
O Honda WR-V usado é uma das compras mais racionais do segmento de SUV compacto, e tem uma trajetória incomum no Brasil. O modelo nasceu em 2017 como uma espécie de Fit levantado, ganhou reestilização e uma versão de entrada em 2020, saiu de linha em 2022 e voltou em outubro de 2025 completamente diferente, agora sobre outra plataforma e produzido em outra fábrica.
Essa mudança de rota é o que torna a escolha entre as versões usadas do Honda WR-V mais interessante do que parece — e três dessas variantes têm boas ofertas no Mercado Livre a partir de R$ 66.977.
Entre a configuração mais barata desta lista e a mais cara há oito anos de diferença, 6,8 cm a mais de entre-eixos, 95 litros a mais de porta-malas e um pacote de assistência à condução que não existia no início, além de mudanças ainda mais profundas no projeto.
Confira as três alternativas e veja qual delas atende ao seu bolso. Os preços foram apurados em julho de 2026 no Mercado Livre e podem variar conforme o ano-modelo, a quilometragem e o estado de conservação.
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1. Honda WR-V EX (2018-2020): a partir de R$ 66.977
Honda WR-V nasceu do Fit de terceira geração e mantém o banco traseiro com Magic Seat
Honda/Divulgação
Quando o WR-V estreou por aqui, em 2017, a gama tinha só duas configurações: EX e EXL. A versão EX era, portanto, a porta de entrada, e é dela que vêm as unidades mais baratas do modelo no mercado de usados. O carro era montado em Sumaré (SP) e derivava diretamente do Fit de terceira geração, tendo chegado para ocupar o lugar do Fit Twist, a variante aventureira do hatch. A sigla, segundo a Honda, quer dizer Winsome Runabout Vehicle — algo como veículo de passeio encantador.
A mecânica do primeiro WR-V incluía o motor 1.5 aspirado de 16 válvulas com comando variável na admissão, o mesmo do Fit, rendendo 116 cv com etanol e 115 cv com gasolina a 6.000 rpm, além de 15,3 e 15,2 kgfm a 4.800 rpm. O câmbio é sempre o CVT e a tração, dianteira.
O apelo esportivo não está na potência, mas na relação peso-potência: com 1.123 kg, o SUV fica em 9,7 kg por cavalo — número melhor que o de vários rivais 1.0 turbo da mesma época. O giro máximo de 6.500 rpm e a resposta linear do propulsor aspirado explicam a aceleração de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos e a velocidade máxima de 168 km/h. A direção é elétrica, com diâmetro de giro de apenas 10,6 m.
Pelos dados do Inmetro, o WR-V dessa época faz 8,1 km/l (E) e 11,7 km/l (G) na cidade e 8,8 km/l (E) e 12,4 km/l (G) na estrada, com tanque de 45 litros. As medidas são de compacto alto: 4,00 m de comprimento, entre-eixos de 2,55 m, porta-malas de 363 litros e altura livre do solo de 20,7 cm — mais que a de vários SUVs da categoria.
A lista de série cobre o essencial com conforto: ar-condicionado, controle de cruzeiro, rodas de liga leve de 16″, vidros e retrovisores elétricos, banco do motorista com ajuste de altura, volante multifuncional com ajuste de altura e profundidade, câmera de ré, faróis de neblina, luzes diurnas, computador de bordo, alarme perimétrico, ISOFIX, freios ABS e airbags frontais e laterais.
O banco traseiro Magic Seat, herança do Fit, permite levantar os assentos e transportar objetos altos no vão dos pés. O que não havia era central multimídia com tela: a EX ficava com o sistema de áudio com CD player, Bluetooth e entrada USB, e o espelhamento de celular era exclusividade da EXL.
Dois detalhes desta safra costumam surpreender quem vem de um carro mais novo: os freios traseiros são a tambor e o estepe é do tipo temporário, um 135/80 R15 fininho embaixo do porta-malas de um SUV com pretensão mais aventureira.
No Mercado Livre, o Honda WR-V EX das safras de 2018 a 2020 aparece a partir de R$ 66.977.
2. Honda WR-V LX (2020-2022): a partir de R$ 80.850
Honda WR-V LX estreou na reestilização de 2020 como nova porta de entrada da linha
Honda/Divulgação
Em setembro de 2020, a Honda reestilizou o WR-V e criou a versão LX justamente para baixar o preço de acesso à gama, que passou a ter três degraus: LX, EX e EXL.
A reestilização foi discreta por fora e generosa por dentro: a grade ganhou desenho horizontal com faixa cromada mais estreita, os faróis foram redesenhados e passaram a ter tecnologia de LED nas versões EX e EXL, as rodas de 16″ receberam acabamento escurecido nessas mesmas duas configurações e o para-choque traseiro cresceu — o que esticou o comprimento total em 7 cm, de 4,00 m para 4,07 m. O friso acima da placa também deixou de ser cromado e passou a ser pintado na cor da carroceria.
O ganho mais relevante, porém, é de segurança e valeu para toda a linha: controle de estabilidade e tração (VSA), assistente de partida em rampa (HSA), alerta de frenagem de emergência (ESS), monitoramento de pressão dos pneus e sensor crepuscular com regulagem de altura do facho. Toda a gama passou a trazer o banco Magic Seat de série.
No WR-V LX, o corte de conteúdo é claro e vale conhecer antes de fechar negócio. Ela fica com faróis principais e de neblina halógenos, mantendo apenas as luzes diurnas de LED, e as lanternas perdem a iluminação em LED de EX e EXL. Por dentro, os bancos são revestidos de tecido com padronagem em relevo, as forrações de porta e o painel usam plástico rígido e o volante e a alavanca do câmbio não têm revestimento de couro.
Também não há controle de cruzeiro, apoio de braço no console central, ar-condicionado digital automático nem as borboletas no volante para trocas sequenciais — itens que o WR-V EX passou a oferecer nessa mesma reestilização. Em segurança, a LX se limita aos airbags frontais, contra os laterais da EX e os seis da EXL.
A diferença mais sentida no dia a dia está na tela: a LX traz uma central de 5” — EX e EXL, por sua vez, usam a multimídia de 7″ com Apple CarPlay e Android Auto, ambos com fio. Ainda assim, a versão de entrada mantém ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos com setas integradas, câmera de ré integrada ao sistema de áudio, Bluetooth, rodas de liga leve de 16″, imobilizador, faróis com acendimento automático, destravamento remoto do porta-malas e tapetes de carpete.
A mecânica não mudou: é o mesmo motor 1.5 de 116 cv com etanol e 115 cv com gasolina, câmbio CVT, entre-eixos de 2,55 m e porta-malas de 363 litros. O consumo homologado pelo Inmetro seguia em 8,1 km/l (E) e 11,7 km/l (G) na cidade e 8,8 km/l (E) e 12,4 km/l (G) na estrada. A capacidade de carga declarada é de 473 kg.
No Mercado Livre, o Honda WR-V LX das safras 2020 a 2022 pode ser negociado a partir de R$ 80.850.
3. Honda WR-V EXL (2ª geração) 2026: a partir de R$ 119.492
Honda WR-V EXL de segunda geração abandonou a base do Fit e tem porta-malas maior que o do HR-V
Renato Durães/Autoesporte
A segunda geração do WR-V não é uma reestilização: é outro carro, completamente diferente e muito mais espaçoso do que havia até então.
Depois de três anos fora do mercado brasileiro, o Honda WR-V voltou outubro de 2025 derivado do Honda Elevate, que compartilha plataforma com o City de sétima geração, e passou a ser montado em Itirapina (SP), e não mais em Sumaré. Como o modelo é recente, praticamente todas as unidades anunciadas como usadas no Mercado Livre são seminovos com pouca quilometragem e garantia de fábrica quase intacta.
O salto de tamanho é o que mais chama atenção: são 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,65 m de altura e entre-eixos de 2,65 m — maior que o de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. A altura livre do solo subiu para 22,3 cm e as rodas passaram a ser de 17″. O porta-malas leva 458 litros (mais que o do HR-V) e chega a 1.466 litros com o banco traseiro rebatido — praticamente 100 litros a mais que na geração anterior.
O motor também é novo: um propulsor 1.5 flex de quatro cilindros com duplo comando de válvulas no cabeçote e injeção direta, que rende 126 cv e 15,8 kgfm com etanol ou 15,5 kgfm com gasolina a 4.600 rpm. O câmbio segue CVT, agora com sete marchas simuladas e borboletas no volante para trocas manuais, em recurso que dá algum tempero à condução.
Com 1.278 kg na versão EXL, a relação peso-potência fica em 10,1 kg por cavalo. Segundo o Inmetro, o SUV faz 8,2 km/l (E) e 12 km/l (G) na cidade e 8,9 km/l (E) e 12,8 km/l (G) na estrada, em resultado que rendeu selo B de eficiência energética do Inmetro e coloca o aspirado em vantagem sobre boa parte dos 1.0 turbo do segmento.
As duas configurações da nova geração nova saem de fábrica com central multimídia de 10″ com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, quadro de instrumentos digital de 7″, seis airbags, câmera de ré multivisão, sensores de estacionamento traseiros, chave presencial com botão de partida, ar-condicionado digital automático com saídas para os bancos traseiros e o pacote Honda Sensing completo, que reúne controle de cruzeiro adaptativo (ACC), alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa com correção ativa e ajuste automático do farol alto.
Por ser a topo de gama, a versão EXL acrescenta à EX faróis de neblina em LED, barras longitudinais no teto, bancos e volante revestidos de couro, carregador de celular por indução, apoio de braço central com porta-copos para quem viaja atrás e o serviço myHonda Connect, que permite acionar funções do carro pelo aplicativo.
Ou seja: o que separa as duas versões é conforto e aparência, porque o pacote de segurança e a mecânica são idênticos. O item mais fora do comum não está na ficha de equipamentos, mas na papelada; isso porque a Honda lançou a geração com garantia total de seis anos sem limite de quilometragem, algo inédito entre os SUVs de entrada no país e um argumento de peso na compra de um seminovo.
No Mercado Livre, o Honda WR-V EXL de segunda geração tem anúncios a partir de R$ 119.492.
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