
A Chevrolet Caravan, derivada do icônico Opala, foi o verdadeiro sinônimo de status, espaço e conforto para as famílias brasileiras durante suas quase duas décadas de produção (1975–1992). Nesse período de mercado fechado às importações, o segmento das peruas (station wagons) grandes e médias era altamente competitivo.
A Caravan disputava a preferência do público diretamente com duas grandes rivais: Volkswagen Santana Quantum e Ford Belina. Autoesporte encontrou um dos poucos sobreviventes da Chevrolet Caravan SL 1991/1992, o último ano de fabricação, por meio da Gustavo Brasil Antigos:
“O nosso exemplar é raro, pois se manteve original, visto que muitas Caravan, assim como o Opala, em suas versões de entrada, eram transformadas para Comodoro e Diplomata”, explica Gustavo Brasil.
Interior do Chevroolet Caravan SL 1992 é reverenciado pelo uso de materiais em courvin nas portas e bancos de tecido navalhado do tipo veludo
Reprodução/Gustavo Brasil Antigos
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Ainda de acordo com o antigomobilista, o exemplar marca pouco mais de 56 mil km no painel, o que se acredita ser na verdade 156 mil, quilometragem mais condizente com um clássico de mais de 30 anos. Em plena forma, o clássico motor 2.5 carburado de quatro cilindros a gasolina roda macio e vai para qualquer lugar do Brasil, garante o vendedor.
Caravan foi vendida por famosa loja centenária de BH
Chevroolet Caravan SL 1992 tem grandes dimensões, com 4,8 m de comprimento
Reprodução/Gustavo Brasil Antigos
O conforto é regido pela direção hidráulica, um opcional encomendado à época por meio da extinta Casa Arthur Haas, de Belo Horizonte (MG). A empresa ficou famosa por colocar plaquetas metálicas identificando-a na carroceria dos carros zero-quilômetro, igual a esta Caravan das fotos. Até o antigo recibo de transferência e a nota fiscal de compra foram preservados com o nome da centenária concessionária.
A simplicidade do interior da perua da Chevrolet é reverenciada com materiais em courvin nas portas. Os bancos, por sua vez, trazem tecido navalhado do tipo veludo e, segundo Gustavo, o do lado do motorista teve a aba lateral esquerda refeita no padrão original.
Chevroolet Caravan SL 1992 tem bom espaço interno e os conhecidos bancos com encosto de cabeça vazado
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Ainda na parte interna da Caravan, a instrumentação é simples e se resume ao velocímetro com escala de até 220 km/h, marcador de combustível e temperatura da água do motor. O rádio toca-fitas Bosch San Francisco ainda funciona perfeitamente, bem como todos os comandos internos.
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Gustavo explica que o carro sempre esteve na capital mineira, mantendo a placa cinza original de 1991, com lacre de chumbo. Em todo o caso, se o cliente desejar, a loja já faz a emissão da documentação e da placa preta de colecionador. Com todo este pedigree e alto índice de originalidade, a Caravan SL 1992 está sendo oferecida por R$ 59 mil.
Caravan, a perua que conquistou as famílias brasileiras
Chevroolet Caravan SL era a versão de entrada da perua na linha 1992
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A Chevrolet Caravan foi apresentada no Salão do Automóvel de 1974, chegando ao mercado em 1975. Não demorou muito para se tornar o mais novo sonho de consumo da família brasileira, graças ao espaço e robustez da engenharia mecânica da General Motors.
A sua origem veio por intermédio da alemã Opel e, nesse mercado, foi batizada de Rekord Caravan, sempre oferecida com configuração de duas ou quatro portas, ao contrário da versão brasileira, sempre duas-portas. Por aqui, quem quisesse uma perua com acesso facilitado ao banco traseiro teria de comprar a concorrente Volkswagen Santana Quantum.
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Outro caminho era recorrer a adaptações artesanais ou transformações feitas por concessionárias e oficinas especializadas da época, como a Guaporé Veículos e a Sulam.
O desenho da primeira station wagon da GM do Brasil era bastante harmonioso, com destaque para as linhas fluidas com visual levemente arredondado e para-choques de ferro com garras e uma imponente grade dianteira.
Versão SL da Chevroolet Caravan 1992 tinha motor 2.5 8V carburado de meros 82 cv de potência e 17,1 kgfm de torque
Reprodução/Gustavo Brasil Antigos
O porta-malas era outro ponto forte da Caravan, comportando em sua capacidade máxima volumétrica surpreendentes 1.950 litros, por conta do rebatimento dos bancos traseiros rebatíveis. Apesar de contar só com duas portas, o espaço nos bancos traseiros era bem resolvido, graças à distância de entre-eixos de 2,66 metros.
Igualmente ao sedã que lhe deu origem, a Caravan era oferecida inicialmente em duas versões: Standard, com motor 151 (com carburador de corpo simples) de 2,5 litros e 85 cv, e Comodoro, equipado com o poderoso propulsor 250-S (com carburador de corpo duplo) 4.1 de 171 cv.
Em 1978, a linha ficou marcada com o lançamento da versão SS, que contava tanto com o propulsor de quatro cilindros 151-S (com carburador de corpo duplo) de 98 cv quanto o 250-S de seis cilindros em linha e 171 cv. Esteticamente, a SS era diferenciada pelas rodas de seis polegadas, faixa preta decorativa nas laterais e no capô, faróis auxiliares e espelhos retrovisores esportivos.
A maior mudança na trajetória da Caravan
Chevroolet Caravan SL 1992 está sendo oferecida por R$ 59 mil
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Para 1980, a linha Caravan ganhou a sua maior mudança de toda a história com a reestilização com faróis retangulares, grade mais limpa, além de um capô mais acentuado. Os para-choques, por sua vez, tornaram-se maiores e ganharam uma faixa de borracha, sendo que, na versão SS, estes eram pintados na cor da carroceria. Na traseira, as lanternas passaram a ter formato trapezoidal.
No ano de 1986, a GM disponibilizou a versão topo de linha Diplomata, que contava com um acabamento mais primoroso e rodas de alumínio de série.
Chevroolet Caravan SL 1992 conta com câmbio manual de cinco marchas
Reprodução/Gustavo Brasil Antigos
Novas mudanças só viriam na linha 1988, com o visual mais harmônico concentrado no conjunto frontal. A versão SL estreou como modelo de entrada, que se somava à intermediária Comodoro SL/E e à topo de linha Diplomata SE.
Em 1992, a Caravan saia de linha após 17 anos de produção
Chevroolet Caravan SL 1992 tinha como concorrentes o Volkswagen Santana Quantum e o Ford Belina.
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Em 1991, a Caravan recebia a sua última repaginada, que lhe deu seus últimos suspiros. Pára-choques envolventes e janelas sem quebra-vento, além de rodas de aro 15 calçando pneus 195/65, marcaram o derradeiro ciclo da perua no Brasil.
Junto ao Opala, a veterana Chevrolet Caravan se despediu da sua linha de montagem em São José dos Campos (SP) em 1992, sendo que a última delas foi uma unidade configurada como ambulância. Por quase 20 anos, a Caravan é até hoje a perua mais lembrada no Brasil, devido à sua enorme presença comercial e popularidade duradoura. Em 1993, a GM colocou a Omega Suprema como substituta.
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