Brasil teve 8 marcas chinesas de carro lançadas em 2025 e uma que deu adeus


O ano e 2025 foi marcado por muitas chinesas desembarcando no Brasil. O interesse não vem de agora, já que há cerca de quatro anos nosso país entrou no radar das empresas na China com planos ousados de investimentos e novas fábricas. Exemplo disso é a BYD, que já está montando o Dolphin Mini em nosso país, em Camaçari (BA), e a GWM com sua unidade em Iracemápolis (SP).
Bom, fato é que o nosso mercado se tornou atrativo para essas marcas e, desde então, muita coisa mudou. Para se ter uma ideia, seis marcas chinesas começaram suas operações por aqui em 2025. E não para por aí, já que outras já estão confirmadas para 2026. Resolvemos então elencar quais chinesas chegaram por aqui neste ano, quais estão para chegar e as que saíram do país. Confira!
Marcas chinesas que chegaram ao Brasil em 2025
Denza
Após algum tempo de espera, a BYD lançou sua submarca Denza no Brasil durante o Salão do Automóvel de São Paulo, que aconteceu em novembro deste ano. Inicialmente, a marca terá três carros à venda em nosso mercado.
O primeiro a chegar é o B5, SUV híbrido 4×4 que está atualmente em pré-venda por R$ 436 mil. Já em 2026, a divisão de luxo prepara a perua elétrica Z9 GT, que chega no primeiro semestre por R$ 650 mil, e a minivan de luxo batizada de D9, que estreia no segundo semestre de 2026 por R$ 800 mil.
Conforme publicamos em outubro passado, as lojas da Denza serão separadas das concessionárias BYD. A primeira unidade, inclusive, já estreou em São Paulo, mais especificamente no bairro Jardins.
MG Motor
MG S5 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro
Gabriely Rodrigues/Autoesporte
Após vender seus veículos no Brasil em meados de 2013, a MG retornou ao nosso país oficialmente. A marca iniciou com uma operação independente e sem relação com a estratégia adotada anos atrás, quando a empresa vendeu por aqui — entre 2011 e 2013 — carros em parceria com a importadora Forest Trade, sem grande sucesso.
A marca sino-britânica estreou em novembro deste ano vendendo três modelos elétricos: MG4 (R$ 238.800), S5 (R$ 229.800) e Cyberster R$ 499.800. Mas, não para por aí. Autoesporte divulgou, com exclusividade, que a marca também vai vender a segunda geração do MG4 por aqui. O modelo ganhará o sobrenome Urban e chega no segundo semestre de 2026, importado da China, para brigar diretamente com o BYD Dolphin.
No entanto, a notícia mais impactante é que a MG planeja começar a montar veículos em solo nacional. A própria marca anunciou os planos durante o Salão do Automóvel e confirmou que os trabalhos serão realizados a partir do fim de 2026.
De acordo com apuração da nossa reportagem, a operação vai acontecer em Horizonte (CE) a partir de acordo firmado com a Comexport, empresa que adquiriu a antiga fábrica da Troller e transformou a unidade, agora chamada de Pace (Planta Automotiva do Ceará), em um centro produtivo multimarcas.
GAC
Em 2024, a GAC confirmou a venda de sete modelos e anunciou investimentos de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) no Brasil. Tempos depois, em maio de 2025, a marca fez sua estreia com cinco veículos de uma só vez: os elétricos Hyptec HT, Aion V, Aion Y , Aion ES e o híbrido GS4, que foi um dos finalistas do Carro do Ano 2025.
A fabricante chinesa, inclusive, já confirmou a chegada de mais três modelos para o ano que vem. O primeiro é o Aion UT, que virá para disputar vendas com o BYD Dolphin. Além dele, a promessa é crossover de luxo S9 e o SUV compacto GS3.
Uma notícia bastante recente é que a marca chinesa vai produzir seus veículos no Brasil por meio de uma parceria com a empresa brasileira HPE, que representa Mitsubishi e Suzuki em nosso país. Os detalhes sobre a operação e os modelos escolhidos pela GAC para a produção seguem sob sigilo. O favorito para iniciar as atividades locais é o GS3.
Leapmotor
Leapmotor C10 é SUV médio com preços a partir de R$ 190 mil
Divulgação
A Leapmotor estreou no Brasil com respaldo da Stellantis. Isso porque as fabricantes são parceiras no mercado chinês, o que deu prioridade à dona da Fiat para cuidar da operação por aqui. A marca chinesa iniciou suas operações por aqui com o C10, um SUV médio oferecido em versões híbrida em série e elétrica. Os preços partem de R$ 189.990. A distribuição começou nas 36 concessionárias da marca espalhadas pelas principais cidades do país.
Em janeiro, a empresa promete a estreia do B10 elétrico, um modelo menor, e que está em pré-venda por R$ 172.990. Se juntando ao clube das chinesas que têm interesse em produzir no Brasil, a Leapmotor já confirmou que irá fabricar carros híbridos e elétricos por aqui, mais especificamente na fábrica da Stellantis em Goiana (PE). Os novos modelos nacionais serão anunciados ao longo do próximo ano.
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Omoda Jaecoo
A Omoda Jaecoo chegou ao Brasil começou no início de 2025 com dois modelos: o Jaecoo 7 híbrido plug-in (PHEV) e o Omoda E5 elétrico. Logo em seguida, a marca lançou os modelos Omoda 5 Omoda 7, que estrearam por aqui com motorização híbrida (HEV no primeiro caso e PHEV no segundo).
Ainda em dezembro, a marca internacional do grupo Chery também anunciou que terá ao menos três lançamentos no Brasil em 2026. Os chineses confirmaram o início das vendas de Jaecoo 5 ainda no primeiro semestre. Na sequência, no terceiro trimestre, chega o Jaecoo 8, posicionado como topo de gama da marca.
Por último, o Omoda 4, um SUV compacto que está programado para chegar no final de 2026. É exatamente o modelo que chega com a expectativa de se tornar o carro mais vendido da marca no Brasil a partir de 2027.
Em paralelo ao lançamento de novos produtos, a Omoda Jaecoo está investindo R$ 15 milhões para desenvolver motores flex prontos para eletrificação. A marca não detalhou quais são os propulsores, mas disse que a chegada ao mercado será em 2027. A princípio, o motor 1.0 turbo mencionado há algum tempo não faz mais parte dos planos. Ao menos por enquanto.
Geely
Geely EX5 é cotado para ser produzido no Brasil na fábrica de São José dos Pinhais (PR)
Renato Durães/Autoesporte
Por último, mas não menos importante: a Geely. A marca chinesa já esteve no Brasil há mais de dez anos como parceira do Grupo Gandini, vendendo carros chineses baratos. Agora, a fabricante retorna ao país em parceria estratégica com a Renault.
Em novembro, inclusive, essa história ganhou um novo capítulo. Isso porque a fabricante oriental confirma que adquiriu participação de 26,4% nas operações brasileiras da marca francesa e, com isso, passa a ter acesso à fábrica de São José dos Pinhais (PR). Sendo assim, a Geely poderá produzir seus próprios veículos ao lado de modelos Renault em solo nacional.
A produção também faz parte de um investimento de R$ 3,8 bilhões que ambas as marcas anunciaram para fabricar pelo menos quatro novos carros até o final de 2027 na fábrica de São José dos Pinhais (PR). Dois deles serão da Geely e outros dois serão da Renault.
Um desses modelos será o Geely EX5, um SUV elétrico vendido em duas versões, com preços entre R$ 195.800 e R$ 215.800. Além dele, vale dizer, a marca acaba de lançar o EX2, hatch compacto elétrico que detém o título de carro mais vendido da China. São duas versões: Pro (R$ 123.800) e Max (R$ 136.800). O modelo também será um grande rival do BYD Dolphin.
Uma marca deu adeus em 2025
Seres
Seres saiu oficialmente do Brasil em 2025
Renato Durães
Apenas uma marca chinesa saiu do Brasil em 2025, a Seres. A montadora teve uma trajetória curta no por aqui, entre julho de 2023 e julho de 2024, quando paralisou as operações e fechou duas concessionárias. Em dezembro do ano passado, Autoesporte apurou que havia um plano de reestruturação da empresa em nosso país, mas após vender apenas oito carros em 2024, a Seres desativou o site no início deste ano e encerrou definitivamente sua operação.
Quando o site da Seres ainda estava ativo, a marca vendia dois modelos. O Seres 3, um SUV elétrico de 163 cv, partia de R$ 199.990 na versão convencional. Já o Seres 5 era equipado com dois motores elétricos de 585 cv com preço de R$ 394 mil.
Marcas chinesas que vão chegar em 2026
Caoa Changan
Changan CS55 Plus, um dos lançamentos previstos, já roda em testes no Brasil
Glauco Araujo/Autoesporte
Calma, você não leu errado. A Caoa Changan de fato foi apresentada durante o Salão do Automóvel de São Paulo. Entretanto, a estreia oficial da fabricante chinesa vai acontecer em 2026. A missão é clara: com suas duas marcas (Chery e Chagan), a Caoa quer alcançar a marca de 100 mil carros produzidos por ano em Anápolis (GO). E, já em 2026, alcançar 8% de participação do varejo.
Importante dizer que, inicialmente, Caoa e Changan formam uma aliança. Ou seja, os brasileiros são mais que meros distribuidores dos carros chineses. Para isso, vão investir o próprio capital para produzir ao menos três modelos em Anápolis.
O primeiro deles deve ter a montagem iniciada já em 2026. Os demais, a partir de 2027. Para cada um, a empresa estima um aporte de US$ 100 milhões. Ou seja, na conversão direta, o investimento deve ser de, no mínimo, R$ 1,6 bilhão nos próximos anos.
Jetour
Jetour T1 está entre os modelos da marca que serão vendidos por aqui
Divulgação
O grupo Chery está com planos consolidados no Brasil. Após trazer a Omoda Jaecoo como operação independente da Caoa, a chinesa oficializou a chegada da marca Jetour por aqui. O foco da nova empresa está em SUVs robustos e uma operação montada para disputar espaço em um dos segmentos mais competitivos do país.
A apresentação oficial aconteceu em novembro, em São Paulo, mas a estreia das primeiras concessionárias está prevista para acontecer no primeiro trimestre de 2026. Os três primeiros modelos que a marca venderá no país, S06, T1 e T2, devem chegar às lojas simultaneamente.
Além disso, a Jetour prometeu investir em produção nacional, que pode ter início ao fim do próximo ano ou começar a partir de 2027. Durante apresentação, a marca disse ainda que já trabalha para ter motor híbrido flex e que venderá no Brasil mais três modelos além dos que chegarão no primeiro trimestre — totalizando portfólio de seis veículos em 2026. Autoesporte apurou que dois dos produtos em questão são os também SUVs G700 e X70 Plus.
Lynk & Co
Lynk & Co 08 é SUV médio elétrico
Divulgação
O grupo Geely – dono de fabricantes como a sueca Volvo – iniciou seu processo de expansão no Brasil em 2024, com a chegada da Zeekr, que opera por meio de uma representante. Agora, o grupo vai atuar de maneira direta e trazer outra marca chinesa para o nosso mercado: a Lynk & Co.
O primeiro modelo que a marca deve vender por aqui é o Lynk & Co 08, feito sobre a plataforma CMA Evo, mesma do Volvo XC40. No mercado chinês, O SUV médio vem com motor 1.5 turbo aliado a dois propulsores elétricos. Potência e torque combinados são de, respectivamente, 593 cv e 92,2 kgfm. Além dele, a expectativa é que a marca lance por aqui o 02, crossover elétrico de 380 cv de potência e 38 kgfm de torque.
Bônus: chinesa Neta se reestrutura no Brasil
Neta promete lançar o SUV L no Brasil em 2026
Divulgação
A curta trajetória da Neta no Brasil está sendo marcada por diversos capítulos. A marca chinesa estreou por aqui em 2025, mas um processo de falência na matriz teve reflexos na operação local. E após a especulação de saída definitiva em nosso mercado, a fabricante reativou o site brasileiro e segue vendendo carros, ainda que seja em quantidades bem modestas. Assim, busca reestruturação.
No entanto, a Neta tem apenas uma concessionária aberta no país, que fica em Potenza, no Rio de Janeiro (RJ). Portanto, tem feio as vendas de forma direta, como apurado por Autoesporte nessa reportagem. Um dos clientes é a locadora LD, que comprou 250 unidades dos Neta Aya e X. Destes, 110 já foram entregues a motoristas de aplicativo.
Em conversa com o gerente comercial da marca, descobrimos que parte da operação chinesa foi vendida, o que trouxe novos investimentos na matriz. O plano, ainda segundo o porta-voz, é manter a filial brasileira funcionando, inclusive com um lançamento previsto para 2026. Trata-se do Neta L, um SUV de porte similar ao do BYD Song Pro.
Mas antes de trazer qualquer novo produto, a Neta ainda precisa “arrumar a casa” por aqui. E diz que está fazendo isso com investimentos. Uma parte desse ajuste é também implica no pagamento das dívidas que somam mais de R$ 2 milhões com fornecedores.
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