
A Stellantis divulgou nesta quinta-feira (26) o balanço financeiro de 2025. A empresa, dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram, reportou prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros (R$ 134,9 bilhões, na conversão direta).
No relatório, a empresa afirma que a principal razão para as perdas consideráveis no ano fiscal é um gasto extraordinário de 25,4 bilhões (R$ 153,9 bilhões) para mudar a estratégia de produtos do grupo. Em outras palavras, a Stellantis admitiu que houve um erro no planejamento anterior, em que acreditava que a transição energética para veículos eletrificados (elétricos e híbridos) seria mais rápida.
“Os nossos resultados para o ano fiscal de 2025 refletem o custo de termos sobrestimado o ritmo da transição energética e a necessidade de reestruturar o nosso negócio, centrando-o na liberdade dos nossos clientes de escolherem entre toda a gama de tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna”, disse, em nota, o CEO da Stellantis, Antonio Filosa.
Ram 1500 Revolution elétrica teve o desenvolvimento cancelado pela Stellantis
Divulgação
A fala de Filosa reforça um conjunto de ações da Stellantis para tentar se reconectar com os clientes, principalmente na América do Norte. Na região, o grupo decidiu cancelar o desenvolvimento de uma versão elétrica da Ram 1500, além de trazer de volta o motor V8 para a picape grande. Na Europa, o Fiat 500, até então exclusivamente elétrico, recebeu recentemente uma versão híbrida leve, usando como base o motor 1.0 de três cilindros da família Firefly. É um conjunto similar ao usado nos Fiat Pulse e Fastback e Peugeot 208 e 2008 vendidos no Brasil.
De forma geral, a Stellantis é mais uma empresa do setor automotivo a dar um passo atrás na transição para veículos elétricos. O grupo anunciou (e lançou) uma série de modelos híbridos, como o novo Jeep Cherokee. O modelo inclusive é cotado para chegar ao Brasil.
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Resultados já são vistos
Além do prejuízo líquido de R$ 135 bilhões, a Stellantis também registrou queda de 2% no faturamento em 2025, alcançando R$ 930,8 bilhões em ganhos no período (153,3 bilhões de euros). Ainda assim, o grupo parece ter voltado ao caminho dos bons resultados sob o comando de Antonio Filosa, ex-CEO da operação na América Latina.
O executivo assumiu o posto em maio de 2025, e tem promovido mudanças consideráveis na gestão da empresa. No segundo semestre do ano passado, a Stellantis registrou aumento de 11% nas vendas, alcançando 2,8 milhões de entregas em todo o mundo.
Nos EUA, a Ram 1500 voltou a ser oferecida com motor V8
Renato Durães/Autoesporte
“No segundo semestre do ano, começamos a observar os primeiros sinais positivos de progresso, com os resultados iniciais de nossos esforços para aprimorar a qualidade, a forte execução dos lançamentos de nossa nova linha de produtos e o retorno ao crescimento da receita. Em 2026, nosso foco será continuar a sanar as lacunas de execução do passado, impulsionando ainda mais nosso retorno ao crescimento lucrativo”, disse o italiano.
Ainda que o fluxo de caixa da empresa tenha ficado 1,5 bilhão de euros menor no segundo semestre de 2025, o resultado representa melhora de 50% em relação ao resultado do primeiro semestre e de 73% na comparação com o mesmo período de 2024, quando a Stellantis ainda era liderada pelo português Carlos Tavares.
Planos para 2026
Em 2026, a Stellantis pretende seguir no caminho da recuperação financeira. No comunicado divulgado nesta quinta-feira, a empresa afirma que aposta em modelos como o novo Dodge Charger SIXPACK, equipado com motor de seis cilindros em linha, além da Ram 1500 com motor V8.
Para a América do Sul, o grupo citou especificamente a picape Ram Dakota, recém-lançada no Brasil. Vale lembrar que, por aqui, ainda há outros lançamentos relevantes e de maior peso até do que a caminhonete.
O novo Fiat Argo chega para ser o carro mais vendido do grupo. Já a Jeep vai entrar em um novo segmento com o Avenger.
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