Fiat Stilo Abarth tinha itens de BMW e teto solar mais estiloso do mundo


O ano era 2007. O engenheiro italiano Claudio Demaria (1954-2022), chefe de engenharia da Fiat no Brasil, pensou em uma ideia para realizar o sonho de ter um Stilo Abarth na cor Azul Vitality. Só havia um problema: tal tonalidade era exclusiva do Palio.
Foi então que um grupo de engenheiros aproveitou um fim de semana de calmaria na fábrica de Betim (MG) para pintar a carroceria do hatch médio na linha de montagem do irmão. Nascia o único Stilo Abarth Azul Vitality feito no Brasil, ao custo de uma grande bronca de outros departamentos da fábrica.
O comerciante Matheus Huttembergue se intrigou com a história desse Abarth tão único. Sendo um dos maiores colecionadores de modelos Fiat do Brasil, usou sua rede de contatos e a internet para localizá-lo. “Foi a primeira vez que a cor Azul Vitality foi usada no Stilo”, conta.
Fiat Stilo Abarth 2007 era surpreendente para sua época e continua desejado nos dias de hoje
Renato Durães/Autoesporte
Parece que o teste deu certo. “A partir de 2008, a cor passou a fazer parte do catálogo — mas nenhum Abarth foi produzido assim”, completa. Ou seja, qualquer Stilo Abarth nessa cor é um “cover”, e não um veículo oficial produzido pela Fiat. Só o Demaria teve esse carro.
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Cabine do Stilo tinha muitos equipamentos — alguns deles de carros de luxo
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Durante a pesquisa, o colecionador descobriu parte da história: depois de pertencer ao engenheiro Claudio Demaria, o Stilo passou por vários donos — chegou a ser rebaixado e receber rodões. Apesar da customização, sua estrutura permaneceu íntegra, bem como o estado geral de conservação externo e interno.
Quando Matheus enfim localizou o carro, o hatch já estava todo original e precisava apenas passar por manutenção. Ele mesmo desmontou o motor em sua oficina, em Pedreira (SP), e fez os ajustes necessários. Quando não tinha uma ferramenta, ia até a concessionária da Fiat na cidade ao lado para pegar emprestada.
Bancos eram elétricos e tinham até aquecimento
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Chama a atenção o fato desse Stilo ser surpreendentemente bem equipado para a época — ainda mais sendo nacional. Sua lista chega a ser recheada mesmo nos dias de hoje, e era comparada a modelos de luxo, como BMW, Audi e Mercedes-Benz.
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Teto Sky Window: tem que saber usar, ou ele emperra com facilidade
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Tinha teto solar elétrico Sky Window dividido em quatro lâminas, bancos de couro com ajustes elétricos e aquecimento, central multimídia, GPS nativo, Bluetooth, espaço para cartão SIM, painel de instrumentos colorido, ar-condicionado digital de duas zonas e volante multifuncional.
Central multimídia tinha espaço para cartão SIM e Bluetooth para fazer lidações
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O banco traseiro tinha apoio de braço central e poderia ser reclinado para deixar a viagem mais confortável. Na Fiat, só a Toro foi capaz de repetir alguns desses equipamentos muitos anos depois, e vários nem apareceram na picape, que é o carro mais caro da marca italiana atualmente.
Computador de bordo colorido era exclusividade do Stilo em 2007
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O veneno do escorpião corria pelo motor 2.4 aspirado de cinco cilindros movido a gasolina, com 20V. Importado da Europa, era o mesmo do Marea — e os números de época apontavam 167 cv de potência e 22,8 kgfm de torque, com o câmbio manual de cinco marchas com engates longos.
Peças para o Stilo Abarth são difíceis de encontrar até para os colecionadores mais experientes
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É claro que o Stilo herdou as questões problemáticas que cercam esse motor. Para começar, sendo importado, para obter peças originais é preciso recorrer a sites internacionais, como o Ebay. Nem todo mecânico tem a habilidade e o conhecimento para acessar suas entranhas, então a mão de obra costuma ser complexa e cara.
Acerto de suspensão era mais rígido e garantia boa diribilidade ao Stilo
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Mas dirigir o Stilo Abarth é uma delícia. O sistema de escape passou por um tratamento especial na fábrica para emitir um som mais grave e rouco, como pede a receita italiana. Embora vá de zero a 100 km/h em 8,4 segundos, o que não surpreende motoristas mais novos, proporciona diversão ao volante como poucos hatches da época.
O volante, de raio mais protuberante na região da empunhadura, melhora o “handling”; já o velocímetro conta a velocidade a cada 30 km/h, deixando a leitura confusa para quem não está acostumado. Como fã declarado do Stilo Abarth, é claro que Demaria caprichou no acerto dinâmico. A direção tem peso adequado para uma condução aguçada, e a suspensão rígida tem curso calibrado para aguentar o asfalto brasileiro ruim.
Stilo Abarth será lembrado como um dos esportivos mais legais de sua época
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Esse Stilo Abarth azul é o retrato de tempos menos informatizados, quando ainda era possível fazer loucuras para criar um carro único às escuras. Também mostra que, ao contrário do que se discute na internet, a década de 2000 teve seus expoentes nacionais que entregavam o mesmo nível de requinte dos modelos europeus.
Fiat Stilo Abarth 2007
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