Extensor de autonomia em carros elétricos é uma boa solução para o Brasil?


A tecnologia extensora de autonomia, range-extender (REEV), ou, simplesmente, EREV presente no C10 ultra-híbrido que a Leapmotor lançou no mercado brasileiro dia 4 de novembro não é nova e nem inovadora, entretanto me questiono os motivos pelos quais esta tecnologia não chegou antes.
Trata-se de uma arquitetura híbrida que funciona com um motor térmico à combustão e um motor elétrico. A diferença para outros híbridos é que neste caso o motor à combustão só serve para gerar energia às baterias e não está ligado ao sistema de tração do veículo.
Leapmotor C10 e B10 têm autonomia revelada antes da hora no Brasil
Afinal, o Leapmotor C10 REEV é híbrido ou elétrico? Entenda a tecnologia
O motor térmico embarcado funciona apenas como gerador para recarregar a bateria apenas nos momentos de necessidade e tem por objetivo a autonomia adicional sem depender exclusivamente de uma infraestrutura de recarga ainda limitada no Brasil, o que possibilita, sob meu ponto de vista, uma popularização ainda maior da eletrificação pois ela atua especificamente no calcanhar de aquiles dos veículos elétricos, autonomia da bateria.
Neste contexto esta arquitetura torna este híbrido uma solução prática para mercados com redes de recarga insuficientes ou para aplicações que exigem continuidade operacional (serviços essenciais, rotas intermunicipais curtas, veículos de trabalho, entre outras).
Leapmotor C10 é o único veículo REEV à venda no Brasil atualmente
Divulgação
Os pontos positivos são o menor custo da bateria pois o tamanho delas não precisam ser muito elevadas. Importante reforçar que esta seria uma forma de redução do preço do veículo pois o tamanho da bateria está diretamente relacionado a este fator.
Outro ganho seria observado nas emissões em uso urbano pois o veículo roda no modo elétrico e o motor à combustão é utilizado apenas para recarga das baterias quando for necessário. O modo plugável (plug-in) pode ou não estar presente facilitando igualmente o processo de recarga.
Esta arquitetura está muito mais aliada a utilização da ampla rede de postos de gasolina presentes em todos os cantos do Brasil do que a mais restrita (mas em desenvolvimento) de rede de carregadores elétricos. Esta questão elimina um dos principais pontos críticos do uso de um veículo elétrico, a ansiedade pelo fim da autonomia do veículo sem possibilidade de recarga.
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Este híbrido, como qualquer outro, é o que costumo denominar por “traquitana” tecnológica. Possui dois motores, uma bateria e um tanque de combustível carregando um peso extra ‘desnecessário’. Carrega o mundo dos veículos tradicionais e o mundo dos eletrificados num ambiente só podendo trazer pontos de falha no médio/longo prazos que tendem a encarecer a manutenção do veículo. Entretanto o híbrido é a solução mais adequada as atuais condições do Brasil continental no momento. Os elétricos puros, por enquanto, ficam em nichos de mercado.
Leapmotor C10 usa motor 1.5 a gasolina como gerador
Divulgação
Os fabricantes e fornecedores tratam o veículo com extensor de autonomia como uma ponte tecnológica que permite manter parte do sistema térmico enquanto é ampliada a eletrificação, otimizando investimentos e aproveitando as plantas existentes. Nestes casos a eficiência energética global costuma ser menor que a de um veículo elétrico puro pois existem perdas na conversão do combustível em eletricidade e de lá para o motor elétrico.
A experiência de dirigibilidade é unicamente elétrica pois, conforme já informado, a tração é apenas elétrica. Entretanto no que tange às emissões o motor/gerador à combustão ainda emite poluentes e isso precisa ser levado em consideração no processo de compra se bem que é importante e necessário informar que este tipo de veículo costuma ser bem econômico e, assim, poluir muito pouco por se utilizar de um motor pequeno e por simplesmente ter que atender às demandas da bateria não estando ligado a nenhum outro subsistema do veículo.
BMW IX3 REx também tinha extensor de autonomia
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No Brasil a experiência com esta tecnologia não é nova. O BMW i3 REx foi vendido oficialmente, o Chevrolet Volt apareceu em alguns poucos exemplares como importação independente e foi disponibilizado em projetos como a Volare (desenvolvido em conjunto com a Agrale, WEG e a Horse) ou mesmo como a brasileira LECAR com seus dois produtos ainda em desenvolvimento.
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O extensor de autonomia é uma solução de transição inteligente em locais onde a infraestrutura de recarga não é suficiente ou ainda esteja em desenvolvimento bem como a continuidade operacional do veículo seja crucial.
Particularmente acredito que seja uma receita de sucesso para o nosso mercado.
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