
Desde 2023, quando os carros chineses começaram a chegar em ritmo alucinante ao Brasil, todas as fabricantes tradicionais sentiram o impacto nas vendas. E a Peugeot, em particular, é uma das que mais vêm sofrendo. De um bom ano em 2022, ainda na era “pré-invasão chinesa”, a uma representatividade discreta em 2026. Afinal, por que a Peugeot perdeu tanto espaço no Brasil?
Em entrevista com Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, alguns pontos importantes foram explicados para entender o que está acontecendo, como o portfólio atual reduzido e capacidade de produção menor na fábrica de El Palomar (Argentina).
Vendas da Peugeot no Brasil
Peugeot 208 vende menos do que o 2008
Divulgação/Peugeot
Até o final de setembro deste ano, a marca francesa do Grupo Stellantis vendeu 9.867 automóveis no Brasil, sendo 4.059 unidades do 208 e 5.808 do 2008. Para efeitos de comparação, entre janeiro e setembro do ano passado, a Peugeot havia emplacado 15.601 veículos. São 5.734 exemplares a menos em relação ao mesmo período de 2025, o que representa uma queda de 36,8%. Os números são da Fenabrave, associação que representa as concessionárias.
Confira o histórico de vendas da Peugeot no Brasil desde 2022:
Vendas de carros da Peugeot no Brasil
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Peugeot só vende dois carros no Brasil
Peugeot 2008 GT Hybrid tem sistema de 12V
Divulgação
A baixa oferta de carros é, sem dúvidas, um dos grandes motivos para essa queda expressiva. Atualmente, o portfólio é formado apenas pela dupla 208 e 2008, ambos importados da Argentina — cenário bem diferente das chinesas, por exemplo, que têm uma gama bem ampla de carros. Em tentativa de impulsionar as vendas, o 208 acaba de chegar à linha 2027 com redução de preço.
A versão Style passou de R$ 106.990 para R$ 93.990. Ou seja, baixa de R$ 13 mil. A Allure caiu de R$ 126.990 para R$ 119.990, o que representa queda de R$ 7 mil. Por fim, a GT ficou R$ 6 mil mais barata: de R$ 138.990 para R$ 132.990.
Peugeot 208 2027 ficou mais barato em todas as versões
Divulgação
A versão de entrada do hatch tem motor 1.0 aspirado flex de três cilindros, com até 75 cv e 10,7 kgfm, associado ao câmbio manual de cinco marchas. Já as versões Allure e GT usam o motor 1.0 T200 turbo flex de até 115 cv e 20,4 kgfm, sempre com câmbio automático CVT com sete marchas simuladas. Na GT, o motor turbo tem o sistema híbrido leve (MHEV) de 12V, como em vários modelos do Grupo Stellantis, inclusive o novo Jeep Avenger.
Já o 2008 é vendido em três versões, com preços entre R$ 148.990 e R$ 179.990. Todas usam o mesmo motor 1.0 T200 turbo flex, mas a GT é a única equipada com sistema híbrido leve (MHEV) de 12V.
Capacidade reduzida na fábrica de El Palomar
Peugeot 208 na fábrica de El Palomar (Argentina)
Divulgação
Junto disso, a produção dos Peugeot 208 e 2008 na Argentina passou por uma redução importante em 2026. A fábrica de El Palomar deixou de operar em dois turnos e passou a trabalhar com apenas um. A medida veio acompanhada de um programa de demissões e aposentadorias voluntárias, em um movimento para adequar o ritmo da unidade à menor demanda pelos veículos.
A decisão está diretamente relacionada à queda das exportações, principalmente para o Brasil, principal destino externo da produção argentina. Diante desse cenário, até o futuro da fábrica nos próximos anos é incerto.
Peugeot produz 208 e 2008 na fábrica de El Palomar
Divulgação
“Essa redução na produção impactou o Brasil porque era o principal destino de exportação do 208 e do 2008. Além do volume de vendas mais baixo por conta do chamado ‘efeito China’, o custo da mão de obra na Argentina é pelo menos o dobro do brasileiro. Então, tivemos que adequar à demanda”, afirma Zola.
E o futuro da Peugeot no Brasil?
A Stellantis anunciou, em maio, que vai produzir dois modelos da Jeep e dois da Peugeot na China, dedicados ao mercado interno e à exportação. O movimento reflete a ampliação da parceria que a companhia tem com a fabricante local Dongfeng, por meio da joint-venture Dongfeng Peugeot Citroën Automobile (DPCA), após a assinatura de um acordo de cooperação estratégica.
Vale lembrar que a Dongfeng foi apresentada ao Brasil em agosto, durante o Festival Interlagos, com o nome de DFM, e essa parceria pode render frutos por aqui. Autoesporte já noticiou que Stellantis e Dongfeng tentam viabilizar a transferência do complexo de Campo Largo (PR) para a empresa chinesa, além de uma possível produção compartilhada em Porto Real (RJ).
Zola já afirmou que a intenção da Stellantis no Brasil é deixar a Peugeot como uma marca mais premium, sem concorrer diretamente com a Fiat, como é atualmente. Sendo assim, produtos vendidos por aqui frutos da parceria com a DFM podem se tornar realidade no futuro.
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