
Em 2024, diversas fabricantes instaladas no Brasil anunciaram um volume recorde de investimentos em nossa indústria local de automóveis. O valor atualizado, de acordo com a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), já supera os R$ 140 bilhões. Além de inaugurações de novas fábricas e renovação do parque fabril já existente, esse dinheiro será usado para trazer novas plataformas e permitir a produção nacional de veículos híbridos flex.
Quem acompanha o mercado automotivo com mais afinco sabe que esses investimentos, muitas vezes, levam anos até se converterem em produtos efetivos. Pois 2026 será o primeiro ano em que carros híbridos flex com produção nacional começarão a ser lançados em maior quantidade. Autoesporte listou pelo menos 16 produtos eletrificados e capazes de usar tanto gasolina quanto etanol que chegarão ao catálogo de suas respectivas montadoras. Confira o que vem por aí:
BYD Song Pro, Yuan Pro e picape DM-i flex
Durante a inauguração de sua linha de montagem em Camaçari (BA), a BYD anunciou o lançamento em 2026 do Song Pro nacional com visual renovado e motorização híbrida flex. O SUV será, assim, um dos primeiros modelos híbridos plug-in (PHEV) flex do Brasil.
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Estamos falando da motorização 1.5 DM-i, que une um motor a combustão naturalmente aspirado de 1,5 litro, que rende 98 cv com gasolina, mais um conjunto elétrico de 197 cv, gerando 223 cv ou 235 cv de potência combinada, a depender da especificação.
Nova picape da BYD terá sistema híbrido flex no Brasil
Reprodução/Jonathan Machado
Além do novo Song Pro, o novo conjunto híbrido plug-in flex da BYD tem presença garantida no recém apresentado Yuan Pro PHEV, já testado por Autoesporte em primeira mão. Outro produto já confirmado para o ano que vem e que já chegará híbrido plug-in flex é a inédita picape intermediária derivada do Song Pro, que também será produzida na Bahia e terá versões tanto 4×2 quanto 4×4.
Além deles, é possível que a motorização DM-i flex seja aplicada a outros produtos da marca chinesa, como o sedã médio King e o SUV médio Song Plus, mas estes ainda não estão confirmados.
Caoa Chery Tiggo 5X
Caoa Chery Tiggo 5X no Salão do Automóvel
Renato Durães/Autoesporte
A partir do terceiro trimestre de 2026, a Caoa Chery lançará no Brasil o Tiggo 5X híbrido pleno (HEV), com o mesmo conjunto mecânico do Omoda 5. Nele, haverá um motor 1.5 turbo com injeção direta de ciclo Miller, de 135 cv, em união com um motor elétrico e bateria de alta tensão sem necessidade de recarga externa. No Omoda 5, são 224 cv de potência combinada com gasolina. A expectativa é que, no novo Caoa Chery Tiggo 5X, o conjunto venha já convertido para flex.
Chevrolet Tracker 1.2 Turbo MHEV
Chevrolet Tracker será híbrido flex no Brasil
Renato Durães/Autoesporte
A General Motors (GM) já confirmou para 2026 o lançamento do primeiro modelo híbrido flex produzido no Brasil já em 2026. Nossa reportagem pode afirmar que será o Chevrolet Tracker com motorização 1.2 turbo de injeção direta aliada a um sistema híbrido leve de 48 Volts. A combinação é inédita em nível mundial e, portanto, ainda não se sabe quais serão os dados de potência e torque combinados. Na sequência, virá a Chevrolet Montana com o mesmo conjunto, mas a picape eletrificada deve ficar para 2027.
Citroën Aircross e Basalt T200 Hybrid
Citröen Basalt receberá o sistema híbrido leve de 12V, já presente nos Fiat Pulse e Fastback
Divulgação
Também em 2026, a Stellantis deve disponibilizar no mercado a última leva de produtos 1.0 turbo flex da família GSE T3 (três-cilindros 12V com injeção direta e sistema MultiAir III) com sistema híbrido leve (MHEV) de 12 Volts. No caso, serão os modelos Citroën Aircross e Basalt.
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Assim como os demais produtos com esse conjunto — Fiat Pulse e Fastback, e Peugeot 208 e 2008 —, os Citroën MHEV de 12 Volts terão o motor 1.0 turbo aliado a um superalternador de 4 cv e 1 kgfm que substitui o alternador, o motor de arranque e o sistema start-stop, ajudando em momentos pontuais de partida, aceleração e retomada. São 130 cv de potência e, no caso do 2008, economia de até 7% em consumo de combustível no ciclo urbano.
Fiat Grande Panda
Este mesmo sistema híbrido leve flex de 12 Volts com 130 cv será aplicado à versão nacional do Fiat Grande Panda. O hatch compacto chegará em 2026 para inaugurar a plataforma CMP, já usada pelos Citroën e Peugeot compactos vendidos na região, entre os Fiat de produção nacional. Depois dele, virão outros três produtos entre 2027 e 29: uma nova geração do Fastback (projeto F2X), um SUV de sete lugares (F2U) e uma terceira geração da Strada.
O Grande Panda brasileiro chegará com duas missões muito importantes. A primeira será comemorar os 50 anos da Fiat no Brasil. A segunda, e mais difícil de todas, é se tornar o carro mais vendido da marca. Mas atenção, pois o visual e até o nome do modelo podem mudar em relação ao irmão europeu.
Fiat Toro e Jeep Commander, Compass e Renegade T270 Hybrid
Jeep Renegade 2026 já aparece em flagras no Brasil
Reprodução/Garagem de Motor (@garagemdemotor)
A Stellantis também prepara para 2026 a eletrificação de praticamente toda sua gama de produtos produzidos em Goiana (PE), a partir da plataforma Small Wide. Assim, já no ano que vem a picape Fiat Toro e os SUVs Jeep Commander, Compass e Renegade terão o conjunto T270 Hybrid.
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Sua base técnica será o motor 1.3 GSE T4, turbo flex com quatro cilindros, 16 válvulas, injeção direta e variação inteligente da abertura das válvulas de admissão. A ele se alia um sistema elétrico com tensão de 48 Volts, formado por bateria de 0,9 kWh e um motor elétrico de cerca de 30 cv e 8 kgfm, capaz de tracionar as rodas sozinho em momentos pontuais, como manobras de estacionamento. A potência combinada ainda não foi revelada.
No caso de Renegade e Commander, a novidade chegará com direito a pequenos facelifts. O Renegade, em específico, receberá também um interior renovado ao estilo do Compass.
GWM Haval H6
GWM Haval H6 terá versão flex no mercado nacional
Cauê Lira/Autoesporte
Após muita especulação e promessas, a GWM finalmente vai lançar no Brasil a versão flex de seu motor 1.5 turbo oferecido nas especificações híbrida plena ou plug-in. Assim, toda a gama da família Haval H6, desde a versão de entrada mais simples, HEV2, até o SUV cupê H6 GT, passará a aceitar etanol.
Ainda não se sabe como ficarão os dados de potência e torque combinados. Atualmente, apenas com gasolina, a configuração HEV alcança 243 cv de potência máxima, enquanto a PHEV chega a 393 cv. Também espera-se que o conjunto 2.0 PHEV do Tank 300 passe a ser flex, mas isso deve ficar para 2027.
Jeep Avenger
Confirmado para o Brasil em 2026, com produção em Porto Real (RJ) e com uma apresentação apoteótica no Salão do Automóvel de São Paulo, o Jeep Avenger ainda não teve as especificações de sua variante nacional confirmadas, mas já sabemos que o SUV de entrada virá com exatamente o mesmo conjunto T200 Hybrid de 130 cv, 1.0 turbo flex híbrido leve de 12V, dos demais Stellantis regionais dotados dessa motorização. O lançamento será ainda no primeiro semestre.
Toyota Yaris Cross
Por fim, o Toyota Yaris Cross não apenas já foi apresentado ao Brasil no Salão do Automóvel como já teve sua lista de preços, versões, equipamentos e consumo reveladas pela marca japonesa. As duas versões híbridas flex, XRE Hybrid e XRX Hybrid, estão em pré-venda por R$ 172.390 e R$ 189.990, respectivamente.
Nelas, a motorização 1.5 aspirada flex de quatro cilindros, 16 válvulas e ciclo Atkinson se une a um conjunto elétrico de alta tensão e baterias de 0,7 kWh, formando uma potência combinada de 111 cv com etanol. É um conjunto muito similar ao dos primos maiores Corolla e Corolla Cross, porém com baterias de íons de lítio e um motor a combustão de menor deslocamento.
Teste: Toyota Yaris Cross híbrido quer ser o SUV mais econômico do Brasil
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