Jetour S06 Premium: 5 razões para comprar e 5 motivos para pensar bem


O Jetour S06 é mais um SUV médio chinês com propulsão híbrida plug-in. Com o diferencial de um desenho ousado e cheio de personalidade, além de preço de compra convidativo, tenta roubar clientes de modelos de marcas instaladas há mais tempo no Brasil.
A versão topo de linha, Premium, custa R$ 229.900, até R$ 20 mil menos que rivais diretos. Entre os destaques, estão um excelente gerenciamento de bateria, além de possibilidade de recarga rápida em aparelhos de corrente contínua (DC). Por outro lado, o porte menor e o porta-malas pequeno podem afastar compradores.
Autoesporte testou o Jetour S06 Premium e mostra, a seguir, cinco razões para comprar o SUV e cinco motivos para pensar bem. Confira:
1. Gerenciamento de bateria e recarga rápida
Jetour S06 Premium tem plugues de recarga AC e DC e recebe até 40 kW
Cauê Lira/Autoesporte
Um dos maiores trunfos do S06 Premium está no gerenciamento do sistema híbrido. A bateria de 19,4 kWh é menor do que a de alguns rivais (BYD Song Plus e Geely EX5 EM-i estão na casa dos 26 kWh), mas o gerenciamento inteligente faz com que o uso urbano seja praticamente todo feito em modo elétrico. Durante nosso período com o S06, sempre com ar-condicionado ligado e majoritariamente na cidade, projetamos alcance de 105 km, bem mais do que os 70 km homologados no Inmetro.
O uso cotidiano também mostra que, quase, a tração é elétrica, vinda do motor dianteiro de 204 cv e 31,6 kgfm. São pontuais os momentos de ação do 1.5 turbo de 135 cv e 20,4 kgfm. Outro ponto positivo é a possibilidade de carregar o Jetour S06 Premium em aparelhos rápidos usando corrente contínua (DC). Nesse caso, a potência máxima é de 40 kW, abaixo apenas dos 60 kW do Geely EX5.
2. Clareza nas informações do sistema híbrido
Central multimídia do Jetour S06 Premium mostra de forma clara e objetiva parâmetros da bateria
Cauê Lira/Autoesporte
Além do ótimo gerenciamento de bateria, o Jetour S06 mostra de forma bastante clara as informações relacionadas ao sistema híbrido plug-in na tela de 15,6 polegadas da central multimídia. Além do menu específico que permite acompanhar o consumo em tempo real, estado da bateria e fluxo de energia, há atalhos para alternar entre modo híbrido e elétrico e o chamado SOC (estado de carga), que “trava” o uso da bateria em um nível mínimo pré-determinado e, a partir daí, usa o motor a combustão para recarregar.
Além disso, também é por ali que o motorista regula o nível de regeneração. No mais forte deles (são 3 opções), a potência máxima de recarga passa de 20 kW em descidas mais íngremes, por exemplo.
3. Entrega suave de desempenho
Jetour S06 Premium vai de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos
Divulgação
Falaremos mais adiante sobre os polêmicos números de potência do Jetour S06 Premium. Neste tópico, vamos nos ater a como os cavalos são entregues ao motorista. A calibração do conjunto privilegia o uso do modo elétrico. Logo, não falta força para sair de semáforos, por exemplo. Afinal, são mais de 200 cv e 30 kgfm de torque. De acordo com a marca, o SUV vai de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos.
Uma outra boa consequência é o conforto acústico. Já a suspensão traz acerto bastante macio e com amortecedores com pouca carga. Quem gosta de uma tocada mais dinâmica poderá não gostar tanto.
4. Equipamentos de conforto e segurança
Câmeras 360 e bancos com aquecimento e ventilação são destaques na lista de equipamentos
Cauê Lira/Autoesporte
A versão topo de linha Premium tem uma generosa lista de itens de série. O pacote de assistências Adas nível 2 é completo, reunindo controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e assistente ativo de manutenção em faixa com centralização.
No interior, há bancos dianteiros com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, climatização digital de duas zonas com saídas traseiras, iluminação ambiente, teto solar panorâmico com abertura elétrica, carregador de celular por indução e sistema de câmeras com visualização em 360 graus de alta resolução. É um recheio que transmite sensação de segmento superior e cumpre com folga as expectativas de conforto para viagens longas.
Vale lembrar que o Jetour S06 Premium, de R$ 229.900, ainda é mais barato que rivais diretos. O Geely EX5 EM-i Pro Max custa R$ 234.900, GWM Haval H6 PHEV19 sai por R$ 250 mil e BYD Song Plus GS é oferecido por R$ 249.990.
5. Garantia
Jetour S06 Premium tem garantia de 7 anos para o veículo e 8 para as baterias
Cauê Lira/Autoesporte
A cobertura de fábrica do Jetour S06 chega como um dos principais cartões de visitas da marca para desarmar a desconfiança natural do consumidor em relação a uma estreante em nosso mercado (ainda que tenha a força do grupo Chery por trás).
São 7 anos de garantia para o veículo completo, mais do que os 6 anos oferecidos por Geely e BYD (esta última conhecida pela cobertura menor em diversos componentes) e do que os 5 anos da GWM. No caso da Jetour, há peças com prazo mais curto, como velas, pastilhas de freio e vidros (3 meses). A bateria é coberta por 8 anos.
Motivos para pensar bem
1. Potência declarada: qual é o número real?
Jetour não informa a potência combinada de seus carros
Cauê Lira/Autoesporte
O dono de um Jetour S06 não sabe qual é a potência combinada de seu carro. Isso porque a marca chinesa optou por divulgar a soma simples dos 204 cv do motor elétrico com os 135 cv do 1.5 turbo a gasolina. Só que os 339 cv desta conta nunca estão disponíveis integralmente para o motorista, porque a potência máxima nunca é a soma absoluta das potências, já que os motores elétrico e a combustão funcionam de forma plena em situações diferentes, explorando os cenários em que cada um é mais eficiente.
Vale dizer que a Jetour não é a única fabricante que adota a prática. No site, a marca explica da seguinte forma os 339 cv: “Simples soma das potências individuais. Potência não disponível simultaneamente durante o uso”. Como referência, Tiggo 7 PHEV e Jaecoo 7 PHEV, que usam os mesmos motores do Jetour S06, entregam 279 cv de potência combinada.
2. Freio alongado
Um dos pontos mais criticáveis na dinâmica do S06 é o tato do pedal de freio. Por mesclar a frenagem regenerativa do motor elétrico com o circuito hidráulico tradicional a disco, o sistema não entrega uma transição linear. O curso inicial do pedal é preciso, mas logo entra uma segunda fase, bem mais alongada e macia, fazendo com que o motorista precise pisar mais do que o desejado para conseguir parar o SUV.
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Essa sensação “borrachuda” cobra seu preço na confiança do motorista, especialmente em paradas de emergência. Outro incômodo é o som muito perceptível do relé da luz de freio sendo acionado cada vez que o motorista pisa no pedal da esquerda, algo evitável em um veículo de mais de R$ 200 mil.
3. Menor que o dos rivais diretos
Entre-eixos de 2,72 m do Jetour S06 não é ruim, mas fica abaixo da concorrência
Cauê Lira/Autoesporte
Falamos acima que o S06 tem um preço bastante competitivo diante dos rivais, sendo até R$ 20 mil mais barato que a dupla de GWM e BYD. Porém, Jetour é menor do que os concorrentes diretos. Com comprimento de 4,62 metros e entre-eixos de 2,72 m, ele fica nitidamente abaixo dos mais de 4,78 m de comprimento e 2,77 m do Song Plus, por exemplo.
Mesmo em relação ao EX5 EM-i, são 8 cm a menos no comprimento e 1 cm menor no entre-eixos. Essa diferença de fita métrica é sentida diretamente por quem vai no banco de trás. Embora o piso plano ajude, o vão para as pernas de adultos com mais de 1,80 m é apenas razoável, sem o espaço de sobra que consagrou os SUVs médios chineses.
4. Porta-malas pequeno
Jetour S06 tem apenas 416 litros de porta-malas
Cauê Lira/Autoesporte
Outra consequência do porte menor é no volume do porta-malas. Com 416 litros, o compartimento é pequeno para um SUV médio. Nesse aspecto, até Toyota Corolla Cross (440 litros) e Volkswagen Taos (498 litros) superam o chinês.
Ele também perde para os conterrâneos já citados aqui, sendo superado por muito pelos 560 litros do GWM Haval H6. Além da litragem contida, o assoalho é alto e a boca de carga tem um degrau que prejudica a colocação de volumes pesados. E não há o pretexto de que o volume é sacrificado por um estepe, porque o S06 dispensa o pneu sobressalente em benefício do kit de reparo.
5. Falta identidade visual
Jetour S06 Premium tem imitação de madeira, banco com faixas coloridas e plástico preto brilhante
Cauê Lira/Autoesporte
Quem olha para T1 e T2 facilmente vai reconhecer um Jetour. Mas com o S06, não acontece o mesmo. O SUV tem pegada bem menos aventureira e mais urbana do que os jipões híbridos que têm feito sucesso no Brasil.
Isso pode ser explicado pelo fato de que o S06 não “nasceu” um Jetour. Em outros mercados, ele é vendido pela Soueast, que chegou a ser especulada no Brasil. No entanto, a Chery optou por unificar os produtos sob a marca Jetour. Ainda que não se pareça com os demais modelos, o S06 traz estilo bastante agressivo e cheio de personalidade.
No interior, a mistura de estilos pode incomodar os mais sóbrios. Há imitação de madeira, plástico preto brilhante e material emborrachado, além de bancos com parte do estofamento nas cores bege ou azul. Vale dizer, no entanto, que o padrão de acabamento é bom para a faixa de preço.
Ficha técnica – Jetour S06 Premium
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