
Fazer uma viagem de carro elétrico já parece difícil. Dar a volta ao mundo, então, é um desafio impossível? Foi justamente esse questionamento que motivou Rainer Zietlow a cruzar continentes a bordo de uma Volkswagen ID. Buzz. O objetivo do alemão era ambicioso: fazer algo que ninguém havia feito antes e entrar para o Guinness Book por percorrer o maior número de países em um veículo elétrico.
Ainda que a expedição tenha exigido cerca de um ano de planejamento, a aventura começou oficialmente em 1º de julho de 2025, quando Zietlow deixou Hanôver, na Alemanha, ao volante da famosa Kombi elétrica da Volkswagen.
Volkswagen ID.Buzz World Tour começou no dia 1º de julho de 2025
Reprodução/idbuzz-worldtour
Pouco mais de um ano depois, a jornada chega aos capítulos finais. Já são 80 mil km percorridos e 77 países visitados. O roteiro passou por boa parte da Europa, alguns locais da Ásia, como Cazaquistão, China, Tailândia, Singapura e Malásia. Depois, partiu para a Austrália, diversos territórios da África, além de Estados Unidos e México antes de desembarcar na América do Sul.
Volkswagen ID.Buzz World Tour passou por 77 países
Reprodução/ID.BUZZ World Tour
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Por aqui, Rainer cruzou pela Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e, por fim, chegou ao Brasil. Atualmente, está em Guarapuava (PR) e seguirá viagem até Santos (SP), onde a ID. Buzz será embarcada rumo à Alemanha para o fim da grande aventura. Será o 16º contêiner utilizado ao longo da expedição para vencer os trechos marítimos entre continentes.
O mais curioso é que, para viajar por todos esses lugares, a ID. Buzz praticamente não recebeu modificações. A única adaptação foi um colchão instalado na parte traseira para que o alemão pudesse dormir durante as recargas mais demoradas. De resto, o veículo permanece exatamente como saiu da fábrica.
Volkswagen ID.Buzz irá passar por 16 contêiners ao longo de toda a aventura
Reprodução/idbuzz-worldtour
Isso nunca foi um problema. Afinal, ao longo dos 80 mil km rodados, nenhuma falha mecânica aconteceu. Mais do que isso, apenas um pneu foi furado e houve apenas uma troca preventiva.
“Isso foi algo que realmente me surpreendeu. Os carros elétricos têm uma confiabilidade tecnológica muito grande. Um motor a combustão possui muito mais componentes. É preciso se preocupar com temperatura, combustível, qualidade do diesel ou da gasolina. Há muitos fatores que precisam ser monitorados. Em um carro elétrico, tudo isso desaparece. A única preocupação realmente maior é a autonomia”, explica Rainer.
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A Volkswagen ID.Buzz usada na expedição é equipada com um motor elétrico traseiro que entrega 286 cv de potência e 57,6 kgfm de torque. A bateria tem 86 kWh, o que garante alcance de até 487 km, de acordo com o ciclo europeu WLTP. Na prática, porém, Zietlow conta que conseguia rodar cerca de 400 km por dia com uma só carga.
Rainer Zietlow chegou ao Brasil com a Volkswagen ID.Buzz no dia 19 de julho
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Depois, era hora de procurar um carregador ou uma tomada. Mas isso nem sempre foi simples. Em alguns casos, bastavam poucos minutos. Em outros, eram necessárias cerca de 8 horas.
Rainer Zietlow passou por alguns “perrengues” para carregar a Volkswagen ID.Buzz
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“Cheguei a rodar com apenas 1% de carga. Nas grandes cidades é tranquilo, mas quando você vai para o interior, praticamente ninguém dirige um carro elétrico. Às vezes, carregamos em estações de recarga, mas em outras ocasiões tivemos que usar instalações que nem sequer foram projetadas para automóveis. Na África isso aconteceu bastante. Já a China é, sem dúvida, o país número um. O avanço deles é simplesmente incrível”, conta o aventureiro.
Mas o maior desafio da expedição nem sempre foi encontrar energia. Outro grande obstáculo da volta ao mundo foi convencer autoridades alfandegárias de que podia dirigir um carro que não era seu. Como a ID. Buzz pertence à Volkswagen, o nome de Rainer não aparece nos documentos do veículo.
Volkswagen ID.Buzz passou até por Nova York
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“Às vezes o maior problema era a documentação. O carro não é meu. Ele pertence à Volkswagen. Meu passaporte tem o meu nome, mas os documentos do carro estão em nome da Volkswagen. Então, nas fronteiras, os agentes procuravam meu nome no documento do veículo e diziam: ‘este carro não é seu’. Nós temos um documento que comprova a autorização para utilizar o veículo. O problema é que muitos países simplesmente não sabem o que é”, relata.
Para Zietlow, porém, o Guinness representa apenas uma parte do projeto. Segundo ele, a expedição também busca mostrar que a mobilidade elétrica já pode superar fronteiras — desde que haja planejamento.
Volkswagen ID.Buzz passou por diversos países da África
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“Quando você dá a volta ao mundo em um veículo elétrico, você também leva uma mensagem. E essa mensagem é muito clara: o futuro será elétrico. Passei por muitas cidades e muitos países que sofrem com a poluição. Também visitei lugares onde o combustível é muito caro. Já a eletricidade pode ser produzida por energia solar, energia eólica e várias outras fontes renováveis. Esse é o caminho para o futuro”, finaliza Rainer.
Volkswagen ID.Buzz World Tour
Aos 55 anos, Zietlow acumula cerca de duas décadas de desafios ao lado da Volkswagen. Já cruzou desertos, estabeleceu recordes de altitude e realizou expedições com veículos movidos a GNV. Agora, está prestes a concluir aquela que talvez seja sua maior aventura: provar que um carro elétrico é capaz de dar a volta ao mundo — e, de quebra, entrar para o Guinness Book.
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