Brasil pode ter ônibus autônomo e trânsito controlado por IA muito em breve


Reduzir o tempo entre as viagens e as emissões de poluentes são temas centrais quando o assunto é a “cidade do futuro”. A evolução da mobilidade não depende apenas de veículos mais tecnológicos, mas também de ruas e rodovias capazes de se comunicar com seus meios de transporte, criando um sistema integrado.
Em sua terceira edição, o Summit Futuro da Mobilidade 2026, organizado por Autoesporte e Valor Econômico, discutiu como ambientes urbanos inteligentes e rodovias conectadas podem criar uma mobilidade mais integrada e sustentável.
O painel reuniu Gabriel Porto, vice-presidente de Marketing e Produtos do Sem Parar; Gilmar Pereira Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo; Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil; e Rodrigo Zambon, CEO do Pedágio Digital. A mediação foi de Cauê Lira, editor-assistente de Autoesporte.
Painel sobre mobilidade e conectividade no Summit Futuro da Mobilidade 2026
Ícaro Cerqueira/RN Imagem
Transporte coletivo elétrico e conectado
Marcello Schneider, da BYD, defendeu que o avanço do transporte coletivo eletrificado no Brasil não tem mais volta. A tendência é que ônibus mais modernos e cidades inteligentes caminhem lado a lado para criar um ambiente mais confortável — até para os motoristas, que passam horas e horas ao volante destes grandes veículos.
“A BYD já produz ônibus elétricos desde 2015. Com eles, os motoristas têm mais conforto e não precisam trocar de marcha. Acredito que é uma via sem volta. No Rio de Janeiro, em 2027, 175 ônibus elétricos já serão implementados para testes”, afirmou.
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“Os operadores de transporte não querem mais voltar atrás. Eles perceberam os ganhos financeiros ao final do mês com a redução da manutenção e do custo operacional, além do menor absenteísmo dos motoristas pelo conforto a bordo”, observou o diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil.
Ônibus elétricos da BYD foram entregues às prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro
Divulgação
Ainda de acordo com o executivo, após a adoção do novo transporte, os passageiros paulistanos preferem esperar no ponto até que um ônibus elétrico apareça — e só então embarcam. “A população percebeu a mudança. Em pesquisas recentes, vimos passageiros que preferem esperar o ônibus elétrico no ponto e deixar passar o ônibus a combustão”, afirmou.
Sobre os ônibus autônomos, Schneider disse que não é impossível sonhar com linhas expressas — corredores e BRT — operando no Brasil em médio prazo. “Em linhas mais controladas [com trajetos por grandes corredores de ônibus], é perfeitamente possível”, ponderou o executivo. Para que isso ocorra, o alcance da internet e da inteligência artificial no trânsito deverá permitir que veículos se comuniquem entre si.
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Fiscalização do trânsito com inteligência artificial ainda não será adotada pela Prefeitura de São Paulo
Vitória Drehmer/Autoesporte
Para o secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, Gilmar Pereira Miranda, os ônibus elétricos só serão eficazes quando estiverem totalmente conectados a outros modais de circulação, como ciclovias e metrô.
“O planejamento urbano de São Paulo busca a integração de modais: do ônibus tradicional à mobilidade ativa com ciclovias, promovendo uma convivência mais inteligente e segura no espaço público”, afirmou.
“A tecnologia e a IA no trânsito nos ajudam a identificar condutas de risco e agir na prevenção de sinistros, tornando a cidade mais segura e sustentável para todos. O nosso grande desafio no planejamento urbano é a infraestrutura de recarga para a frota de ônibus elétricos. Estamos trabalhando junto às distribuidoras de energia e fabricantes para garantir essa transição rápida”, declarou o secretário.
O representante da Prefeitura de São Paulo também falou sobre como a conectividade pode auxiliar na fiscalização. Por enquanto, não há planos de instalar radares com inteligência artificial que flagram o uso de celular ao volante no município, mas Gilmar Pereira Miranda reconhece que este tipo de fiscalização é mais eficaz em rodovias, onde as câmeras já são utilizadas pelas autoridades.
“Nos trechos mais localizados, elas [as câmeras com IA] têm menor eficácia justamente por conta do tamanho do espaço e até do volume de veículos […]. Isso pode, num primeiro momento, não ser recomendado”, afirmou Gilmar Miranda. “Este tipo de fiscalização é mais eficaz nos trajetos estruturantes que compõem a megalópole — rodovias que interligam Campinas, Sorocaba e Santos”.
Soluções tornam o trânsito mais eficiente e poupam tempo
Pedágio free flow opera sem cabines na Rodovia Rio-Santos BR-101 – CCR 4
CCR Rio-SP
Os participantes do painel sobre mobilidade urbana concordam que um trânsito mais conectado, integrado e eficiente preserva o que há de mais valioso para qualquer cidadão do mundo moderno: o tempo.
Na área de serviços, Gabriel Porto, da Sem Parar, aponta a integração digital como tendência. Pagamentos, seguros, pedágios e carregamento de veículos elétricos podem ser reunidos em uma mesma jornada digital: “Hoje já conseguimos trazer uma comodidade muito maior para o condutor, trazendo uma mudança do modelo tradicional de pagamento [de pedágios], além de manter todos as soluções para pagamentos de contas, dívidas através de um único aplicativo”, apontou.
Sem Parar quer agregar pagamentos de recarga de carro elétrico em carregadores de diversas empresas
Divulgação
O executivo da Sem Parar afirmou que a empresa pretende se transformar numa “agregadora” de carregadores para carros elétricos. Atualmente, o motorista precisa ter vários aplicativos instalados para efetuar pagamentos, mas a Sem Parar planeja fechar parcerias com as maiores redes para facilitar a transação.
Segundo Gabriel Porto, um agregador de carregadores com pagamento será útil nas rodovias, onde circular com carros elétricos continua sendo uma questão delicada por conta da autonomia. Além da praticidade, efetuar o pagamento por um app deixará a viagem mais rápida.
Desafio da adoção do pedágio free flow é “educar” o motorista old school
Concessionária Tamoios
Os pedágios free flow também foram adotados nas rodovias com essa finalidade. São estações de cobrança sem cabine, que evitam a formação de filas nas estradas e deixam o trajeto mais dinâmico.
Para Rodrigo Zambon, do Pedágio Digital, o desafio do free flow é acompanhar a velocidade da evolução tecnológica com a adaptação dos usuários. “O pedágio digital vem para ser uma solução na sua jornada de mobilidade”, afirma. Segundo o executivo, a digitalização também abre espaço para novas soluções a partir dos dados gerados pelos sistemas.
No entanto, o o CEO do Pedágio Digital reconhece os desafios da adoção da tecnologia, especialmente para os motoristas da “velha escola”, que não se ligam na conectividade. “Temos que oferecer soluções fáceis para todos, mesmo para o cliente que deseja pagar com cartão ou dinheiro”, afirma Zambon.
O Summit Futuro da Mobilidade 2026 teve patrocínio de BYD, GAC e Ford.
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