: todos os envolvidos dirigiam um Porsche.
Como a dinâmica dos acidentes demonstrou, os motoristas não tinham o mínimo preparo ao volante de veículos que aceleram de 0 a 100 km/h em menos de 5 segundos. Ou menos: o modelo mais forte da marca (e do Brasil), o Taycan Turbo GT, com seus motores elétricos, acelera de 0 a 100 km/h em 2,2 segundos com o pico de potência de 1.108 cv – e está disponível no Brasil a qualquer interessado que tenha R$ 1,5 milhão no saldo bancário.
Muita potência no motor e pouco juízo na peça que fica atrás do volante foram os componentes que levaram a Porsche a aparecer nos noticiários, lamentavelmente em circunstâncias não desejadas por qualquer marca. A empresa alemã é uma das mais tradicionais fabricantes de carros esporte e de superesportivos do mundo. Símbolos de excelência em engenharia, seus veículos foram – e ainda são – sonhos de consumo de milhões de entusiastas.
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Diferentes modelos da Porsche lideram a lista dos mais vendidos em 44 países, incluindo o Brasil, onde a marca atravessa a melhor fase de vendas desde que estabeleceu, em 2015, uma filial no país: em 2024, vendeu 6.172 unidades. Entre janeiro e novembro de 2025, foram 4.957. Com um Pix de R$ 575 mil, você sai da loja com um Macan básico. Influenciadores e novos milionários passaram a frequentar as revendas da marca — e a ganharem aprovação nas redes e nas ruas.
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Mas não basta ter dinheiro ou influência. Dirigir um Porsche não é como dirigir uma Fiat Strada ou um Golf GTI, o esportivo da Volkswagen de 245 cv e tração dianteira. É muito fácil levar um Porsche, um carro dócil e manobrável até o instante em que o motorista sem intimidade com a máquina pisa fundo no acelerador ou tenta contornar uma curva ou a esquina como se estivesse em um 1.0.
Porsche Taycan Turbo GT acelera feito um carro de corrida
Divulgação
É preciso admitir que, do mesmo modo, é muito agoniante dirigir no trânsito comum um carro concebido para ser rápido. Mas basta pressionar o pedal da direita com decisão para que algumas regras urbanas sejam violadas. Ou virem tragédia.
À exceção de três modelos (Cayenne, Panamera e Macan), os Porsche mantêm a tradicional configuração de motor + tração traseiros — ou seja, o peso concentra-se na traseira. Mas qual a reação mais comum de um motorista noviço habituado aos carros com tração dianteira quando a traseira de um Porsche 911 some do espelho retrovisor? Cravar no pedal de freio. É um erro.
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Carros com tração traseira são naturalmente sobre-esterçantes: tendem a sair de traseira, são mais prazerosos para quem gosta de dirigir, mas é preciso saber dominar as técnicas de direção – e pisar no freio só piora a situação. Nesse caso, a atitude é dosar a aceleração e virar suavemente o volante para o lado oposto de onde o nariz do carro aponta.
Porsche 911 Carrera GTS exige “braço” para ser pilotado em segurança
Divulgação
É uma manobra que deve ser feita com calma e que só se aprende depois de muito tempo e muitos sustos. Um carro com tração dianteira subesterçante (que escapa de frente) é mais fácil de controlar: basta tirar o pé do acelerador, na maioria dos casos, para colocar o veículo na direção desejada.
Todos os Porsche, é preciso dizer, contam com recursos eletrônicos de segurança desde os anos 1980. Hoje, estes recursos representam o que há de melhor para ajustar suspensão, chassi, freios (que, aliás, sempre foram poderosos) e direção. Mas mesmo esses sistemas não são à prova de barbeiragem.
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Em agosto do ano passado, depois da morte de um motociclista atropelado propositalmente por um motorista de um Cayman em São Paulo, a Porsche divulgou nota lamentando o ocorrido, afirmou que não tinha vínculos com o criminoso e finalizou dizendo que investe “extensivamente em programas de treinamento de condução como forma de ampliar a segurança no uso dos automóveis”.
É pouco: a Porsche poderia obrigar o comprador a assistir a palestras sobre o funcionamento de seus carros, relembrar as regras básicas de segurança no trânsito e ministrar um curso compulsório de direção a quem compra um carro da marca pela primeira vez. E, em alguns casos, exigir atestado de antecedentes de seus clientes.
Porsche deveria ser mais rigorosa e não vender seus esportivos para motoristas com pouca experiência
Divulgação
Talvez assim a morte do empresário Jonas Stefanello pudesse ser evitada…. Ele perdeu o controle de seu Cayman em uma rodovia do Rio Grande do Sul e não resistiu aos ferimentos. Stefanello tinha acabado de comprar o carro e sofreu o acidente duas horas e meia depois de sair da revenda. O Cayman era seu presente de aniversário
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