
O Fiat Argo passou por uma discreta atualização para a linha 2026. O objetivo? Ganhar fôlego no mercado enquanto o novo hatch nacional derivado do Grande Panda europeu não chega às lojas.
Não está claro se o novo hatch chega para substituir o Argo ou se os modelos irão coexistir nas concessionárias, o que é bem provável. Fato é que o veterano foi um dos carros mais vendidos do Brasil, emplacando 102.639 unidades em 2025. No ranking geral, ficou atrás apenas da Fiat Strada (142.903) e do Volkswagen Polo (122.677).
Além disso, o Fiat Argo é um dos carros automáticos mais baratos à venda no país. A versão Drive 1.3 CVT pode ser comprada a partir de R$ 107.790 e sobe para R$ 111.880 no pacote S-Design. Pensando nisso, Autoesporte passou 15 dias com um exemplar dessa versão equipado com o pacote opcional e selecionou cinco razões para comprar e outros cinco motivos para pensar bem antes de levar o hatch para casa. Confira!
Fiat Argo: 5 razões para comprar
1°) Ganhou faróis full LED na linha 2026
Assinatura luminosa do Argo mudou na linha 2026
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
A partir da linha 2026, o Argo passou a oferecer faróis full LED nas duas configurações mais caras, Drive 1.3 e Trekking. O pacote opcional que equipa a unidade que dirigimos acrescenta faróis de neblina ao hatch.
Para alguns motoristas, pode parecer um incremento estético. Porém, os faróis de LED são itens de segurança imprescindíveis para garantir a melhor iluminação possível no percurso. No caso do Argo, há grande diferença entre os fachos de luz alta e baixa.
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Me senti segura para viajar na estrada durante o recesso de fim de ano, inclusive durante a madrugada, sem nenhuma outra fonte de iluminação pública. A atualização aumentou o alcance dos faróis e proporcionou uma visão mais clara dos obstáculos no asfalto (os buracos, claro).
2°) Pacote de equipamentos é generoso
Apesar de simples, o Argo 2026 não deixa de ser incrementado
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
O grande destaque do Argo é o pacote S-Design. O opcional acrescenta R$ 4.090 ao valor do hatch (que sobe para R$ 111.880), e traz mais equipamentos: vidros elétricos traseiros one touch e antiesmagamento (sem o pacote, o item só é disponibilizado na primeira fileira) e retrovisores externos elétricos com recurso Tilt Down.
Indo além, o Argo oferece rodas de liga leve de 15 polegadas com acabamento escurecido, sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico, alças de segurança de teto, faróis de neblina em LED e chave presencial com partida por botão.
Rodas de liga leve incorporam visual mais esportivo ao Argo
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Todos esses itens já são oferecidos na opção topo de linha, a Trekking. Há ar-condicionado automático digital e volante em couro ecológico — este último exclusivo do pacote S-Design.
Apesar de não oferecer câmera de ré, que vem de série na versão de topo de linha, a configuração Drive 1.3 com pacote S-Design tem um excelente custo-benefício para quem busca um carro urbano. O visual não é aventureiro como o do Argo Trekking, mas traz acabamento escurecido na grade dianteira, no logo da fabricante e no nome do carro estampado na tampa do porta-malas.
3°) Apesar de simples, é bom de guiar (e econômico)
Motor 1.3 aspirado tem bom entrosamento com o câmbio CVT
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Outro ponto positivo do Argo é a sua dirigibilidade. A direção elétrica é progressiva, bem flexível e fácil de manusear. O sistema Drive By Wire (controle eletrônico de aceleração) deixa o volante mais rígido em rodovias e vias expressas, garantindo precisão em movimentos de ultrapassagem e outras manobras evasivas.
Seu motor é o 1.3 Firefly aspirado flex de oito válvulas, que entrega 107 cv de potência e 13,7 kgfm de torque quando abastecido com etanol. Como enchi o tanque com gasolina, os números de fábrica caem para 98 cv e 13,2 kgfm. Já o câmbio CVT faz a simulação de sete marchas e parece entrosado com o motor.
Quanto ao consumo declarado pelo Inmetro, faz 9 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, são 12,8 km/l em circuito urbano e 14,3 km/l em trajeto rodoviário.
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O hatch tem três modos de condução: automático, manual e esportivo. Este último torna a direção divertida e aumenta as rotações do motor. Em um trajeto de 490 km entre Mogi das Cruzes e Olímpia, no interior de São Paulo, este recurso veio a calhar — especialmente em retomadas e ultrapassagens.
Por isso, considero o Argo uma ótima opção para uma motorista recém-habilitada que busca o seu primeiro carro — como esta que vos escreve. Seu diâmetro mínimo de curva de 10,4 metros faz dele um hatch de ótima manobrabilidade, pois não encarei perrengues para encaixá-lo em vagas apertadas. Sua altura mínima do solo é de 16,2 cm, enquanto os ângulos de entrada e saída são de 20,4° e 30,3°, respectivamente. Portanto, raspar o carro numa valeta não chega a ser uma preocupação para o motorista.
4°) Acerto de suspensão é adequado para o asfalto brasileiro
Argo mantém a tradição da Fiat ao trazer um conjunto de suspensão robusto
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Se o Argo não raspa em valetas e lombadas por conta de seus bons ângulos de ataque e saída, parte do crédito é do conjunto de suspensão. Além de robusta, ela foi ajustada para amortecer os impactos e filtrar as oscilações das ruas brasileiras.
Na dianteira, a suspensão é do tipo McPherson com rodas independentes, enquanto na traseira, é adotado o eixo de torção com rodas semi-independentes. Nos dois sistemas, os amortecedores são hidráulicos e usam molas helicoidais.
O curso se mostra adequado para filtrar as irregularidades e, principalmente, evitar pancadas secas. Não à toa, o Argo se tornou um dos queridinhos dos vários motoristas de aplicativo que dirigem diariamente por várias horas, enfrentando todo tipo de asfalto castigado.
5°) Tem recursos de conectividade interessantes
Central multimídia envelheceu, mas cumpre bem o seu papel no Argo 2026
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
A linha 2026 do Fiat Argo não trouxe grandes mudanças no interior, mas a central multimídia passa a oferecer conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Dessa forma, soluciona um ponto que antes era negativo. Pode parecer algo simples, mas o mercado brasileiro está cheio de carros acima de R$ 200 mil que sequer oferecem pareamento de celulares…
Além disso, a posição e o estilo flutuante da tela de 7’’ tornam o acesso intuitivo ao motorista. Quanto às entradas USB, o hatch possui duas: uma localizada no painel, embaixo do ar-condicionado, e outra no túnel central. Esta pode ser usada pelos passageiros da primeira e segunda fileiras.
Sistema UConnect tem layout fácil de usar
André Paixão/Autoesporte
Só falta uma entrada USB-C, seguindo a recente “padronização” dos carregadores dos smartphones mais modernos. De qualquer forma, deixa a boa impressão de um carro simples que vai além do básico.
Fiat Argo: 5 motivos para pensar
1°) Faz barulho na coluna de direção
Apesar da boa experiência ao volante e da direção elétrica macia, após alguns dias com o carro percebi que a coluna do volante faz barulho. É um problema crônico que acontece, principalmente, quando se está totalmente esterçado em manobras ou ao realizar algumas curvas.
Inclusive, essa é uma queixa frequente dos proprietários da família Argo e Cronos nos fóruns de internet. Por vezes, a situação dificulta algumas manobras, já que o volante se torna um pouco mais rígido. Mas é o barulho que realmente torna este aspecto incômodo no Fiat Argo.
2°) Faltam itens de segurança
Por este preço, o Argo poderia oferecer mais equipamentos de segurança
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Como já mencionado, o pacote S-Design deixa o Argo Drive 1.3 mais completo e incrementado, com itens de conforto interessantes. Mesmo assim, o hatch carece de itens de segurança e é equipado apenas com os recursos exigidos pela legislação, como os controles de tração e estabilidade e apenas os dois airbags frontais.
Na mesma faixa de preço, o Volkswagen Tera 1.0 (R$ 108.390) oferece também os airbags laterais e de cortina. O SUV da marca alemã ainda traz alerta de colisão frontal, indicador de fadiga e frenagem automática de emergência.
A lista de equipamentos do Argo fica restrita ao monitoramento de pressão dos pneus, controle eletrônico da aceleração, alertas de limite de velocidade e manutenção programada e sistema Hill Holder (auxílio em rampas). Está claro que incrementá-lo faria o preço subir, ainda mais com outro hatch mais moderno marcado para estrear neste ano.
3°) Isolamento acústico não é bom
Uma característica que o Argo compartilha com outros carros da Stellantis com este mesmo motor 1.3 aspirado é o isolamento acústico ineficaz. Vale tanto para as emissões sonoras e vibrações do conjunto mecânico, o que costuma ser mais comum no dia a dia com este carro, quanto para sons externos.
O som de motociclistas ultrapassando no trânsito intenso pode ressoar alto na cabine — além, é claro, de outros barulhos incômodos. A impressão é de que as portas não filtram as emissões sonoras como outros carros desta mesma faixa de preço. O Volkswagen Tera que citamos anteriormente é um exemplo positivo. Aqui, expõe-se a idade do projeto: o Argo já tem quase dez anos de mercado!
4°) Ergonomia deixa a desejar
Bancos são duros e não abraçam as costas dos motorisas mais avantajados
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
O hatch oferece banco do motorista com regulagem de altura desde a versão de entrada. Apesar disso, a parte do assento que acomoda as costas e a lombar é estreita, especialmente para os motoristas mais avantajados. O que dificulta encontrar uma posição confortável para dirigir, no entanto, é a falta de ajuste de profundidade da coluna de direção – o de altura já é oferecido.
A característica dos bancos dianteiros mais estreitos pode beneficiar o conforto dos passageiros da segunda fileira. Em duas semanas com o hatch, transportei pessoas no banco de trás que relataram viajar com conforto – embora, com 2,52 m de distância entre-eixos, o Argo fique atrás dos rivais Volkswagen Polo (2,57 m), Chevrolet Onix (2,55 m) e Hyundai HB20 (2,52 m).
Porta-malas tem boa margem de abertura e está na média do segmento dos hatches médios
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Além disso, são 4,03 m de comprimento, 1,72 m de largura e 1,51 m de altura. Seu porta-malas, com capacidade para 300 litros, está na média do segmento.
5°) Acabamento é simplório
Como vários carros de sua categoria, o Argo abusa de plástico duro
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Mesmo cumprindo muito bem a sua função urbana e com consumo de combustível na média do segmento, a versão Drive 1.3 CVT do Argo deixa a desejar em acabamento e montagem. Apesar de não se tratar de uma configuração topo de linha, e sim da automática mais barata, estamos falando de um carro que custa até R$ 111.880, considerando o pacote S-Design. Existem carros nesta mesma faixa de preço com plásticos e materiais de melhor qualidade.
Os itens opcionais, inclusive, fazem essa versão ainda mais cara que a topo de linha, Trekking, que tem preço sugerido de R$ 110.790 no site da fabricante. Assim, o hatch poderia oferecer encaixes mais caprichados no painel, bem como a opção de bancos com revestimento em couro.
Vale dizer, que a lista de equipamentos das duas configurações é quase igual, quando a Drive 1.3 tem o adicional S-Design. Além da caracterização aventureira, a versão topo de linha ainda traz câmera de ré, pintura bicolor, suspensão elevada e predisposição para rádio.
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