
O efeito da guerra de preços dos novos carros chineses no mercado de usados começou pelos SUVs médios seminovos. Agora, são os SUVs compactos usados que também começam a sofrer os efeitos do avanço dos chineses no mercado brasileiro.
A entrada de modelos como BYD Song Pro, GWM Haval H6, GAC GS3, GAC GS4, Geely EX5 EM-i e Omoda 5, focados em custo-benefício e com preços extremamente competitivos entre os modelos zero-quilômetro, já está derrubando o preço e elevando o tempo em estoque de modelos tradicionais no mercado de usados e seminovos, como Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta.
Os revendedores ainda não sofrem tanto com esses modelos parados nas lojas, mas o tempo que eles levam para serem vendidos vem crescendo de modo significativo. Além disso, trabalhar com preços acima da Tabela Fipe tem sido cada vez mais difícil. Por isso, o número de anúncios abaixo do indicado na tabela comprovam isso.
Antigamente, era comum ver um Volkswagen T-Cross seminovo, queridinho dos brasileiros, sendo vendido acima da Fipe. Atualmente, qualquer unidade ano-modelo 2024, por exemplo, já sofre grande pressão no valor praticado pelo mercado em geral. Nas principais plataformas como de compra e venda de seminovos, é possível encontrar dezenas de anúncios com valores R$ 10 mil abaixo da Fipe. Em um dos casos que encontramos, a redução chega a R$ 20 mil.
Volkswagen T-Cross tem diversas versões vendidas abaixo da Fipe
Renato Durães/Autoesporte
O cenário é o mesmo para outros modelos como Hyundai Creta e Jeep Renegade. Diversas unidades dos dois modelos são vendidas no mercado de usados com valores até R$ 15 mil menores do que a Fipe para a versão equivalente. Vale ressaltar que não estamos falando de unidades com alta quilometragem. Mesmo opções bem conversadas e com baixa quilometragem aparecem com preços abaixo do sugerido pela tabela.
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Além dos grandes descontos, o tempo de estoque de um SUV compacto aumentou. Isso se comprova pelo Market Day Supply (MDS) da Indicata, empresa do grupo Autorola especializada em inteligência de dados para operações com veículos usados no setor automotivo. O MDS traduz a atratividade de cada modelo no mercado de usados e seminovos em um índice que compara a quantidade de um veículo em estoque com a quantidade vendida nos últimos dias.
Jeep Renegade também sentiu o efeito da chegada dos chineses
Renato Durães/Autoesporte
Quanto menor o coeficiente, mais rápido um modelo costuma girar nos estoques das lojas e, portanto, mais atrativo é para o consumidor. A média de pontuação do mercado brasileiro é 55.
No começo de 2025, o volume de Volkswagen T-Cross estocado nas revendas era suficiente para abastecer o mercado por até 44 dias, bem abaixo da média nacional, mas atualmente seu MDS subiu para 54. Isso mostra que a atratividade do SUV está menor e cada unidade tem levado mais tempo para ser revendida. Tal fenômeno pressiona os preços para baixo.
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Seguindo o mesmo raciocínio, o volume de Jeep Renegade nas lojas era suficiente para abastecer o mercado durante 47 dias no começo do ano passado. Agora, o coeficiente do SUV da Stellantis é 57. No caso do Hyundai Creta, o número subiu de 47 para 58 no mesmo período. Ou seja, os dois modelos já estão com MDS acima da média nacional.
Lucio Groch, gerente de vendas da Indicata, falou um pouco sobre esse cenário, durante entrevista exclusiva para o programa CBN Autoesporte que foi ao ar nesta sexta-feira (4):
“No segmento de SUVs compactos, já vemos essa maior pressão acontecendo. Todos os segmentos acima dos hatches compactos estão sendo afetados, mas em graus diferentes. Vemos grandes grupos concessionários sofrendo com isso, pois os estoques estão parando de girar. Ter um giro de estoque saudável é muito importante e, quando isso não acontece, surgem grandes problemas por causa do capital parado”, Lucio Groch, gerente de vendas da Indicata.
Quando essa pressão vai chegar nos hatches compactos?
Geely EX2 e BYD Dolphin Mini devem balançar o mercado de hatches compactos seminovos em breve
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Na visão do especialista da Indicata, esse movimento ainda não chegou, mas também vai afetar o segmento de hatches compactos. Isso porque avanço das marcas chinesas nesse segmento ganhou força desde o final do ano passado, com o lançamento de uma renovação do BYD Dolphin Mini e o Geely EX2, seguido pelas seguintes novidades em 2026: GAC Aion UT e MG 4 Urban. Ainda veremos, em breve, o Baic Arcfox T1 e o DFM Box estreando no país.
Até o final do ano passado, esse segmento tinha apenas BYD Dolphin e BYD Dolphin Mini com alto volume de vendas no mercado de novos e chegando cada vez mais unidades nas revendas de seminovos. Agora, não apenas as vendas da BYD no segmento estão crescendo como os concorrentes mais do que dobraram, com preços que começam em R$ 120 mil e avançam até R$ 160 mil, concorrendo diretamente com Hyundai i20, Volkswagen Polo e Chevrolet Onix:
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“A pressão sobre os hatches tradicionais no mercado de seminovos ainda é muito pequena. Ela existe por causa do BYD Dolphin e Dolphin Mini, mas de forma bem leve. Não é como acontece nos SUVs compactos e médios, por enquanto. O cenário vai mudar, ainda mais com lançamentos que podem chegar próximos dos R$ 110 mil, como o DFM Box”, analisa o gerente de vendas da Indicata.
Segundo Groch, o movimento começou nos segmentos que já citamos acima e está avançando também no mercado de luxo. No caso dos hatches, é questão de tempo para que os preços dos seminovos tradicionais comecem a sentir os efeitos.
GAC Aion UT foi lançado recentemente no Brasil e levará um tempo para ganhar volume no mercado de seminovos
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Olhando para os anúncios de Hyundai HB20, Fiat Argo e Volkswagen Polo, todos ano-modelo 2024, com dois anos de uso e preços abaixo de R$ 100 mil, as ofertas abaixo da Tabela Fipe ainda ainda são raras, mas já começam a aparecer.
Para hatches compactos flex, o tempo médio de estoque, segundo o índice MDS da Indicata, ainda fica abaixo da média nacional: Volkswagen Polo (49) e Hyundai HB20 (50) são exemplos. Mesmo o Chevrolet Onix, que enfrentou a forte crise da correia banhada a óleo, mantém um índice de 52.
Entretanto, esses números são maiores do que os registrado por BYD Dolphin Mini (28), BYD Dolphin (38) e Geely EX2 (40). O Dolphin Mini, aliás, é o modelo com o menor coeficiente de tempo de estoque no Brasil, segundo a Indicata. Mas aqui vale uma ressalva: por terem sido lançados há menos tempo, esses hatches elétricos têm uma presença bem menor no mercado de seminovos e, por isso, o tempo de estoque também é menor, pois há menos unidades sendo oferecidas.
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