
Como nasce um aficionado por carros? Mais do que isso, um aficionado por carros de apenas uma marca? Se algumas crianças dos anos 80 eram fissuradas por seus clubes de futebol, o colecionador Matheus Huttembergue Lima tinha outra obsessão: a Fiat, marca que completa 50 anos no Brasil em 2026.
Nascido em Pedreira (SP), Matheus se encantou pela Fiat antes de saber ler. Folheando revistas automotivas aos quatro anos, tentava interpretar as fichas técnicas enquanto balbuciava as poucas palavras que entendia. Hoje, aos 41 anos, o garoto “fieteiro” criou uma das maiores coleções dedicadas a uma marca que se tem registro no Brasil — e ele compartilha tudo em seu canal no YouTube (Arquivo Fiat) e no Instagram (@mhl.antigosfiat).
O colecionador esteve com Autoesporte em duas oportunidades. Em 2024, para celebrar os 40 anos do lançamento do Uno, cedeu um Mille para uma reportagem especial. No ano seguinte foi a vez do único Stilo Abarth na cor Azul Vitality ser o personagem do nosso especial de carros clássicos. Hoje, ele mesmo é o personagem de uma merecida reportagem por aqui.
Obsessão que não se explica
Fiat Uno marcou a infância do colecionador Matheus Huttembergue
Matheus Huttembergue/Acervo pessoal
Em entrevista para Autoesporte, Matheus contou que a paixão pela Fiat não vem de família. Seu pai trocava de carro com frequência, mas tratava-se mais de um instrumento para ir do ponto A ao B, sem muitas vaidades. Em uma de suas memórias mais longínquas, de meados de 1989, Matheus se recorda que a concessionária de Amparo, cidade vizinha de Pedreira, trouxe carros da Fiat para uma exposição durante o Festival da Porcelana, um evento tradicional do município.
“Foi ali, na ocasião em que essas fotos foram tiradas, que tive meu primeiro contato com o Uno 1.5 R amarelo. Para uma criança de quatro anos que gostava de automóveis, entrar num carro cheio de ponteiros [o famoso painel de instrumentos], com cinto de segurança vermelho, volante com faixa e a carroceria amarela foi algo marcante”, diz.
Aquele Fiat Uno 1.5 R se tornou a referência de um carro legal para o garoto e jamais saiu de sua memória.
Matheus Huttembergue e o Fiat Uno 1.5 R; onde tudo começou para ele
Matheus Huttembergue/Acervo pessoal
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte.
Neste mesmo festival, do outro lado da rua, havia a exposição de um concessionário da Volkswagen, mas Matheus não se interessou em conhecê-lo. “Meu pai pediu para tirar uma foto ao lado de um Fusca. É a única em que não apareço sorrindo”, conta.
Matheus posou ao lado do Fusca — mesmo contrariado
Matheus Huttembergue/Acervo pessoal
No início dos anos 90, seu pai trocou o Fusca da família por um Corcel II LDO. Convicto de sua paixão pela Fiat, Matheus passou a pressioná-lo a adquirir um Uno — mas não qualquer Uno: deveria ser especificamente um ELX na famosa cor verde Itajaí. Eles foram juntos à concessionária da Fiat em Amparo, onde descobriram que o carro só estava disponível para encomenda, com espera mínima de 120 dias.
Fiat Stilo Abarth tinha itens de BMW e teto solar mais estiloso do mundo
Vídeo: Fiat Uno faz 40 anos como um dos carros mais importantes do Brasil
Fiat 50 anos: como é e o que mudou na maior fábrica de carros do Brasil
Durante a negociação houve a desistência de um outro cliente, o que poderia encurtar o prazo do recebimento do tão sonhado Uno ELX. Mas, para fechar negócio, o vendedor sugeriu o pagamento de um valor adicional:
— Ah, isso é ágio — afirmou Matheus, aos nove anos. Ele aprendeu o significado do pagamento adicional em uma revista automotiva.
— Cala a boca, moleque! — esbravejou seu pai.
Colecionador aprendeu a dirigir no Fiat Uno da familia aos 14 anos
Matheus Huttembergue/Acervo pessoal
Por conta da gafe na frente do vendedor, o negócio não rolou. Meses depois, o pai de Matheus comprou outro Uno, mas não na tão sonhada cor verde Itajaí que o garoto propôs. Não demorou para o garoto crescer e aprender a dirigir, ainda aos 14 anos.
“Quando não havia ninguém em casa, eu manobrava o carro dentro da garagem. Aprendi a ‘pegar’ o ponto da embreagem dessa forma. Quando ganhei confiança, passei a tirar o Uno da garagem — e aí comecei a dar voltas no quarteirão”, afirmou.
O Fiat Uno EP na garagem da família, em Pedreira (SP)
Matheus Huttembergue/Acervo pessoal
Aos 17 anos, juntou todas as suas economias e vendeu a motocicleta que tinha para adquirir o seu primeiro Mille. O carnê da negociação está guardado até hoje em seu acervo pessoal. Na época, a intenção não era iniciar uma coleção de carros clássicos.
O segundo Fiat de Matheus foi um Palio que utilizava para deslocamentos diários. Depois, já em meados de 2011, adquiriu um Fiat Stilo em estado zero-km. O veículo estava encalhado em uma concessionária do interior do Paraná por conta da reputação do polêmico câmbio automatizado. Para realizar o sonho de adquirir o seu primeiro hatch médio, o colecionador topou o esforço.
O início da coleção
Initial plugin text
Com o tempo, os carros começaram a se acumular. Criar uma coleção totalmente dedicada à Fiat parecia inevitável, mas Matheus não se importava com a exclusividade. Desde cedo, embora tenha se apaixonado pelo Uno 1.5 R em 1989, preferia as versões mais simples.
“O Uno 1.5 R era o sonho do motorista brasileiro. Mas, no dia a dia, ele andava de Mille”, contou o colecionador de 41 anos. Por isso, até hoje, o único esportivo em sua garagem é o Stilo Abarth na cor Azul Vitality, o único nesta configuração produzido no Brasil. O hatch pertenceu ao engenheiro Cláudio Demaria, ex-diretor da Fiat. Autoesporte já produziu uma reportagem especial sobre este carro, que foi produzido “na surdina” e rendeu uma grande bronca a um setor da fábrica de Betim.
A atual coleção de Matheus segue crescendo: Tempra duas portas, Marea, Siena MTV, Palio e Stilo são alguns dos modelos que compõem o acervo atual. Como todo colecionador, a lista se torna volátil por conta do vai e vem. É o caso do Mille que ele cedeu para uma pauta da Autoesporte, que hoje se encontra com um novo dono.
E até onde essa coleção pode chegar? Matheus tem uma lista de modelos emblemáticos em mente. Hoje ele procura uma das poucas unidades do Bravo 1998 europeu que foram trazidas ao Brasil. O Fiat Barchetta, a versão roadster do Coupé, também seria um golpe de oportunidade, embora seja raríssimo na América do Sul.
Fiat Barchetta era a versão “roadster” do Coupé
Reprodução
Ainda que não morra de amores pelo Fiat 147, o colecionador gostaria de uma unidade no acervo. Mas teria de ser especificamente o Fiat 147 C, na cor branca. Outro carro que não desperta tanto entusiasmo é o Fiat Coupé, modelo que poderia servir mais para “completar figurinha”, em suas palavras.
Fiat 147 pode pintar na coleção de Matheus Huttembergue nos próximos meses
Divulgação
Mas como o colecionador tem predileção por carros mais simples, o resto da lista pode soar um tanto quanto… diferente. Ele gostaria de um Linea T-Jet, mas apenas na cor Vermelho Magma, com interior Sabaa. O Siena com câmbio de seis marchas também desperta desejo, mas apenas com carroceria branca e para-choque preto. “Reconheço que as pessoas não dão valor a essa configuração”, disse o colecionador.
Para completar o acervo dos sonhos, Matheus busca um Idea HLX na tonalidade Laranja Evolution, com teto solar. Por fim, o Uno furgão com motor 1.5 MPI que já fez parte de sua coleção. “Tive um, mas o pneu estourou durante uma curva. O carro capotou e deu perda total”, lamentou.
Para se manter atualizado sobre a coleção de Matheus Huttembergue, você pode conferir o canal “Arquivo Fiat” no YouTube.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Mais Lidas ——– Fonte: Read More
Fonte: https://autoesporte.globo.com/ultimas-noticias/
