
O Dodge Dart SE (Special Edition, ou Edição Especial) chegou ao mercado brasileiro em 1972 como a versão ‘Pé de Boi’ do luxuoso Dodge Dart, que teve origem em 1969 como sedã com quatro portas e, em 1970, como cupê com duas. Este último era focado no público mais jovem, que buscava desempenho sem se importar com detalhes de acabamento. Entre os rivais diretos, havia o Chevrolet Opala Standard e o Ford Galaxie Standard.
Este Dodge Dart SE 5.2 V8 1972 na cobiçada cor verde Tropical é um dos poucos e raros sobreviventes que ainda se encontram originais de fábrica e pertence ao primeiro ano de lançamento. Totalmente original e muito bem preservado, este exemplar de Dart SE pertence a um colecionador e membro do grupo Carangas de Itu do qual é presidido por Ruy Zotareli, quem está cuidando da venda do clássico.
Dodge Dart SE 1972 tem versão vendida na rara cor verde com detalhes em preto
Reprodução/Zotareli
“Este Dart SE é de um amigo que, no momento, deixou sob meus cuidados. Ele foi cuidadosamente restaurado nos padrões de fábrica, com direito a certificação de colecionador”, detalha Ruy.
No ano de lançamento (1972), o Dart Special Edition chegou por Cr$ 29.868, algo em torno de 63% mais barato que a então desejada R/T. Autoesporte usou a calculadora do Banco Central para ver qual seria o valor correspondente para o real e, na correção com base no IGP-DI, o sedã ficaria em torno de R$ 201 mil. Nos principais anúncios de revistas e outdoors, vale lembrar, a marca salientava a esportividade com a frase “A Chrysler lança um Coupé para quem não quer passar dos trinta”.
De acordo com Ruy Zotareli, um detalhe curioso é que hoje essa versão despojada SE tornou uma cobiçada peça de coleção. Desse modo, uma unidade como esta pode até superar o valor da topo de linha R/T (Road and Track, ou Estrada e Pista). Tanto que até o fechamento desta reportagem, o preço da unidade SE verde das fotos estava sendo oferecido no Mercado Livre por R$ 290 mil.
Dodge Dart SE 1972 traz interior clássico com volante de três raios
Reprodução/Zotareli
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Dodge Dart com combinação ‘rara’
Apesar da simplicidade, o cupê da Dodge esbanja muito charme, sobretudo pela rara cor verde Tropical, que combinou bem com o detalhe do capô preto fosco. O visual mais simplório do SE era economizado nos detalhes cromados, como a moldura da grade, rodas etc. Por dentro, a simplicidade tinha lá seu espírito esportivo. A começar pelo banco xadrez, volante de três raios e ausência de itens como acendedor de cigarros, cintos de segurança, extintor de incêndio e triângulo de segurança.
A ‘depenação’ não parou por aí e, para baratear o custo, a Chrysler tirou o sistema de freios a disco no eixo dianteiro e a direção hidráulica. O câmbio era manual e instalado no assoalho, bem ao gosto dos que preferiam por uma tocada mais esportiva.
Dodge Dart SE 1972 tem motor V8 de 198 cv de potência
Reprodução/Zotareli
Ao menos, o motor Chrysler 5.2 V8 foi mantido. Batizado de LA 318, este ‘bloco’ foi introduzido em 1969 na linha de picapes D100 e de caminhões D700 e logo depois na linha Dart, Charger, Le Baron e Magnum. O propulsor tem 5.212 cm³ (318 polegadas cúbicas) que, com a ajuda de um carburador de corpo duplo, fornece a potência de 198 cv. A diversão proporcionada pelo SE é garantida pela regência do câmbio manual de três marchas.
Era tudo o que os jovens daquela era gloriosa de gasolina azul queriam. O torque bruto de 41,5 kgfm desperta a partir dos 2.400 giros. Isso dá a esse “cupezinho” verde um desempenho respeitado para a época. De 0 a 100 km/h, bastavam 12 segundos, com velocidade máxima de 177 km/h. Apesar de parecer pouco nos dias de hoje, há de se levar em conta que estamos falando de um carro de mais de 1.500 kg.
Dodge Dart SE 1972 também oferecia bom espaço interno
Reprodução/Zotareli
Fim de uma época de ouro para os Dodges
A produção do Dodge Dart SE, juntamente com as demais versões da linha Dart, Magnum e Le Baron, pela Chrysler do Brasil em São Bernardo do Campo (SP), foi interrompida em 1981. O motivo foi a combinação de fatores econômicos e mudanças corporativas, que culminaram na saída da Chrysler do mercado brasileiro. Adquirida pela Volkswagen, o foco ficou a cargo da linha de caminhões, que ainda usavam o chassi Dodge por um tempo.
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