Hyundai i20 Ultimate 2027: 5 razões para comprar e 5 motivos para pensar bem


O Hyundai i20 parece ainda não ter mostrado todo o potencial de vendas no Brasil. No melhor resultado mensal até agora, foram cerca de 3 mil exemplares, uma fração do que o HB20 fez no início de 2026. Aliás, a sombra do hatch mais barato pode estar atrapalhando o desempenho do novato por aqui. Isso deve mudar em um futuro nem tão distante, com o possível fim da produção do HB20 depois de quase 15 anos e a chegada de novas versões do i20.
Com ou sem a sombra do veterano, o Hyundai i20 representa um salto em conforto e tecnologia que coloca a marca sul-coreana como uma boa opção entre hatches compactos e SUVs de entrada. Isso porque o modelo, em sua versão topo de linha, Ultimate, aqui testada, sai por R$ 139.990, mesma faixa de Volkswagen Tera High, Chevrolet Sonic RS, Renault Kardian Iconic e Fiat Pulse Audace MHEV.
Autoesporte mostra, nos próximos parágrafos, cinco razões para comprar o Hyundai i20 Ultimate 2027 e cinco motivos para pensar bem. Confira:
Hyundai i20 – Razões para comprar
1) Equipamentos de série
Hyundai i20 Ultimate tem freio de estacionamento eletrônico
Murilo Góes/Autoesporte
Como toda boa versão topo de linha, o i20 Ultimate oferece um pacote de equipamentos de conforto bastante caprichado. Começando pelo freio de estacionamento eletrônico, item presente apenas no Honda City e Renault Kardian entre rivais diretos.
Também há rodas de 17 polegadas, bancos de couro, faróis de LED com projetor, faróis e lanternas interligados por uma barra luminosa, ar-condicionado digital e automático, carregamento de celular por indução e central multimídia de 10,25″ com espelhamento sem fio, respostas rápidas e layout intuitivo, acesso por chave presencial e partida por botão.
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Além disso, o pacote de segurança traz seis airbags e um pacote Adas de segurança ativa completo, baseado em câmeras e radares. O funcionamento dos recursos está descrito no próximo item.
Carregador de celular por indução fica no console central do Hyundai i20 Ultimate
Murilo Góes/Autoesporte
2) Adas funciona muito bem
O pacote de assistência avançada ao motorista (Adas) do Hyundai i20 Ultimate é, sem dúvida, um dos maiores trunfos do hatch compacto, principalmente considerando que, muitas vezes, os sistemas de marcas que não são de luxo têm funcionamento impreciso, devido às simplificações de projeto.
Pacote Adas do Hyundai i20 Ultimate mantém bem o carro na faixa
Murilo Góes/Autoesporte
No caso do i20, os auxílios têm como base dados e imagens captados por câmeras e radares. O pacote inclui frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e alerta de ponto cego, além de controle de cruzeiro adaptativo (ACC).
A calibração é bastante refinada na prática. As ajudas eletrônicas intervêm no momento exato, sem serem intrusivos ou causarem sustos desnecessários ao condutor. Essa eficiência passa muita confiança para quem está ao volante, tornando longas viagens ou congestionamentos urbanos menos estressantes.
3) Espaço interno
Entre-eixos do Hyundai i20 é maior que o de SUVs como Renegade e Fastback
Murilo Góes/Autoesporte
Hatches compactos que penalizam o espaço no banco traseiro estão ficando no passado. O i20 Ultimate é mais uma prova de que é possível ter conforto para todos os passageiros com um generoso entre-eixos de 2,58 metros. É 1 cm mais que um Jeep Renegade e 5 cm extras em relação ao Fiat Fastback. Tudo graças à nova plataforma K3, compartilhada com a Kia, e que também dará origem ao Bayon.
Na prática, mesmo adultos com estatura acima da média terão conforto para joelhos e cabeça. Para completar, o assoalho traseiro conta com um túnel central de perfil mais baixo, o que facilita a acomodação de um terceiro ocupante no meio. Só o que pode incomodar é o console central prolongado, que invade o espaço para as pernas na posição do meio na versão Ultimate.
4) Porta-malas
Porta-malas de 346 l do Hyundai i20 Ultimate tem acesso facilitado para cargas
Murilo Góes/Autoesporte
Uma das maiores surpresas positivas do Hyundai i20 é o porta-malas de 346 litros, um volume que flerta com o de muitos SUVs de entrada e deixa para trás a concorrência tradicional (que costuma estacionar na casa dos 300 litros).
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O formato regular e as caixas de roda pouco invasivas permitem acomodar malas grandes e compras sem precisar brincar de “tetris” com a bagagem. Para completar, a borda da tampa do porta-malas é baixa, facilitando o acesso de cargas maiores e/ou mais pesadas.
5) Frenagem exemplar
Com freios a disco nas quatro rodas, Hyundai i20 para antes dos rivais
Murilo Góes/Autoesporte
Apenas as versões de topo do Hyundai i20 trazem freios a disco nas quatro rodas. O sistema mais sofisticado aparentemente faz o investimento extra valer a pena. Em nossos testes no Rota 127 Campo de Provas, o i20 se mostrou uma referência entre carros compactos, freando de 100 km/h até 0 em apenas 37,1 metros.
O segundo melhor no segmento, Volkswagen Tera, precisou de 30 cm a mais. Renault Kardian (38,6 m), Chevrolet Sonic (40,7 m) e Fiat Pulse (42,3 m) registraram marcas bem piores. O mesmo aconteceu nos ensaios freando a partir de 80 km/h e 60 km/h. Neste último, foram apenas 13,4 m de distância, melhor até que o Omoda 7, por exemplo, um SUV médio com discos e pastilhas consideravelmente maiores.
Hyundai i20 – Motivos para pensar bem antes de comprar
1) Acabamento
Única tira de tecido nas portas do Hyundai i20 fica no apoio de braço
Murilo Góes/Autoesporte
Apesar do emblema “Ultimate” e do preço já encostando nos R$ 140 mil, o acabamento interno do Hyundai i20 quebra a expectativa gerada. Há excesso de plásticos rígidos no painel e nas portas que, embora apresentem bons encaixes e texturas aceitáveis, entregam um aspecto simples. Faltam materiais emborrachados para melhorar a sensação de qualidade percebida.
Em uma realidade de marcas chinesas trazendo bons materiais, mesmo em segmentos de entrada, a discrepância fica ainda mais evidente.
2) Desempenho
Hyundai i20 Ultimate tem potência mais baixa entre os rivais diretos
Murilo Góes/Autoesporte
Quando o motorista exige mais do pedal do acelerador, a realidade não acompanha a ousadia do visual: o i20 Ultimate TGDi levou longos 11,3 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Isso mostra que talvez os 115 cv de potência e 17,5 kgfm de torque do hatch talvez já estejam ficando insuficientes para o segmento.
Com exceção do Volkswagen Tera (11,6 s), o i20 se sai pior que todos os rivais diretos. Alguns deles, como Fiat Pulse e Jeep Avenger, cumprem a prova em menos de 10 segundos. No uso cotidiano, o i20 apresenta desempenho aceitável, embora com algum atraso na resposta do acelerador. Vale lembrar que a eletrificação, embora compatível com a plataforma K3, ainda não está disponível para o hatch.
3) Posição das luzes de ré
Hyundai i20 Ultimate reposicionou luzes de seta, mas manteve a ré no para-choque
Murilo Góes/Autoesporte
Se a Hyundai colocou as luzes de seta traseiras na posição correta no i20, subindo-as do para-choque traseiro para os nichos das luzes de freio e resolvendo uma questão problemática do HB20, um outro detalhe de design criticado no veterano continua como a antes: as luzes de ré, embora agora sejam duas e não mais apenas uma, seguem alojadas no para-choque traseiro.
Além da quebra estética, essa localização inferior torna as luzes muito mais vulneráveis a pequenas batidas de estacionamento ou encostadas em guias, encarecendo eventuais reparos que afetem a lente. Do ponto de vista prático, a visibilidade por outros motoristas também é prejudicada, sobretudo em distâncias mais próximas.
4) Ângulos de transposição
São apenas 16,5 cm de vão livre, além de balanços generosos no Hyundai i20
Murilo Góes/Autoesporte
A Hyundai até tentou colocar o i20 em um segmento entre hatches e SUVs compactos, dando margem para interpretações de que o modelo seria um “crossover”. Mas a carroceria deixa claro que estamos diante de um hatch, com seus prós e contras.
Apesar da agilidade no trânsito e facilidade para estacionar, a frente do i20 raspa com facilidade em valetas, lombadas e rampas de garagem. O ângulo de ataque de apenas 13,9° e o modesto vão livre do solo de 16,5 cm fazem o i20 sofrer na topografia de São Paulo (SP). Os grandes balanços dianteiro e traseiro tampouco contribuem para essa situação.
5) Quadro de instrumentos nem tão digital
Painel de instrumentos digital tem apenas uma tela pequena configurável
Murilo Góes/Autoesporte
A Hyundai afirma que o i20 Ultimate tem “painel de instrumentos digital colorido de 12,3 polegadas”. Porém, apenas uma pequena porção central, de 4,2 polegadas, é configurável. É como se fosse um computador de bordo de modelos de anos anteriores.
O restante da tela utiliza números iluminados por LED de contorno fixo que simulam ponteiros. Essa solução passa uma forte sensação de corte de custos e se mostra incompatível com uma versão topo de linha. A própria marca possui, em outros modelos, telas realmente grandes e integralmente digitais. Na concorrência, todos trazem soluções mais modernas.
Teste – Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027
Hyundai i20 Ultimate 2027 – Ficha técnica
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